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NA MORTE DO CRIADOR
Eugénio de Andrade um ano depois.

www.agal-gz.org/portugaliza 30/06/2006. Um ano após a morte do poeta, a Revista Portugaliza tenta homenageia-lo apresentando alguns aspectos relevantes da sua vida e obra.

José Fontinha nasceu em 1923 na Póvoa da Atalaia, no Fundão (Beira Interior), mas desde 1950 que o Porto é a sua casa. De funcionário público a um espaço único na poesia nacional, qual o percurso do poeta?
Filho de «gente que trabalhava a pedra e a terra», José Fontinha tem na mãe a figura tutelar da sua existência e da sua poesia. O casamento de seus pais foi fugaz e a figura paterna esteve sempre ausente da sua infância e da sua lembrança poética.

Com a mãe, muda-se para Castelo Branco e, mais tarde, para Lisboa, onde estuda e vive durante 11 anos. O gosto pela leitura é satisfeito durante as horas que passa na biblioteca pública.

Em 1938, o poeta António Botto recebe por carta alguns poemas da autoria do jovem José. Botto fica impressionado com o que lê e não tarda muito até que Narciso, primeiro poema do rapaz da Póvoa da Atalaia, veja a luz do dia. É nesta altura que decide assinar as suas obras sob o nome Eugénio de Andrade, nome que, talvez não o suspeitasse, se tornaria sinónimo de um dos maiores poetas portugueses.

 

 

 

 

 

 

Em 1942 lança o primeiro volume de poesia, Adolescente, dedicado a Fernando Pessoa. Esta sua estreia, bem como Pureza (1945), o livro que lhe seguiu, acabaria por ser renegada.

Entretanto, fixara-se em Coimbra. Completa o serviço militar e é colocado no Serviço de Saúde, em Lisboa, mas logo pede transferência para Coimbra, onde se encontra a sua mãe.

1948 é o ano do reconhecimento, despoletado por As Mãos e os Frutos. Inspector-administrativo dos Serviços Médico-Sociais, Eugénio muda-se para o Porto, cidade que não mais abandonará.

E é do Porto que vai construindo uma obra essencialmente poética, mas em que também há lugar para a prosa, a antologia e a tradução, que fará dele um dos nomes mais destacados do panorâma poético português. É aliás conhecido além-fronteiras, já que Pureza havia sido, em 1945, traduzido e publicado em francês.

Poeta da infância

Em 1956 morre-lhe a mãe, personagem principal do seu universo poético. Esta perda é também o desvincular de uma infância que, sem a mãe, não fazia sentido ser lembrada: «a minha ligação à infância é, sobretudo, uma ligação à minha mãe e à minha terra, porque, no fundo, vivemos um para o outro.», diz Eugénio. A mãe, essa infância perdida, a terra são, no entanto, presenças constantes e fortes nas suas composições poéticas.

O caminho prolífico da sua poesia não pára e juntam-se-lhe a tradução para português dos seus poetas favoritos (Lorca, Borges, entre outros), as obras infantis e a prosa.

Desde As Mãos e os frutos que Eugénio de Andrade é tido como um nome de proa da poesia portuguesa, mas nem o reconhecimento nem os sucessivos prémios literários, quer nacionais quer estrangeiros, o fazem prescindir do modo reservado que escolheu para viver. Contam-se pelos dedos as suas aparições públicas em congressos, colóquios ou na comunicação social.

Eugénio de Andrade viu a sua obra admirada e estudada por poetas como Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Fernando Pinto do Amaral ou Jorge Luís Nava. Fez amizade com Herberto Helder, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Marguerite Yourcenar.
É Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada e Grã-Cruz da Ordem de Mérito. Em 2001 é-lhe atribuído o Prémio Camões. A sua obra encontra-se traduzida em mais de uma vintena de idiomas. Honras modestas para um poeta cuja obra não carece de elogios.

Uma casa cheia de amigos

Cidadão honorário da cidade do Porto, é lá que Eugénio de Andrade tem uma Fundação com o seu nome. Situada na Rua do Passeio Alegre, 584, esta fundação foi criada por amigos do poeta em 1933, mas só aberta ao público em 1995.

Além dos lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia que alberga, a Fundação é a casa de Eugénio de Andrade, sendo também responsável pela colecção Obras de Eugénio de Andrade. Depois de uma doença prolongada, Eugénio de Andrade faleceu no Porto o 13 de Junho de 2005 (Fonte: Muita Letra e Wikipedia portuguesa).

Obra poetica:
» Descarregar o poema "Urgentemente" [.pdf]
» Outros poemas.

Ligações relacionadas:
» Homenagem a Eugénio de Andrade.
» Eugénio de Andrade em Muita Letra.
» Mais informação sobre a sua vida e obra.

 



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