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JOSÉ
MANUEL BARBOSA
Galiza
e Portugal: Umha ou duas naçons?
JOSÉ
MANUEL BARBOSA.
Desde
fins do século XVIII até hoje surgiu e medrou, mais ou menos
lentamente um sentimento de amor a Galiza por parte de alguns galegos que
se deu em chamar galeguismo. Esse galeguismo passou por diferentes fases até
chegarmos à mais evoluida que é o nacionalismo, do qual som
representantes Castelao, Bóveda, Viqueira, Carvalho Calero e outros.
Essa fase do galeguismo chamada nacionalismo surgiu oficialmente nos começos
do século XX, considerando a Galiza como umha naçom com umhas
características que a definiam e definem como tal entre as que se achava
e acha a língua, peça chave -mas nom a única- da luita
pola soberania da personalidade própria em contra do imperialismo castelhano-espanhol.
Todo o mundo sabia e sabe que existe a Galiza com um idioma chamado galego,
mas ainda hoje muitos dos nossos compatriotas nom sabem exactamente que é
galego e o que nom é. Outros nom o querem saber. Nom o tenhem mui claro
que é Galiza e simplesmente ficam na visom curta que nos dá
Espanha, de conceber o nosso país como una comunidad autónoma
de la nación española, com umha fala até certo
ponto diferente da castelhana e também diferente do português,
pois utilizam Ñ, LL, e outros sinais tipicamente
espanhóis.
Recentemente tenhem saído trabalhos em que partindo de que na Galiza
se fala português a Nossa Terra deveria unificar-se com a naçom
que fica no Sul, conformando umha única nacionalidade baseada na comunidade
de língua. Nós, como observadores da realidade gostaríamos
de contribuir com a nossa visom particular ao conceito de Galiza de pontos
de vista históricos e lingüísticos.
| «A Galiza pode incluir a regiom bracarense como também pode esta última estar unida com todo o direito a Lusitánia...» |
Ao conjunto de
territórios habitados originariamente por povos celtas ou celtizados
do Noroeste da Península Ibérica, e conquistados polos romanos,
fixando como limites móveis e imprecisos no transcorrer da história
o Douro no Sul, o Cantábrico no Norte e o Esla -ao princípio-
ou territórios muito mais orientais polo Leste deu-se-lhe em chamar
Gallaecia.
Os romanos dividírom a Península Ibérica num começo
em duas províncias: a Ulterior e a Citerior, ficando o território
galaico dentro da segunda com a finalidade de concentrar baixo a autoridade
Consular a todas as terras inseguras cujo governo exigia um regimem de força
para evitar levantamentos e revoltas. Mais tarde à Citerior chamaria-se-lhe
província Tarraconense por ser a cidade de Tarraco a capitalidade
administrativa e desde onde partiam as ordens e o governo .
Aqui já Tibério tinha o que logo
será a Província Gallaecia que nom há que
confundir com a Galiza própria entendendo por isso a regiom
natual conformada polas suas terras, montanhas, clima, produçons e
caracteres dos seus habitantes tanto do ponto de vista racial como político-social,
pois neste sentido os romanos delimitárom-na claramente e compreendérom
sob a denominaçom de Galiza às terras ao Norte do Douro e ao
Oeste do Návia.
O primeiro desembarque de tropas romanas na Península deu-se
em 219 a.C. O quadro de povoamento que os romanos vieram encontrar seria aproximadamente
o seguinte: para Norte do Douro viviam os Calaicos, uma palavra relacionada
com Keltikoi, nome que os romanos davam aos celtas e que veio a dar o termo
galegos. Entre o Douro e o Tejo mas alastrando muito para além da nossa
actual fronteira, habitavam os Lusitanos, que os romanos descreviam como um
ramo dos celtíberos, isto é, como um povo que resultara da fusão
de Celtas e Íberos, Não sabemos se eram Celtas já muito
contaminados pela cultura ibera (...), se de íberos já muito
absorvidos pela cultura superior dos Celtas. A primeira hipótese e
a mais provável (...)."
No ano 241 d.C. Caracalla xebrou as regions naturais da Galiza e Astúrias,
mais Cantábria da Tarraconense criando a Hispania Nova Citerior
Antoniniana, que logo na época de Diocleciano receberia o nome
de Província Gallaecia6 . Lembremos que o Imperador Teodósio
nasceu em Cauca, actual Coca em território da actual província
de Segóvia e o Imperador era considerado como galaico, assim como o
velho topónimo de Campus Gallaeciae correspondente à
actual Terra de Campos em Palência.
Esta divisom saíu das necessidades administrativas dos romanos como
algo mais ou menos aritifial fruto de imperialismo latino.
