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Daniel R. Castelão
«O galego é um idioma extenso e útil, porque -com pequenas
variantes- fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º,
pág. 41-42)
«...a nossa língua está viva e floresce em Portugal,
falam-na e cultivam-na mais de sessenta milhões de seres que, hoje por
hoje, ainda vivem fora do imperialismo espanhol.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. XXIV, livro 2º,
pág. 241)
«Nengum galego culto deve consentir que a fala do seu
povo -umha fala de príncipes, que ainda é senhora em Portugal e Brasil-
seja escrava no pátrio lar, sem direito a ir à escola nem a apresentar-se
como igual do castelhano.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. VIII, livro 3º,
pág. 285)
«Galiza é um povo encolhido, tímido, humilde? Nom, por
certo, pois fala o seu idioma ainda que sempre lhe dixérom que o castelhano
era melhor. Encolhidos, tímidos, humildes, som os galegos que falam em
castelhano e que literariamente endejamais recorrem ao galego.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. VIII, livro 3º,
pág. 285)
«O mesmo Padre Feijó demonstrou que a língua galega nom
é distinta da portuguesa, por serem pouquíssimas as vozes em que discrepam...»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. VIII, livro 3º,
pág. 288)
«Galiza é umha naçom perfeitamente diferenciada»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. XIV, livro 2º,
pág. 201)
«Cumpre que os bons galegos meditem a prol da sua generosidade
quando se sintam atraídos polas ideias de fusom espanhola, porque só nos
utilizam.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. II, livro 2º,
pág. 145)
«Estamos fartos de ser umha colónia»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. XX, livro 1º,
pág. 92)
«Ideologicamente estou disposto a considerar o separatismo
com todas as suas consequências, porque som nacionalista.»
(Carta a José Aguirre, junho de 1944)
«O problema básico de Espanha só se pode resolver de
dous modos: ou com a federaçom ou com a secessom.»
(Carta a José Aguirre, 1943)
«É perigoso que os espanhóis nos neguem o seu respeito
e nos empurrem a extremos que a ninguém convém, pois Galiza, empurrada
pola desesperaçom, pode, mesmo, criar um "perigo português" para Espanha.»
(Carta a José Aguirre, junho de 1944)
«Luita clara e aberta pola nossa independência nacional,
em caso de que ficassem esgotadas todas as possibilidades dumha concórdia
espanhola a base dos princípios federais ou confederais.»
(Carta a José Aguirre, junho de 1944)
«Nengum idioma alheio -por ilustre que seja- poderá expressar
em nome do nosso os íntimos sentimentos, as fundas dores e as perduráveis
esperanças do povo galego; se ainda somos diferentes e capazes de existir,
nom é mais que por obra e graça do idioma. Velaí porque o autor dum livro
sempre será um patriota e porque os que refugam a nossa fala nom som dignos
de chamar-se galegos, porque desprezam o cerne da democracia e cegam as
melhores fontes de criaçom.
Como chamaríamos a um home que consentisse o derrubamento
do Pórtico da Glória? Pois é certamente mais bárbaro quem deixa morrer
um idioma: obra de arte insuperável, feita com amor, com dor e ledícia
polos nossos antigos, que recebemos em herdo e que temos a obriga de enriquecer
com o espírito do nosso tempo.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. , livro º, pág.
)
«Nom esqueçamos que se ainda somos galegos é por obra
e graça do idioma.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º,
pág. 42)
«O problema do idioma em Galiza é, pois, um problema
de dignidade e de liberdade; pero mais que nada é um problema de cultura.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º,
pág. 43)
«Pedimos garantias legais para o desenvolvimento natural
do nosso espírito, porque queremos voltar a apresentar-nos dignamente
no mundo, levando nas mãos o ouro da nossa cultura (sabedoria manifestada)
para ofrendar-lho ao acervo espiritual da Humanidade.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º,
pág. 43-44)
«Porque despois de mais de quatro séculos de política
assimilista, exercida com toda riqueza de astúcias e violências, o nosso
idioma está vivo. Sodes, pois, uns imperialistas fracassados.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º,
pág. 42)
«Proibistes o galego nas escolas para produzir no espírito
dos nossos rapazes um complexo de inferioridade, fazendo-lhes crer que
falar galego era falar mal e que falar castelhano era falar bem. Expulsastes
o galego das igrejas, fazendo que os representantes de Cristo explicassem
o Evangelho no idioma oficial, que o povo nom falava nem compreendia bem.
