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www.agal-gz.org/portugaliza
30/12/2005.
Xoán
M. Paredes (1975)
Reside na Irlanda desde 1999. Foi professor e investigador
no Depto. de Geografia da University College Cork. Actualmente é membro
do Grupo de Investigação Sócio-Territorial do IDEGA (Universidade
de Santiago de Compostela) e colaborador do Centro Irlandês de Estudos
Galegos da University College Cork.
Imagem da capa:
Museu do Povo Galego (Compostela)
© Sergio Valije Guiadanes (Contremo)
http://flickr.com/photos/contremo
Especialista em desenvolvimento territorial, assim como grande conhecedor das realidades socio-económicas da Irlanda e da Portugaliza, Xoán M. Paredes oferece-nos nesta entrevista, uma interessante analise contrastiva sobre as possíveis estratégias a seguir no desenvolvimento económico e social da Galiza.
Xoán, depois de levares mais de seis anos morando na Irlanda, que paralelismos encontras com a Galiza no plano social e económico?
A Irlanda semelha
por vezes um espelho da Galiza, mas este espelho não dá uma
imagem "real", senão a imagem do que a Galiza poderia ter
sido de ter passado polas experiências irlandesas. Há de facto
similitudes claras na chamada cultura tradicional, no médio mais rural,
onde um galego pode chegar a identificar como (quase) próprios certos
hábitos sociais. Ora bem, a cultura urbana irlandesa é distinta
da galega, e se bem há paralelismos é difícil saber quando
é que estes forom adaptados desde a própria idiossincrasia ou
simplesmente são semelhanças devidas ao facto de sermos todos
europeus e vivermos numa sociedade neoliberal.
A metáfora do espelho é válida também no plano
económico, mas outra vez a imagem reflectida está alterada.
Não há tanto tempo a Galiza e a Irlanda partilhavam quase ao
cento por cento similares problemas de secular atraso sócio-económico,
mas hoje a situação é distinta. Porém, houve mudanças
radicais em ambos os dous países, e longe fica aquela ideia de ruralidade
e atraso extremo, como bem demonstram os trabalhos do Professor Ferras Sexto.
Mas assim como na Irlanda esta mudança foi planificada, e estudada,
na Galiza aconteceu de jeito mais ou menos expontâneo, simplesmente
seguindo o ronsel do resto da Europa. E se calhar esta última análise
pode ser também válida para os nossos irmãos de Portugal.
De novo, Irlanda vem a ser o que a Galiza poderia ter sido; partindo de situações
muito similares chegou-se a uma realidade distinta, e em muito pouco tempo.
Quais achas que são as razões pelas que Irlanda se tem convertido em tão só em 15 anos num dos países economicamente mais dinâmicos UE?
Planificação
e estratégia, e muito investimento estrangeiro. Na Irlanda houve uma
ideia, um plano de desenvolvimento, se calhar uma política de «todo
ou nada» depois de ter passado uma crise económica terrível
nos anos 70. Chegados quase a uma situação limite os distintos
governos irlandeses apostaram por, simplesmente, tirar proveito de qualquer
uma potencialidade do país, de qualquer contacto internacional, e isto
todo deveria ser regulamentado por planos de desenvolvimento nacional. Houve
um pacto nacional, onde os distintos partidos coincidiram nessa estratégia,
e ainda existindo as lógicas brigas políticas e tensões,
todos coincidiam na necessidade de puxar polo país, é dizer,
os eixos fundamentais dessa nova estratégia foram sempre respeitados.
A Irlanda
passou, pois, a utilizar as suas relações internacionais, nomeadamente
com os EEUU, para atrair investimentos. Recebeu ao mesmo tempo fundos da UE.
Apostou por uma promoção racional do turismo chamado «de
qualidade». Todos esses dinheiros foram destinados em grande parte a
educação e estimulação do mercado interno. E sempre
com os grandes planos de desenvolvimento nacional regulamentando todo; lá
estava todo organizado a priori, e mesmo que continham flagrantes erros de
estimação (fruto da inexperiência), esses planos representaram
para bem ou para mal uma referência até o dia de hoje, um «faro»
na convulsa política irlandesa, onde o caciquismo também é
rei.