Com a queda de Roma e a assumpçom dos suevos, a Gallaecia consolidou-se
no território de entre o Tejo e Cantábrico por um lado e o Atlántico
e o Conventus Cluniacense polo outro, embora as regions conquistadas chegassem
incluso à Bética e ao Mediterráneo até que os
visigodos figérom dela umha simples província com os limites
postos entre o Douro e o Cantábrico por um lado e o Atlántico
e a Meseta polo outro. A invasom dos Árabes e a reconquista clarificou
bastante os contornos da Galiza polo Leste, pois os Castelhanos serám
considerados deste ponto como nom-galegos ao terem reino e língua ou
proto-língua distinta de nós. Embora isto tenha sido assim,
os mussulmanos chamavam-lhes indiscriminadamente galegos aos cristaos de ocidente,
forem astures, cántabro-castelhanos ou da Galiza compostelana, todos
eles incluídos na mal-chamada Coroa de Astúrias. Os galegos,
umha vez conformado o Reino de Leom, seriam agora os habitantes do Reino da
Galiza, que acolhia polo Leste zonas que chegavam ao Návia, parte do
Berço, a Seavra ocidental e todo o actual Tras-os-Montes; polo Sul
incluíam-se os territórios até o Mondego.
As luitas internas entre reinos cristaos e as suas constantes agressons, assim
como os seus problemas de sucessons, marcárom a tónica da Idade
Média que trouxo ao Reino da Galiza umha partiçom que o dividiu
em dous: ao Sul do Minho o chamado desde pouco antes Portugal que acolhia
a maior parte da Galiza bracarense mais o novo território recém
conquistado de Coimbra, e ao Norte o território que vai conservar o
nome originário de Galiza e que unido a Leom vai luitar pola hegemonia
competindo com Castela e expansionando-se pola Lusitánia oriental até
a Estremadura. Mas foi antes da partiçom quando o termo Galiza
começou a soar referido unicamente ao país ao Norte do Minho.
regnante
in Galletie et in extrema Minii et in extrema Dorii Ordonius Rex Aldefonsi
filius
É
de 938 o primeiro documento no qual o termo Portugal aparece com
o sentido do país ao Sul do Minho. Confirmando este facto, um documento
do 959 que contém o termo Galiza como a zona Norte do Minho.
As actas do Concílio de Corança celebrado em 1050 diferenciam
já Portugal e Galiza:
...mandamus ut in Legione et in suis terminis, in Galecie, et in
Asturiis, et in Portucale, tale sit semper judicium...
Temos que salientar que neste último texto som nomeados os territórios
que conformavam o Reino, ou melhor, Coroa de Galiza-Leom e que os cronistas
castelhanos se empenham em denominar Reino de Leom, de forma parcial e injusta.
Acrescentamos também que se evidencia o facto de umha vez quebrado
o território polo Minho, a zona Norte tivo posteriormente reis que
se denominárom da Galiza e os reis ao Sul do Minho, desde Afonso Henriques
que se denominarom de Portugal. Este mesmo, primeiro rei dum Portugal independente,
era para os mussulmanos um díscolo galego.
Chegados aqui, temos posto o problema. É o território de Entre
Douro e Minho parte da Naçom que denominamos Galiza ou nom, da mesma
forma que os territórios destalhados em 1833 polo Leste -o Návia,
o Berço e a Seavra- sabemos que si o som?
A isto diremos que percebemos com a regiom de Entre Douro e Minho ou Bracarense
umhas semelhanças e similitudes com respeito a origem étnica,
antropológica, as condiçons físicas de entorno e inlcuso
polo idioma comum que nos levam a assumir certas características conformadoras
da nacionalidade galega, que provenhem já da época romana e
pré-romana:
O facto de o distrito bracarense não se incluir na província
da Lusitánia traduzia provavelmente a diferenciação étnica
dos povos. Ambos os factores -diferenciação étnica e
diferente grau da acção romana- tem sido argumentados para justificar
as diferenças culturais que ainda hoje, sob muitos aspectos se observam
entre as populações do Norte e do Sul de Portugal.
Mas também
achamos diferenças criadas por séculos de vida afastada entre
nós, originada pola acçom, às vezes violenta, exercida
polos séculos, a história, e os interesses políticos
e nacionais castelhanos e lisboetas contra aquela integridade da Galiza histórica.
Isto leva-nos a pensar que depois de séculos de unidade política
e administrativa de Portugal, mais lusitano do que galaico do ponto de vista
étnico, económico e também cultural -embora nom lingüístico-
fai que a regiom de Bracarense esteja, cremos, logicamente lusitanizada, com
características próprias do Além-Douro mas conservando
outras originariamente galaicas.
Temos pois duas zonas no Estado português actual: a regiom Norte, galaica
lusitanizada, e a zona para além do Douro, nom galaica mas com elementos
próprios da zona Norte, originados pola acçom da expansom nortenha.
