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AMALARICH
- 08-12-04 - 00:52.
Dizem alguns que a gente nom aceita a normalizaçom. A gente o que nom
aceita é a sua identidade reial, a que lhe vem dos seus pais e avós.
Há um auto-ódio mais forte mesmo do que no franquismo, e desta
vez pior porque a espanholizaçom obrigatória faz-se em nome
da democrácia e liberdade.
A
gente desvive-se por que a considerem espanhola, e para que nom se perceba
a sua identidade. A maioria dos Galegos estám vivendo numa louca e
desenfreada carreira por serem como os amos espanhois, e nom como os pobres
miserentos e "paletos" dos seus avós da aldeia. Há
um racismo brutal virado cara nós mesmos e o nosso passado. Todos querem
ser espanhois imoderadamente, com golosa e voluptuosa obscenidade. Mas, é
muito difícil: quando na Galiza os hispanófonos apenas asimilamos
os tempos verbais compostos ao modo mais castiço, os espanhois já
inovarom, e generalizarom o "laísmo."
É uma empresa va, nunca seremos espanhois de verdade ainda que renunciemos
com todas as nossas forças à nossa identidade, porque os espanhois
de verdade nom têm de sentir nojo da língua dos seus pais e avós,
nom precissam desse passo fundamental e traumático, som espanhois primária
e primigeniamente.
O esforço que o galego colonizado faz nos seus imoderados aspaventos
para querer ser considerado espanhol, delatam-no já como um espanhol
postiço, um falso espanhol, um espanhol que para sê-lo tem algo
muito grande que ocultar, algo que se lhe pega com teimosia, como o sotaque
indigena de Paco Vasques.
A asimilaçom à espanholidade é a primeira e básica
prioridade do colonizado para ser aceitado como um cidadam igual aos demais,
pois enquanto galego percebe-se objectivamente como inferior. A atitude do
colonizado é a prova mais evidente e material dos profundos danos psicológicos
que a ocupaçom militar espanhola ocasionou desde há séculos
nas nossas mentes.
Os colonizados galegos vivem numa Espanha virtual fabricada polos média:
acendem a rádio e estám na Espanha, a TV é a espanhola,
os cinemas dam filmes em espanhol, o seu BI pom "España".
Os velhos do mundo virtual falam espanhol, tenhem o sotaque perfeito, nom
passeiam entre leiras e hórreos, nom tenhem a casa dos avós
noutro "país." Som espanhois "guapos", "cultos",
"señores empresarios" e "modernos y marchosos,"
"jóvenes estándar (madrilenhos)", "pijas y pijos",
"alternativos desfarrapados" ou senhoras de postim.
A Espanha virtual oferece aos galegos e galegas toda a gama possível
de personalidades e atitudes vitais nas que sentir-se cómodo sendo
espanhol: o espanhol pijo-facha, o espanhol alternativo-esquerdista, o espanhol
ONG-voluntário, o espanhol introvertido, o espanhol extrovertido...
Só necessitamos fuzilar a nossa alma, queimar a nossa roupa co cheiro
e suor da nossa velha identidade, e tomar "democrática e voluntariamente"
um disfarce de espanhol que generosamente se nos oferece.
A contradiçom Galiza-Espanha, foi primariamente uma questom de natureza
militar: pois a ninguém se lhe escapa que a origem desta situaçom
é a entrada de tropas invassoras espanholas a sangue e fogo na Galiza
do século XV. E ainda o segue sendo. Mas, com o avanço dos séculos
e a asimilaçom forçosa todo se foi "sesgando" cara
a espanholidade: a língua, as leis, os costumes, a música...
e por fim a mente toda do colonizado.
Penso que é muito difícil que um asimilado à espanholidade
dê o passo de volta cara à sua identidade. Depois da humilhaçom
e os esforços que teve de passar para poder aparescer ante el mesmo
como espanhol, como alguém digno, como é que lhe venhem agora
os nacionalistas com toda essa léria da Identidade Galega!? O colonizado
tende a reagir com violência e irracionalidade ante um nacionalista,
porque este lhe recorda constantemente que a sua identidade anterior está
aí, agachada, reprimida, maldita... Quando um colonizado se enfrenta
a um Galeguista sente frustraçom, animosidade, hostilidade: "tanta
galicia y tanta mierda."
O colonialismo espanhol destroi a paisagem, a memória dum Povo, os
seus recursos, a sua história, a sociabilidade da gente. Enfim, o colonialismo
age como uma força social destrutora de mentes, uma força desorganizadora,
desnacionalizadora, desocializadora, deshumanizadora.
A denúncia da ocupaçom militar de Galiza deve ser o primeiro
dever para um galeguista. Quiça, se començaramos a chamar às
cousas polo seu nome todos teriamos um pouco mais de Saúde Mental.
Claro que, para um colonizado, este apelo anti-espanhol só pode ser
integrado na sua cosmovisom como um desvario, um mundo ao revês, uma
exageraçom ou um extremismo. Bem, nom podemos ser condescendentes com
quem sofre uma patologia mental (alienaçom nacional) e dar-lhe a razom
alimentando assim o seu delírio.
Dizei-lho em alto:
ISTO NOM É ESPANHA!
ABAIXO A OCUPAÇOM ESPANHOLA!
VIVA A REPÚBLICA GALEGA!
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