Ligando com a pergunta anterior, quê ensinanças para uma estratégia de desenvolvimento galega, podemos tirar do 'Tigre Celta'?
Basicamente
a necessidade dum grande pacto social e político na elaboração
dum plano de desenvolvimento nacional para a Galiza. É necessário
que a Galiza faga inventário dos seus recursos, do que é o que
pode oferecer ao mundo e começar, logo, uma decidida campanha de promoção
e expansão usando todos os nossos contactos e poderes. O que tenhamos,
por muito ou pouco que isto seja, tem que ser potenciado aos máximos,
sem olhar atrás, sem medos. Todo isto tem que vir marcado por esse
plano, por essas directrizes consensuadas. Na Galiza nunca existiu em verdade
um plano de desenvolvimento geral, uma planificação estratégica.
Temos que estabelecer um objectivo, sonhar com onde queremos estar de aqui
a dez anos e trabalhar por isso. Uma vez chegados lá faremos análise
crítica e volta a começar, uma e outra vez. Eis algo que podemos
aprender dos irlandeses.
Podemos aprender do seu modelo de desenvolvimento turístico, verdadeiro
desenvolvimento sustentável que regenerou o rural mais profundo, fixando
a sua população e que o transformou num autêntico jardim
sem esquecer as actividades tradicionais. Conseguiram duas cousas ao mesmo
tempo: fomentar o turismo e fazer que o turismo pague pola preservação
de espaços em declive. Os irlandeses convenceram ao mundo do bonito
e romântico que é passear entre estrume de vaca. Eles vendem
erva e chuva, brêtemas e misticismo, bom, nós temos disso e mais.
Aliás, podemos aprender dos seus erros, de como por vezes esses planos
eram estritos demais, ou de como a política caciquil diminuiu parte
da sua efectividade. Devemos evitar a sobre protecção do sector
primário, pois na Irlanda (por uma série de traumas históricos)
os agricultores e gadeiros receberam um poder desorbitado que em ocasiões
trava o desenvolvimento doutras actividades, actuando quase como uma máfia.
Pode-se falar durante horas do exacerbado centralismo, onde o nível
regional é inexistente e o poder local ou municipal, se é que
se lhe pode chamar assim, é ridículo. A organização
administrativa territorial é deficiente e está desajustada,
e nenhum plano nacional lidou ainda com esse tema crucial. Neste aspecto se
quadra temos certas vantagens comparativas.
Também deixaram de banda uma série de provisões sociais.
Por exemplo, a sanidade pública é bastante deficiente. Nós
temos que evitar essa conceição mercantilista, de ver todo como
uma empresa, que é o que produz benefícios e o que não,
porque cousas como a sanidade nunca vão produzir rendimentos económicos
directos na acepção clássica, e não por isso se
pode deixar esmorecer.
Devemos evitar uma política neoliberal selvagem para fugir desse sentimento
que têm agora muitos irlandeses de «ter vendido a alma ao diabo»...
A Galiza pode escolher por ir mais devagar, por ir introduzindo mudanças
mais paseninhamente. Não podemos cometer o erro de sacrificar parte
da nossa identidade e cultura polo desenvolvimento económico, algo
no que muitos irlandeses pensam neste momento e do qual estão arrependidos.
Tem que ser possível para nós aprender desses erros e encontrar
um equilíbrio.
Continuando com o que vens a dizer, o modelo neoliberal tem acrescentado desigualdades sociais na Irlanda. Como achas que se poderiam evitar estes erros na Galiza?
Efectivamente,
os dinheiros nem sempre foram repartidos por igual. Nos últimos vinte
anos as grandes fortunas neste país passaram a ser algo habitual. Na
contra, grandes bolsas de população vivem marginadas. O curioso
do caso irlandês é que isto não acontece necessariamente
por falta de dinheiro, não são sempre os típicos casos
de pobreza no senso tradicional. O Estado irlandês é rico, e
a taxa de desemprego é baixa; a Irlanda é uma dessas excepções
na Europa onde se um realmente quer, trabalha. É dizer, a pobreza absoluta
não se deve tanto a falta de condições laborais, senão
a outros problemas muito mais complexos difíceis de explicar em pouco
tempo.