Por isso cremos que a diferença básica entre a Galiza de hoje
e o Portugal do Norte está em que nós somos galaicos colonizados
pola nacionalidade castelhano-espanhola e eles som galaicos contaminados polo
elemento lusitano, mas menos conscientes do que nós da alheaçom.
Podemos crer que de levarmos umha política des-espanholizadora e eles
des-lusitanizadora teríamos dado um passo bem importante para um possível
re-encontro cultural.
Chegados aqui vemos como o Reino da Galiza foi quebrado em dous pedaços
(alguns, de aprofundarmos mais diríamos que foi quebrado em três,
tantos como Conventos romanos), dos quais surgírom dous entes diferenciados,
podendo-se explicar este facto do mesmo feito que o acontecido com a velha
naçom viquinga, una durante a etapa mais primitiva da Alta Idade Média,
mas que por circunstáncias históricas e políticas está
hoje dividida em vários territórios com a sua personalidade
política: Islándia, Noruega, Faeroe, Dinamarca...
Entom:
1.- A Galiza como ente político e administrativo, (embora nom étnico
nem nacional) nasceu fruto dum acto imperialista, o romano; logo para nós
esta é a história que conta, porque aceitamos a existência
do Nosso País.
2.- O reino medieval da Galiza sofreu outro acto violento, conseqüência
do qual nasceu Portugal independente e a Galiza entendida como a zona ao Norte
do Minho e ao Leste das Astúrias e Leom.
3.- Poderíamos conceber o imperialismo romano que nos deu vida e nos
fizo entrar na história, mas nom o acto violento que nos dividiu, o
primeiro por conotaçons positivas -Roma reconheceu-nos como povo diferente-
e o segundo por todo o contrário -a divisom da Galiza quebrou a unidade
natural dos galaicos-. Colhendo esta última ideia e supondo que consideramos
a Galiza um país que vai para além do Minho, chegamos a conclusom
de que historicamente o Douro marca a fronteira. Portanto a Galiza poderia
acabar no Douro, mas quiçá nom ir mais longe e entrar em território
lusitano por ser este um país nom possuidor das características
que conformam a
nacionalidade galega, por muito que ali se fale o nosso idioma. Esse território
foi conquistado por galegos, colonizado lingüísticamente polo
galego, mas povoado originariamente por outra étnia nom galaica a que
lhe vemos diferenças, culturais, históricas, de origem, climáticas,
orográficas, mesmo religiosas em tempos, e a realidade vem demonstrar
que podem existir territórios vários com o mesmo idioma comum,
como por exemplo Croácia, Bósnia e Sérvia, ou Áustria
e Alemanha, ou Cuba e Argentina. Assim por muito que Sérvia, Bósnia
e Croácia conformassem um único Estado durante algum tempo,
o sentimento nacionalista e de diferença vive e seguem sem se considerarem
um único povo, embora por razons obvias nom compartilhemos aquilo que
os leva ao confronto, ao ódio étnico e à guerra, algo
indesejável em qualquer caso, mas ainda mais entre povos irmaos. Ora
bem, de se levar umha política unificadora, esta seria muito mais efectiva
por serem o Servio e o Croata duas variantes dum mesmo idioma.
Umha vez aqui
vemos que:
A regiom bracarense, o Portugal originário, prolongou-se por toda a
Lusitánia até o Algarve, levando parte da sua caracterologia
nacional, mas nom impondo-se totalmente a certas características tipicamente
lusitano-moçarábigas que também entrárom no Norte
bracarense português. Esta regiom, originariamente berço de Portugal,
com caracterologia galega e também com traças comuns as regions
que ficam ao Sul é zona de transiçom entre a Galiza compostelana
(ou Galiza espanhola) e a Lusitánia.
Logo:
1.- A Galiza histórica é unificável.
2.- A regiom bracarense é unificável -e está unificada
políticamente de facto- com a Lusitánia.
3.- A Galiza e a Lusitánia, a nosso ver, nom constituem a mesma unidade
nacional, nem estritamente o mesmo povo, ainda que falem a mesma língua.
Portanto, qualquer uniom política entre elas poderia nom resultar tam
natural como a unificaçom da Galiza histórica. Umha hipotética
unidade galaico-lusitana, de toda a Galiza, do Douro ao Cantábrico,
e da Lusitánia de fala galego-portuguesa deveria resultar dumha vontade
e dumha decissom livre por ambas as partes, e mesmo poderia ser positiva para
todo o ocidente peninsular galego-português, mas nom seria tam indiscutível
como a reivindicaçom da unidade pan-galaica.
4.- Corresponderia-lhe ao território bracarense decidir e escolher,
umha vez bem informado, entre a sua origem -A Galiza- ou o território
ao qual esta unido políticamente desde há séculos, tendo
em conta que possuem traços nacionais comuns com a primeira e inércia
histórica que favorece a última escolha. Haveria umha terceira
via, que seria a conformaçom dumha bi-naçom galaico-lusitana
ou portugalega que seria possível depois conscientizar nacionalmente
a lusitanos, galaicos bracarenses e galegos do norte.