Refugastes o galego ante os Tribunais de justiça e chegastes a castelhanizar
barbaramente as toponímias galegas. E de que vos valeu? Porque despois
de mais de quatro séculos de política assimilista, exercida com toda riqueza
de astúcias e violências, o nosso idioma está vivo. Sodes, pois, uns imperialistas
fracassados.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. IV, livro 1º,
pág. 42)
«Concebe-se que um home em Galiza poda ser "alguém" quando
nom sabe ou nom quer falar a língua do povo?»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. VIII, livro 3º,
pág. 286)
«As palavras castelhanas, em boca de galegos, som quase
sempre palavras envilecidas, incapazes de ressoarem na consciência dos
autênticos galegos; pero tamém hai consciências envilecidas por complexos
de inferioridade, só capazes de admiraçom ante poses decorativas
e linguagens de teatro. E já é hora de dizer que Galiza será forte em
Espanha quando se negue a falar castelhano e fale fortemente a sua língua.
Um galego pode falar o castelhano com o mesmo interesse com que fala qualquer
outra língua estrangeira; pero em quanto um galego fale o castelhano como
língua própria deixa de ser galego sem que por isso chegue a ser castelhano.»
(Sempre em Galiza, Akal Editor, cap. VIII, livro 3º,
pág. 286)
«Como lhe queremos à Terra! Eu de mim sei dizer-vos que
se despois de morto tivesse de voar mais alá das estrelas visíveis, para
ir a um céu tam longínquo da Terra, que nunca mais pudesse vê-la, de boa
gana renunciaria à imortalidade para rematar a minha vida debaixo de umha
laje e converter-me em ervas ventureiras.»
(Sempre em Galiza, cap. V, livro 1º, pág. 46)
«Desejo, ademais, que o galego se acerque e confunda
co português»
(Carta a C. Sánchez Albornoz, Grial, núm. 47, 1975)
«As palavras, como os páxaros, voam sobre as fronteiras
políticas»
(In Da Fala e da Escrita, Galiza Editora, 1983, pág.
79)
Joám Vicente Biqueira
«É antes de todo preciso que todos os galegos falem e
escrevam o galego»
«A linguagem galaica tem de converter-se num esquisito
e refinado admirável meio de cultura, instrumento espiritual.»
«A língua é um anaco da nossa alma colectiva, do que
nengumha lei humana poderá obrigar a desprender-nos.»
«Galegos, amade a vossa língua, porque ela é um rico
tesouro oculto! Amade-a, falade-a, cultivade-a; desenterrade o tesouro
que guarda o gigante alárvio da tirania.»
Ensaios, Exaltações (Prosas Líricas), 3. A Nossa Língua,
I, pág. 38, El Correo Gallego, Bibl. 114
«Alma nossa és tu, língua que foche criada na nossa história,
modo divino de expressom saído das entranhas do povo galego.»
Da Galiza de Manhá, Prosas Galegas, III, pág. 14,
Galáxia, 1974
«Vós donas, falade de aquel jeito no que, como nengumhas,
fostes louvadas! Onde em Ibéria pugérom os poetas nos vossos beiços mais
belos cantos de amores? ... Donas galegas, falade galego!»
Da Galiza de Manhá, Prosas Galegas, III, pág. 14,
Galáxia, 1974
«Língua real, nom falsária és tu, a dos que amamos o
heroísmo calado de todos os dias.»
Da Galiza de Manhá, Prosas Galegas, V, pág. 15, Galáxia,
1974
«Galegos, amade, cultivade o rico tesouro da nossa língua.
Só falando-a seredes livres, já que o home sem raça é umha abstracçom!»
Da Galiza de Manhá, Prosas Galegas, VI, pág. 15, Galáxia,
1974
«É antes de todo preciso que todos os galegos falem e
escrevam o galego como saibam e como podam. Mas isto nom avonda; é preciso
despois que o falem e o escrevam à perfeiçom.»
«Exigimos que o galego, que tem umha extraordinária importáncia
para Espanha inteira, tope o seu devido lugar no ensino e nom seja absurdamente
relegado.»
«Para adaptar a nossa literatura aos leitores portugueses
temos que admitir a sua ortografia, quer dizer, a hoje válida em Portugal,
somente com aquelas modificações (bem pequenas por certo!) que exigem
as diferenças da língua. Este caminho já foi seguido polos flamigantes
na Bélgica, que houvérom de tomar a ortografia holandesa, o que lhes aumentou
de maneira considerável os leitores. Fagamo-lo, pois!»
(Ensaios e poemas, pág. 183)
«... o melhor meio de trabalhar pola obra que proponho
é escrevendo com a nossa ortografia galega que foi a velha da
nossa idade de ouro.»