Por ser um país «rico» e por ter passado a Irlanda traumáticos
episódios ao longo da sua história, o estado na Irlanda tem
aquele pouso paternalista, não exempto de moralina católica.
A injecção de capital na Irlanda trouxe, paradoxalmente, efeitos
desestabilizantes no passo duma sociedade eminentemente rural a uma totalmente
nova, de novos ricos, de «fartura». Aliás, a crise dos
70 e o feche de indústrias deixou grandes bolsas de desemprego nas
principais cidades. Estas bolsas de população ficarom imediatamente
marginalizadas, transformando-se em párias cara o resto da sociedade,
definidos por famílias rotas, delinquência e alcoolismo. Com
o «Tigre Celta» houve um avanço geral, mas moita gente
dentro dessas bolsas deprimidas vivia já numa realidade distinta, numa
sub-sociedade totalmente desestruturada, e nunca forom quem de cavalgar o
Tigre. A sociedade irlandesa rachou por aí. O estado (lembremos, paternalista
e moralista) criou uma série de ajudas económicas para os mais
desfavorecidos. Louvável, mas isto significou o princípio duma
dependência crónica, uma vida subsidiada, onde nenhuma autoridade
pensou numa reintegração social real, senão no falso
entendimento de que o dinheiro o pode solucionar todo. Essa gente passou a
dispor de certo capital e bem, agravaram-se os casos de alcoolismo e em consequência
os de violência doméstica, vandalismo e delinquência, apareceram
máfias, etc. É especialmente preocupante o problema das nais
jovens: o estado subsidia por cada filho, então, moitas destas rapazas
(menores, desempregadas, solteiras ou num ambiente de violência doméstica,
quando não alcoolizadas) têm filhos como negócio. O aborto
é ilegal e os métodos anticonceptivos mal vistos nalguns sectores
(aquilo do catolicismo). Evidentemente, estes nenos vão medrar nessa
mesma espiral e cá temos um problema para o futuro. Uma parte da sociedade
está totalmente rota.
Como evitar isto na Galiza? Fácil de dizer, difícil de fazer:
começar desde já com programas sérios de reintegração
social dos mais desfavorecidos. Impulsar uma escolarização pública
de qualidade, incluindo educação sexual. Consolidar uma cultura
cívica, de consciência cidadã e solidariedade. Criar centros
de recursos e formação na vez de simplesmente dar dinheiro em
mão. E, fundamentalmente, fazer todos os possíveis para criar
emprego. São as únicas medidas preventivas antes da chegada
dum suposto «Tigre Galaico».
Parece ser que a Galiza vai seguir recebendo (em menor quantia) fundos estruturais da UE até 2013. Em que achas que se deve investir esse dinheiro? Quiçá em estradas e infra-estruturas?
Não necessariamente.
Na Irlanda certas infra-estruturas só começam a ser desenvolvidas
a sério agora. Os fundos foram destinados à criação
de negócio, de postos de trabalho, à atracção
de investimentos forâneos e, sobretudo, à educação.
A ideia do governo irlandês foi sempre a de formar indivíduos
altamente qualificados que puderam, no futuro, tirar do carro. O conceito
era que sendo um país pequeno com menos de quatro milhões de
habitantes cada pessoa devia contar. Isto é, se tiveram gastado o dinheiro
em estradas hoje não teriam capital humano, mas tendo capital humano
sempre haverá tempo para estradas; esses indivíduos altamente
formados já pensariam em como atrair, mais adiante, mais investimento...
essa era a ideia! E seica lhes funcionou, pois a Irlanda é hoje por
hoje um centro de investigação de primeiro nível. Só
um dado: é o segundo exportador de software do mundo, só por
trás dos EEUU. É agora, com o dinheiro gerado polas novas exportações
irlandesas, é que começam o «plano B», o desenvolvimento
de mais infra-estruturas «não vitais mas recomendadas»
(muitos pensamos que tarde de mais - isso é outra história).
Aliás, na Galiza pensa-se em infra-estruturas como estradas e cousas
similares; na Irlanda pensa-se em parques empresariais. A noção
é distinta. Todo o que é preciso é um grande parque empresarial
totalmente equipado e uma estradinha que leve ao porto ou aeroporto (veja-se
Dublin): isso vai gerar riqueza que logo pode ser investida noutros assuntos.