Se buscarmos na história o tempo que a regiom bracarense foi galega
e o tempo que foi entidade política diferente, percebemos que desde
a pre-história e proto-história a zona ao Norte do Douro compartilhou-no
praticamente todo com a actual Galiza compostelana. Do ponto de vista legal
e político vemos que desde o século III d. C. quando Caracalla
criou a província da Gallaecia até a sua ruptura e criaçom
de Portugal no século XI vam oitocentos anos aproximadamente e desde
aquela a hoje vam novecentos. Há entom umha certa consolidaçom
histórica por um lado em favor da unidade galaica e por outro que a
caracterologia nacional galega se fai em muitos casos e em grande medida entre
os séculos XI e XV assim como a portuguesa se evidencia depois dessa
época e mais do Renascimento. Com outras palavras, depois de muitissimos
séculos de unidade, só desde o século XI, e se nos apurarmos,
desde épocas muito mais recentes estám as duas Galizas separadas.
| «Com respeito à Espanha existe umha forte diferença, mas entre a Galiza e a Lusitánia existe umha distinçom menor por termos um idioma comum.» |
Uns exemplos
de circunstáncias históricas conformadoras da personalidade
galega (do Norte) face à portuguesa é a que lhe dá ao
Nosso País a era Compostelana nos tempos de Gelmirez; os reinados de
Fernando II e Afonso IX de Galiza que levam o título de Imperadores
da Galiza, sendo este território um Estado, contra o que muitos crem,
dentro do qual se achavam outros territórios como o de astúrias,
Leom, Samora, os velhos Campus Gallaeciae ou Terra de Campos
e mesmo terras da actual Estremadura espanhola. Assim o que se deu em chamar
na história da Espanha o Reino de Leom, nom era mais do que um Estado
galego independente com todos esses territórios antes nomeados incluídos,
correspondendo-lhe à actual Galiza espanhola o protagonismo político,
cultural, lingüístico e de todo tipo 18 . O posterior imperialismo
castelhano-espanhol prefere chamar-lhe Reino de Leom por razons obvias de
nacionalismo castelhano expansionista face à perigosa conceptualizaçom
favorável à consideraçom da Galiza como reino independente
e imperial até.
Mais exemplos caracterizadores da personalidade galega (do Norte) face à
portuguesa, som as revoltas comunais dos séculos XII, XIII, XIV, o
cisma compostelano no século XIII, e sobretodo as revoluçons
irmandinhas e as últimas tentativas de certa nobreza galega de safar
da dependência de Castela embora tenha acontecido nom por nengumha razom
patriótica mas por egoismos nobiliários 19 . Há que contrapor
a todo isto as tentativas portuguesas de recuperar a Galiza Norte durante
toda a Idade Média, mesmo até o facto de o primeiro rei Fernando
de Portugal ter chegado à Crunha e ter-se nomeado rei legítimo
da Galiza Norte com o apoio de nom poucos galegos.
Também, toda a Idade Média e Moderna som também conformadoras
da personalidade portuguesa na que é protagonista a dinastia de Borgonha
primeiro, a de Avis, mais tarde, a aventura ultramarina, o império
colonial, a guerra da independência contra a Espanha que lhe serviu
à esta para consolidar a Galiza dentro do seu Estado e reafirmar a
Portugal na sua vontade de esquecer à Galiza e vê-la como espanhola.
E aqui chegamos à conclusom de que a história é um elemento
essencial a ter em conta como conformador de comunidades nacionais ou destrutor
das mesmas.
Que nada é irreversível? Certamente. Os judeus, por exemplo
Fôrom capazes depois de quase 2000 anos de re-apropriarem-se da Palestina,
mas a historia também dá certa razom aos palestinos. E nom pouca,
por certo.
A Galiza pode incluir a regiom bracarense como também pode esta última
estar unida com todo o direito a Lusitánia, mas um galego celta ou
celtizado, romanizado, germanizado e cristianizado, nada tem a ver com um
lusitano da Estremadura ou um algarvio, muito mais romanizado, islamizado
ou moçarabizado e recristianizado por muito que fale o idioma dos galegos,
como nada tem a ver um castelhano-espanhol de Burgos com um índio mexicano
por muito que falem ambos os dous o espanhol. Cremos que o único que
poderia unir à Galiza com a Lusitánia é a língua,
mas como diz Oliveira Martins:
...e nem sempre a língua denuncia a estirpe.