(Ensaios e Poesias, 1930)
Fernando Pessoa
«A minha pátria é a minha língua»
Manuel Murguia
«Povo que esquece a sua língua é um povo morto.»
«O primeiro a nossa língua, a língua que falou este povo,
e a que falam e entendem galegos, portugueses, brasileiros, africanos
e asiáticos.»
«Nom pode perecer um idioma que tem umha literatura gloriosa,
e nomes que som orgulho da inteligência humana.»
«O galego é o que nos dá direito à inteira posse da terra
em que fomos nados, que nos di que pois somos um povo distinto devemos
sê-lo.»
«Comecemos polo estudo do idioma que falamos hai mais
de dez séculos. Povo que esquece a sua língua é um povo morto. O primeiro
a nossa língua, a língua que falou este povo, e a que falam e entendem
cerca de três milhões de galegos, dezoito milhões de habitantes de Portugal
e dos seus domínios, doze do Brasil. Nom pode perecer um idioma que tem
umha literatura gloriosa, e nomes que som orgulho da inteligência humana.
Por isso, e para recolher em Galiza o seu verdadeiro léxico, dar a conhecer
a sua gramática e afirmar a sua existência, fundou-se esta Academia»
(palavras na apresentaçom pública da RAG, 30/09/06)
«...o nobre idioma que do outro lado desse rio (o Minho)
é língua oficial que serve a mais de vinte milhões de homes e tem umha
literatura representada polos nomes gloriosos de Camões e Vieira, de Garret
e de Herculano...»
«...nunca, nunca, nunca, pagaremos aos nossos irmãos
de Portugal o que nos hajam conservado este e outros recordos, e sobre
todo, que hajam feito do nosso galego um idioma nacional.»
«...as tradições que levavam a dom Fernando de Trava
a combater pola liberdade de Portugal, a dom Paio Correa, bem perto de
aqui nado, a conquistar os Algarves, a Joám de Andeiro, e ao Conde de
Caminha e aos nobres de Galiza que ao deixar a terra iam-se a Portugal...»
Vicente Risco
«A bandeira é o idioma.
O idioma é o Verbo da Cultura própria, o Verbo criador.
Somente com este verbo se fam os povos. Todos os exemplos
a umha no-lo provam irrefutavelmente.
O idioma galego é o fundamental. A fala galega é Galiza.
Pola nossa língua hai que trabalhar de cote, com esforço,
com paciência, com intransigência, com raiva, com agressividade.
E pense-se bem, que este nom é somente um assunto de
oficialismo...»
«Os que sendo galegos nom empregam entre eles e nos seus
escritos a língua galega, som galegos desleigados que se envergonham da
sua Terra e dos seus pais. E a sua Terra deve arrenegar deles. Neste assunto,
o nosso patriotismo é exclusivista e intransigente. Podemos transigir
em todo: no que toca à fala e à cultura o nosso critério é ainda o do
gram Cabanilhas:
Juremos! Direito ou torto,
sem mais alcunho ne-achego
doente ou sam, vivo ou morto,
galego,... soio galego!
«A troca de língua determina, na maior parte dos casos,
a degeneraçom espiritual de um povo.»
Prosa Vária, A Nacionalidade Galega, A Fala Galega,
pág. 28, El Correo Gallego, Bibl. 114
«Poucos galegos se tenhem precatado do que Portugal é
para nós. Portugal é a Galiza livre e criadora, que levou polo mundo adiante
a nossa fala e o nosso espírito, e inçou de nomes galegos o mapa do Mundo.
Bento Vicetto -que é o Wells da história de Galiza, como
Wells é o Vicetto da história universal- atina algumhas vezes nas suas
fantasias. El insiste de cote na ideia das duas Galizas: A Galiza Lucense
e a Galiza Bracarense. Embora se nom podam sinalar os lindeiros de umha
e da outra, o certo é que tal dualidade, nom somente existiu, senom que
foi decisiva -e por certo para mal- na nossa história. Com efeito, mentres
a Galiza Lucense se entregou inerme e esquecida, os bracarenses soubérom
alargar Galiza até o Algarve, sustê-la independente, e criar novas Galizas
na América, na África, na Índia, na China e na Malásia»
«Louvado seja Deus por ter-me dado o dom da fala nossa,
por ter-me ensinado a dizer "rula", e "avidoeira" e "dorna" e "fonte",
e entom eu, sabendo estas palavras, era verdadeiramente dono da rula e
da fonte.