Que grandes parques empresarias temos nós? Melhor dito, que vantagens
comparativas oferecemos a uma empresa que queira investir na Galiza? Irlanda
ganha sempre. Isso sim, temos asfaltadas todas as pistas do rural.
Nós temos gastado grande parte dos nossos fundos em obras faraónicas,
nem sempre precisas. Deveríamos optimizar essas infra-estruturas existentes,
sim, reforçando as mais críticas como por exemplo os caminhos
de ferro, onde talvez a velocidade não é o mais importante,
senão a frequência, regularidade e paragens no caminho, conectando
os hinterlands das cidades e centros de produção com a sua saída
por mar ou ar mais próxima, conectando estes lugares também
com o interior de forma constante e eficaz. A velocidade é secundária.
É básico começarmos a utilizar os recursos que tenhamos
em formação (educação) e dinamização
da actividade económica. Os irlandeses jogarom também com a
sua situação periférica de ponte entre continentes no
seu proveito, convertendo um problema numa vantagem, porque não podemos
nós fazer o mesmo? Neste último aspecto poderíamos trabalhar
associados, sem nenhuma dúvida, com os nossos vizinhos portugueses.
Alguns teóricos dizem que a criação de redes sociais é uma das peças fundamentais para o desenvolvimento duma sociedade, neste caso a Galiza (temos aqui o exemplo claro das comunidades chinesas na Europa). Como se deveria focar também isto em relação aos galegos e galegas que estão a morar no exterior?
Bem sabemos
onde foram parar tantos intentos de estimular o espírito cooperativista
na Galiza, os pulos para tecer redes cidadãs que participem activamente
na vida e desenvolvimento do país, deixando de sermos sempre meros
espectadores a ver o que algum outro tem para oferecer. Na maioria dos casos
não se passou das boas intenções.
Em relação aos galegos de nação no exterior isto
é, se quadra, ainda mais relevante e urgente, e entraria a formar parte
duma estratégia geral de aproveitamento de potencialidades, como falava
antes para o caso irlandês. Por causa da emigração os
galegos temos contactos em todo o mundo, gente válida capaz de encetar
qualquer actividade se as oportunidades são fornecidas; só fai
falta um pouco de coordenação.
Houve e há meritórias tentativas de fazê-lo, mas é
preciso que essas pessoas vejam que o seu esforço vai ter uma resposta
real, palpável, que vai ter relevância na Galiza e que assim
está contemplado -e aqui podemos falar de novo sobre a necessidade
de termos um plano de desenvolvimento nacional, onde tais iniciativas venham
recolhidas-. Foi como aconteceu na Irlanda. O governo irlandês mexeu
de todos os fios e falou com colectivos e indivíduos relevantes no
exterior, provocando uma reacção em cadeia onde estes irlandeses
na diáspora viram uma oportunidade de progresso. Esta simples iniciativa
e o apelo a um orgulho nacional bem entendido provocou o fortalecimento de
redes sociais no exterior e, por exemplo, o regresso de irlandeses de segunda
geração altamente formados e experimentados a trabalhar polo
seu país de origem, isto é, uma «fuga de cérebros»
mas à inversa. Um pequeno estímulo, um passo decidido, e muitas
vezes o resto acontece de forma automática.
Falava também do sentido de urgência (que não pressa)
porque no nosso caso o tema identitário pode em ocasiões ficar
algo diluído. Para um irlandês no exterior ou de segunda geração
é relativamente fácil voltar a identificar-se com o país
de origem já que a República da Irlanda é um estado soberano,
um país perfeitamente definido. No nosso caso temos que fazer um esforço
extra em realçar a personalidade da Galiza, o porque é que a
Galiza tem certas vantagens específicas e não outro território,
e fazer isto rápido, antes de que o passo dos anos elimine definitivamente
qualquer sinal de singularidade nacional.