Com respeito à Espanha existe umha forte diferença, mas entre
a Galiza e a Lusitánia existe umha distinçom menor por termos
um idioma comum, mas essa variável lingüística nom é
concluinte para considerarmos a Galiza e Portugal umha naçom única,
embora sim reconheçamos que todo o território do ocidente peninsular
abrange um projecto nacional comum, da mesma forma do que Austrália
pertence ao projecto nacional inglês, ou Quebeque ao projecto nacional
francês... De sermos um Estado unitário único sob governo
de Lisboa, quer dizer, de incorporarmo-nos ao território português
actual a desvantagem galego-compostelana seria grande, a assimilaçom
seria muito mais fácil e é difícil pensar que numha uniom
política entre ambos os territórios nom se impugesse o carácter
mediterráneo de quem possuiu um Estado independente durante séculos
face o carácter originariamente centro-europeu de quem nom o possui,
e assim por muito galego que falássemos veríamos o nosso centro
de gravidade deslocado para Sul, deixando entrada ao elemento lusitano o qual
já está presente na Galiza bracarense.
Podemos dar muitos mais exemplos de países com comunidade lingüística
mas nom naçom única, como podem ser os EEUU e a Inglaterra,
pois o carácter americano e a sua idiossincrasia casam mui mal com
a flegma inglesa. Existe umha diferença nacional que é a que
marca a distáncia, e há só três séculos
a Nova- Inglaterra era parte do Reino Unido assim como os seus habitantes
anglo-saxons descendentes de gentes da Gram-Bretanha. Se se me quer argumentar
que son dous Estados independentes e que nom há comparaçom possível
com o caso galego-português podemos pôr o exemplo de Turquia,
Uzbequistám, Tadjiquistám, Cazaquistám, Quirguistám,
Azerbaijám, Turcomenistám... que conformam um continuum
lingüístico mas som nacionalidades diferentes com consciências
nacionaistambém diferentes.
Bósnia, Croácia e Sérvia, três nacionalidades com
um só idioma que nom podem ser consideradas naçom única,
por muita Jugoslávia que as unisse artificialmente neste século
XX. Sérvia de tradiçom greco- bizantina mas de etnia eslava;
Bósnia, também eslava e que originariamente conformava a etnia
comum aos outros povos sul-eslavos, mas naçom, devido à imprompta
turco-mussulmana, a única nacionalidade islámica junco com a
Albania que existe na Europa, sem contar as minorias turcas dos Balcáns
ou a Turquia europeia; e por fim Croácia, ocidental, asutro-hungara
e católica nascida em época alto-medieval como fronteira oriental
do império romano de ocidente, mas logo ocupada pola mesma etnia sul-eslava
que originou aos servios e aos bosnio-mussulmanos.
Originariamente os sul-eslavos fôrom umha única naçom,
mas os impérios Austro-Hungaro, Bizantino e Turco aplicado nos diferentes
territórios conformou as três nacionalidades inconfundíveis
e incompatíveis em muitos casos, mas há que acrescentar que
embora a história tenha conformado três povos com umha língua
comum, nom é o exemplo no que a Galiza se deva ver por razons negativas
que os tem levado ao ódio e à guerra.
Porém a história é umha variável a ter em conta,
que criou em nós, galegos, polo que fôr -por circunstáncias
políticas positivas ou negativas- um sentimento de diferença
a respeito da naçom dominante e também a respeito de Portugal
-ainda sendo diferenças diferentes, (e desculpando o jogo de palavras)-
com a qual nos separa entre outras cousas as diferenças em relaçom
ao projecto nacional, pois sendo Portugal originariamente a Galiza livre,
hoje nom contamos nada para ela mesmo estando tam perto fisicamente, por contraposiçom
a, por exemplo, o Timor. O poder nacionalitário português, a
respeito do mundo lusófono, incluída a Galiza, é débil,
pouco competitivo e infelizmente muito descuidado com umha cultura que facilmente
poderia ser líder no mundo se o compararmos com o mundo francófono,
joga a perder a respeito da Espanha, e dá-se por vencida a respeito
da Galiza, esquecida e deixada da mao de Deus dentro do imperialismo espanhol.
Outros países com menor peso histórico na Europa som mais firmes
na recomposiçom do seu território e da sua língua, por
exemplo a Irlanda com o Ulster, Albánia com Kosova, Hungria com a Transilvánia,
Austria com a minoria germanófona na Itália, Roménia
a respeito da Moldávia, Arménia a respeito de Nagorno-Karabaj,
etc... por isso o nacionalismo que deve surgir do coraçom e da inteligência
dos galegos deve excluir o sermos espanhóis e o sermos lusitanos, já
que quem nom defende a distinçom da Galiza e a sua idiossincrasia nom
pode ser chamado nacionalista galego. O nacionalismo galego deve voltar a
olhada para Portugal, mas nom deve esperar a sua generosidade, porque tal
como está constituido o Estado português, a Galiza nom conta
para nada para Lisboa que em nada tem em conta a História.
Do ponto de vista lingüístico nom houvo nunca na Galiza mente
preclara nacionalista que negasse a substancial unidade lingüística
da Galiza e de Portugal, pois ambas as naçons se exprimem numha única
língua histórica, mal chamada português, mas
também nom houvo na história nengumha mente brilhante que favorecesse
a assimilaçom da variante Norte pola variante do Sul, em todo caso
o que si tem havido é a tentativa de unificaçom ortográfica
e morfológica.
As variedadess internas actuais entre o galego da Galiza e o galego de Portugal
devem-se a circunstáncias históricas que lhe dam personalidade
original a cada umha das diferentes falas. Se o Algarve foi colonizado aos
moçárabes e neste território falam o galego com umha
peculiaridade autóctone, e se o galego do Brasil evoluiu de forma própria
até dar umha formosa variante actual americana original a respeito
de galego da Lusitánia, os galegos temos o direito e o dever de protegermos
a nossa riqueza arcaica e singular incluso na escrita, sempre sem deixarmos
de lado a nossa pertença ao mundo lingüístico comum.
O facto de determinarmos o que é galego da Galiza, o que é castrapo
e o que é outro galego que nom é o da Galiza, é nom só
umha arte, mas também atinge ao campo da ciência. É arte
porque implica beleza, harmonia, equilíbrio e savoir faire
-fica excluído portanto o desequilíbrio, o radicalismo, o extremismo
e o integrismo lingüístico que desnaturaliza a realidade- e compete
à ciência porque implica conhecimento, sabiduria, inteligência,
intuiçom, lógica e descernimento -fica fora, logo, qualquer
pressuposto longe do racionalismo-; isto é como buscar no dial a emissora
que queremos ouvir e sintonizar exactamente a freqüência que desejamos
sem afastarmo-nos umha micra do lugar que queremos.
Por todo
isto manifestamos a nossa vontade de falarmos e escrevermos galego correcto,
mas falá-lo e escrevê-lo tal qual as características próprias
da Galiza, nom o galego do Algarve, nem o galego de Minas Gerais; e assim
se no Brasil escrevem, tranqüilo pronunciando com u
e grafando com trema, e em Portugal escrevem tranquilo e pronunciam
à portuguesa, nós queremos escrever naçom
e pronunciar à galega, por muito que em Portugal e no Brasil escrevam
nação e pronunciem segundo a forma galega, lusitana
ou as diferentes pronuncias sul-americanas. Também manifestamos o nosso
desejo de no futuro confluirmos numha única norma comum galego-luso-brasileira,
sem perdermos nunca as nossas variantes léxicas, de morfologia e sintaxe,
ou de pronúncia, polo que a forma nação seria
tam válida como naçom e uma o mesmo
que umha o qual nom impossibilitaria a unidade cara os organismo
internacionais como a Uniom Europeia.
A norma
da Associaçom Galega da Língua sendo galego, é
também português. e o facto de que existam formas como as acima
citadas nom maleficia a nossa língua comum nem diferencia do português,
mais bem fai dele um idioma mais rico e a vez mantém umhas características
próprias dentro do mesmo diassistema comum, igual que variedades existem
em todos os idiomas cultos do mundo, como por exemplo o Catalám, cujos
dialectos convivem harmonicamente sem afectarem à unidade da língua
padrom. Assim a existência de formas diferentes para os artigos determinados
nas Baleares (Sa envez de La) nom é motivo de discrepáncias
relaticas ao seu uso ou nom porque bem sabem que aí nom está
nengum problema.
No espanhol
da Argentina a conjugaçom dos verbos difere bastante da espanhola da
península (Vós tenés, face Tu tienes; Pasala face Pásala),
certos pronomes pessoais som diferentes, a pronúncia o léxico,
etc., e que nós conheçamos nom existem hispanistas radicais
que propugnem tal grau de uniformidade na língua espanhola ou castelhana
que proponham ali o uso da língua tal qual se usa na península
Ibérica com formas como Tú, Tienes,
Coche, Coger, Habas Fresas,
Vosotros envez de Vos, Tenés, Carro,
Agarrar, Porotos, Frutillas, Ustedes,
etc.
No inglês,
as diferenças dialectais entre as diferentes falas británicas
e americanas som numerosas: morfológicas, fonéticas, léxicas...
e acontece o mesmo fenómeno entre ambas as variantes do que se passa
entre o galego da Galiza e o galego de Portugal.
Do ponto
de vista do léxico temos por exemplo:
| Inglês Británico | Inglês Americano | Galego |
| Lift | Elevator | Elevador |
| Ribber | Eraser | Borracha |
| Chemist | Drugstore | Farmácia |
| Motorway | Expressway/Highway | Autoestrada |
| Strikebreaker | Fink | Quebra-greves |
| Tap | Faucet | Torneiro/BilhaTorneiro/Bilha |
Do ponto de vista
fonético as diferenças entre o inglês de ambas as margens
do Oceano Atlántico som tam consideráveis e tam conhecidas por
todos que nom vou entrarnelas.