Noutra ordem de cousas, há sectores na Galiza onde falar das comunidades
emigradas é como um tabu. Estão aí e pronto; criamos
um departamento governamental, publicamos um par de livros, visitamos um par
de «casas galegas» e acabou-se. Isso não abonda. Deixa-me
pôr só um exemplo: Os Portugueses têm assumido a importância
da sua gente no exterior. Basta ligar a RTP internacional para ver que tentam
trazer essas comunidades para uma vida comum no seio da sociedade portuguesa
na distância. Os bancos oferecem condições especiais para
portugueses residentes no estrangeiro, as agrupações portuguesas
no exterior têm mesmo até peso político nas sociedades
de destino e usam isto como medida de pressão em favor de Portugal
se for preciso (isto, acho eu, nós não o fazemos). Há
um cuidado e carinho por essas comunidades, uma sensação de
normalidade e, chegado o momento, tira-se proveito. No nosso caso basta ligar
a TVG internacional para ver programas costumistas dedicados aos coitados
dos emigrantes em perfeito espanhol, transmitindo a impressão de que
os galegos no exterior estão para, simplesmente, estar aí, sentir
morrinha e pouco mais. Há quem ainda tem o trauma de que aquilo de
emigrar «é cousa do passado e foi horroroso. Melhor deixa-lo
estar». Foi traumático, pode ser, mas a realidade é outra,
e há que fazer-lhe frente e o mais importante: tirar proveito nós
também duma situação em princípio desfavorável,
mudar a tendência.
E já seguindo com esta temática, dizes que a Irlanda tem tirado o máximo partido da sua relação com os Estados Unidos dentro da anglofonia. Como achas que se deveria focar isto na Galiza em relação a Portugal e ao mundo lusófono?
Irlanda tirou
proveito da sua posição na anglofonia e não só.
Também tiraram partido da sua situação geográfica
como país da Europa Atlântica e de ponte entre continentes. As
suas relações políticas e comerciais com países
atlânticos como a Holanda, Noruega, Islândia ou França
são excelentes. Certo é que o maior proveito véu do Reino
Unido e dos Estados Unidos, por aquilo do idioma e polo número de irlandeses
residentes lá. A Galiza deveria procurar igualmente relações
do mais alto nível no seio da Europa Atlântica, pois a fim de
contas são os nosso vizinhos imediatos e o comércio marítimo
europeu passa por cá.
Além disso, a Galiza tem na sua mão a possibilidade de «assaltar»
(entenda-se-me bem) toda a América do Sul graças às facilidades
de língua e relevância do «elemento galego» naqueles
povos. E digo toda; nenhum outro país tem essa facilidade. Porém,
o contacto com o mundo lusófono, do que paradoxalmente somos berço,
foi algo voluntariamente esquecido, outro tabu, o que demonstra mais uma vez
a falta de pensamento estratégico da nossa classe política e
certos sectores da cultura oficialista. Fala-se do tema, sim, mas é
pura retórica, porque logo não vai reflectido em nenhum plano
sério.
Pode-mos vê-lo baixo duas perspectivas. Por uma banda temos o elemento
sentimental, o de sermos capazes de percorrer o mundo na nossa própria
língua com todo o que isso implica para o enriquecimento da nossa cultura.
Por outra parte está a conveniência para o desenvolvimento económico
e político. Portugal oferece uma condições difíceis
de melhorar para a formação duma aliança estratégica
na Europa, uma «Califórnia da Europa», assim como nós
lhe oferecemos a Portugal acesso à América do Sul de expressão
espanhola e resto da Ibéria, e isto não o digo só eu.
Do outro lado do oceano temos Brasil, quinta economia mundial em pleno processo
de expansão, onde os galegos temos um pé e parte do outro; só
faz falta um pouco de decisão. Isto e os países africanos e
locais asiáticos de língua portuguesa, onde podemos criar alianças
de futuro mui interessantes.
Na minha opinião seria suicida (etnosuicídio?) e ilógico
não tirar proveito de todas estas oportunidades, nomeadamente do tantas
vezes ignorado mundo «galegófono» ou «lusófono».
A outra opção é continuarmos como até o de agora,
isto é, na cauda da Europa com um crescimento menor ao da Eslovénia
-os dados do EuroStat estão aí para a gente verificar-. Jogamo-nos
o nosso futuro colectivo, nem mais nem menos.
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Fundaçom Artábria.
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Plano Tecnológico Português.
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Cluster Audivisual Galego.
Esta entrevista com Xoán M. Paredes foi possível
graças à colaboração de:
» Adegas Gándara.