Do ponto
de vista morfológico em inglês acontece algo semelhante ao que
acontece com as diferentes falas galegas de aquém e de além
Minho pois umha mesma palavra pode ser escrita de diferentes formas, como
por exemplo:
| Inglês Británico | Inglês Americano | Galego |
| Colour | Color | Cor |
| Programme | Program | Programa |
| Epilogue | Epilog | Epilogo |
| Theatre | Theater | Teatro |
| Metre | Meter | Metro |
| Extol | Extoll | Louvar |
| Favourite | Favorite | Favorito |
Todo
isto tenta demonstrar que o galego e o chamado português compartilham
paralelismo deste tipo, igual que outros idiomas cultos do mundo. Também
do ponto de vista léxico, como por exemplo:
| Galego | Português |
| Aginha | Depressa |
| Nado | Nascido |
| Lóstrego | Relâmpago |
| Báguas | Lágrimas |
Do ponto de vista
fonético (nasais velares intervocálicas, sibilantes interdentais,
etc. em galego da Galiza; Sibilantes sonoras em galego de Portugal).
Do ponto
de vista morfológico:
| Galego | Português |
| çom/çons | ção/ções |
| Te/Che | Te |
| Umha | Uma |
Do ponto de
vista ortográfico:
| Galego | Português |
| Çapato | Sapato |
| Afám | Afã |
| Ecrám | Ecrã |
| Ignoráncia | Ignorância |
A favor de todas
estas variaçons nos manifestamos tanto mais quanto que às vezes
a norma galega chega ser mais harmónica com o étimo, como por
exemplo:
| Galego | Português |
| Gambosinos | Gambozinos |
| Fusil | Fuzil |
Ou mais acorde
com a evoluiçom própria do Galego-Português, formas estas
que nom violentam a fonética galega à vez que som mais coerentes
com as suas origens, como por exemplo:
| Galego | Português |
| Palhasso | Palhaço |
Também
formas que no nosso território som ainda mais autoctones do que as
formas mais castelhanizadas em Portugal, como por exemplo:
| Galego | Português |
| Pena | Penha |
| Repolo | Repolho |
| Canada | Canhada |
| Cavaleiro | Cavalheiro |
Aqui na Galiza
existem lusistas que nom admitem o que é normal em qualquer língua:
a variante interna que possui toda língua histórica. Julgamos
portanto que a norma galega além de nom violentar a unidade lingüística
galego-portuguesa, mantém umha variedade dentro da unidade, nom ofensiva
para a língua que ajuda a reafirmar os nossos sinais de identidade
colectiva e ainda serve como arma reintegradora sabendo a situaçom
dealienaçom e de colonizaçom psicológica em que se acha
o povo do que somos filhos.
Além de todo isto, os grandes vultos, tanto galegos como portugueses
defensores da reintegraçom, eram também defensores da originalidade
do galego dentro do diassistema ibero-románico ocidental, tais eram
Carvalho Calero ou Rodrigues Lapa que conhecedores da história da nossa
língua escrevérom inúmeros trabalhos nos quais proclamavam
a origem do nosso idioma nos territórios da velha Gallaecia, nunca
da Lusitánia, polo que chegados aqui manifestmos a nossa crença
baseada em dados históricos científicamente demonstrados de
que o nome de Lusófonos aplicado a todos aqueles que falamos galego,
quer da Galiza, de Portugal, do Brasil ou da África, poderia nom ser
de todo exacto. Se algo é inexacto, o dever de todo aquel que tenha
aprezo pola verdade é o de corrigi-lo, reformá-lo ou regenerá-lo,
por isso cremos que todo galego que tenha orgulho de sê-lo como também
de qualquer português, brasileiro, angolano ou timorano que for exacto,
que nomee os utentes da nossa língua Galaicofonos ou Galaicoparlantes,
ou se me lançam a razom de que fôrom os portugueses os que espalhárom
com honra o nosso idioma polo mundo aceitaríamos a forma Galaico-lusofonos
ou Galaico-lusoparlantes do mesmo jeito que é justo o nome de galego-português
e nom o incompleto de português embora seja a denominaçom
com que se conhece a fala da Galiza polo mundo adiante. Se somos justos isto
deveria ser aceite por todos por fazer honra à verdade aliada do amor
à nossa língua comum.
A MODO DE CONCLUSOM
Toda naçom, toda célula de universalidade, deve auto-governar-se
a si própria por muita semelhança étnica ou lingüística
que tenha com os vizinhos, pois sempre se verá como diferente, e enquanto
viva essa diferença impulsará-a a ver-se autónoma e aencontrar-se
distinta dos outros. Porém, se essa célula de universalidade
morre, a culpa será dos que nom soubérom ou nom quigérom
dar-lhe vida.
É completamente certo que o nacionalismo galego nom pode fundamentar-se
na ignoráncia e no esquecimento de todo quanto fôr galego, mas
por galego entendemos muitas cousas além do idioma, pois se por isso
só entendéssemos a língua, logo até os angolanos
e os chineses de Macau seriam os nossos compatriotas, e isso nom é
assim. A autêntica forma de regenerar-nos politicamente passa-se necessariamente
por recuperar a Galiza Oriental e deixar claro que a regiom bracarense ou
Galiza Sul deveria fazer parte dumha Galiza unificada ou nom, mas nunca o
plantejarmo-nos o de sermos absorvidos polo Estado Português.
| «Assim, a nossa proposta seria a dum ente político Bi-nacional galaico-lusitano que poderíamos chamar Portugaliza conformado pola Galiza e pola Lusitánia ocidental, ambas com direito de autodeterminaçom numha unidade confederada...» |
Castelao, que
era um nacionalista galego, nom espanhol, nem lusitano, queria a unidade com
Portugal, mas dizer isto fora de contexto é manipular como manipula
o imperialismo espanhol. Daniel queria a uniom supra-nacional da Ibéria,
o qual incluiria Portugal, mas também Catalunha, Euzkal-Herria e Castela.
Hoje, quase no século XXI isso está totalmente obsoleto e superado
e a ideia que vive no ambiente é a da unidade europeia, a autêntica
unidade europeia, a dos povos e das naçons, nom a dos Estados. Hoje
queremos a uniom com Portugal, mas também queremos a uniom com a Lapónia,
Lituánia, Croácia, Bretanha, Alemanha, Ucránia, Escócia,
e todas as nacionalidades e povos da velha Europa desde o Algarve até
os Urais, desde Islándia até Grecia e desde o País dos
Samoiedos até Sicilia. É o único caminho, o da singularidade
dentro da unidade que nos pode levar à umha nova era de irmandade,
liberdade, igualdade e fraternidade de todos os humanos.
A história da Galiza nom é a da Lusitánia, nem é
a de Castela; e que Portugal exista independente explica-se da mesma forma
que se explica a existência duns Estados Unidos independentes da Inglaterra.
Assim para a Galiza a existência de Portugal é positiva sempre
do ponto de vista lingüístico como defendérom Rodrigues
Lapa, Guerra da Cal e Carvalho Calero, pois fai que o nosso idioma tenha umha
presença real em organismos internacionais e concretamente europeus,
vantagem com a que nom contam os cataláns, bascos, ocitanos, bretons
e outrasnaçons sem Estado da Europa. Contodo em assuntos da língua
nom devem intervir problemas alheios à mesma, ainda que de facto nom
é assim, como por exemplo interesses políticos, por isso que
o as falas galegas e as portuguesas sejam umha mesma língua é
um facto cientificamente demonstrável, mas que em questons de história
som os assuntos políticos os que prevalecem. Vemos portanto que a política
é a que fai a história e esta é a que cria ou destrói
naçons.
De todos os jeitos as relaçons políticas ideais entre os dous
territórios nacionais do ocidente peninsular seriam assumto para um
livro, ou melhor, para umha colecçom de livros sobre teoria de conformaçom
nacionalitária. Do nosso ponto de vista reconhecemos no Norte umha
Naçom chamada Galiza, herdeira da velha Gallaecia histórica
criada polo Império Romano sobre base céltica ou celtizada que
ocuparia do rio Douro para Norte até o mar Cantábrico. No Sul
reconhecemos outro território que chamaremos Lusitánia, embora
só corresponda à Lusitánia ocidental romana, já
que a oriental pertence ao actual Estado Espanhol fazendo parte das actuais
regions de Castela-Leom, Castela a Mancha e Estremadura, onde ficaria a capital
histórica romana: Mérida. Esta Lusitánia foi zona de
expansom galaica durante a Idade Média até o ponto que a sua
língua é a originária da Galiza, portanto, zona na que
os interesses nacionais galegos som claros mas com caracterologia autoctone
salientada pola sua maior romanizaçom, islamizaçom e moçarabizaçom,
em soma, por umha idiossincrasia mais mediterránea. Assim, a nossa
proposta seria a dum ente político Bi-nacional galaico-lusitano que
poderíamos chamar Portugaliza conformado pola Galiza e pola Lusitánia
ocidental, ambas com direito de autodeterminaçom numha unidade confederada
ao estilo suíço ou seguindo o modelo belga onde cada território
desenvolveria livremente a sua personalidade com total independência
interna sob umha unidade superior portugalega integrada numha Europa unida
da qual faria parte de facto e de direito. DEUS FRATRESQUE GALLAECIAE
Nota sobre o/a autor/a:
José
Manuel Barbosa, é professor e membro do Conselho Nacional da AGAL.
Fonte:
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