As minhas invenções e as minhas graças têm, porém, um
sentido mais fundo: por riba e por baixo do que eu fago, eu quigem e quero
que a fala galega durasse e continuasse, porque a duraçom da fala é a
única possibilidade de que nós duremos como povo. Eu quigem que Galiza
continuasse, e ao lado da pátria terrenal, da pátria que som a terra e
os mortos, haja esta outra pátria que é a fala nossa. Se de mim algum
dia se quiger fazer um elogio, e eu estiver dando erva na terra nossa,
poderia dizer a minha lápida: "Aqui jaz alguém que com a sua obra fizo
que Galiza durasse mil primaveras mais."»
Eduardo Pondal
FALADE GALEGO
Meninhas da C'runha,
de amável despejo,
de falas graciosas
e passos ligeiros,
deixai de Castela
os duros acentos:
falade, meninhas,
falade galego.
Quando é que vos ouço,
a pátria esquecendo,
falar essas duras
palavras de ferro,
nom sei o que sufro,
nom sei o que peno:
falade, meninhas,
falade galego.
Mas quando falades
nos pátrios acentos,
envoltos no vosso
angélico alento,
parece que escuito
um canto do céu:
falade, meninhas,
falade galego.
(Queixumes dos Pinos, pág. 138-139)
A FALA
Nobre e harmoniosa
fala de Breogám,
fala boa, de fortes
e grandes sem rival;
tu do celta aos ouvidos
sempre soando estás
como soam os pinos
na costa de Frojám;
tu nos eidos da Céltia
e co tempo serás
um lábaro sagrado
que ao triunfo guiará,
fala nobre, harmoniosa,
fala de Breogám!
Tu, sinal misterioso
dos teus filhos serás
que p'lo mundo dispersos
e sem abrigo vam;
e a aqueles que foram
numha passada idá
defensores dos eidos
contra o duro romám
e que ainda cobiçam
da terra a liberdá,
num povo nobre e forte,
valente, ajuntarás,
oh, fala harmoniosa,
fala de Breogám!
Serás épica tuba
e forte sem rival,
que chamarás os filhos
que alô do Minho estám,
os bons filhos do Luso,
apartados irmãos
de nós por um destino
invejoso e fatal.
Cos robustos acentos,
grandes, os chamarás,
verbo do gram Camões,
fala de Breogám!
(Queixumes dos pinos, pág. 126-127)
A língua tiveram
por língua de escravos;
esqueceram os pátrios acentos,
soidosos e brandos.
Dos próprios acentos
tiveram vergonha;
de cativos falaram palavras,
de servos e ilotas.
Deixaram os doces
acentos jocundos,
por estranhas palavras de servos,
ignaros e obscuros.
A mai afligida
da obscura miséria,
aos próprios tomara
por gente estrangeira,
e espantada escuitara dos filhos
a prática serva.
(Queixumes dos Pinos, pág. 103-104)
DA RAÇA
(...)
Iberos cativos
nom perdais o tempo
pra impor-nos a fala
aos nobres galegos,
os vossos costumes,
os vossos acentos,
os vossos costumes
e acentos de ferro.
Com Deus vos quedade
alárvios do demo.
Nós somos do porto,
nós somos dos suevos,
nós somos dos celtas,
nós somos galegos.
(Queixumes dos Pinos, pág. 247)
OS PINOS
Que dim os rumorosos
que aos celtas, forte gente,
semelham, na pendente
onde bruando estám?
O que dim escutemos
nas suas rudes linguages,
essas harpas selvages,
dos eidos de Breogám.
Os bons filhos do Luso
nos vossos sons, oh pinos!, (ou divinos)
lem os outos destinos
com ardoroso afám;
lem nos rudes acentos
do vate lusitano,
no verbo soberano
dos filhos de Breogám.
Juntos, Céus!, sustede
aos Celtas que a milhares,
por terras e por mares
peregrinando vam;
fazede que se cumpram
nos fortes peregrinos,
os futuros destinos
da raça de Breogám.
(Queixumes dos Pinos, pág. 258)
Celso Emílio Ferreiro
O PROFETA
Pouco antes de morrer
dixo-lhe ao povo:
Deus che dea ira
que paciência tens de avondo.
Ramom Cabanilhas
«A língua é o nosso escudo.»
Juremos! «Direito ou torto,
sem mais alcunho ne-achego
doente ou sam, vivo ou morto,
galego,... soio galego!
Manuel Maria
CANÇOM PARA CANTAR TODOS OS DIAS
Hai que defender o idioma como seja:
com raiva, com furor, a metralhaços.
Hai que defender a fala em luita reja
com tanques, aviões e punhetaços.
Hai que ser duros, pelejões, intransigentes
cos que tenhem vocaçom de senhoritos,
cos porcos desertores repelentes,
cos cabras, cos castrões e cos cabritos.
Temos que pelejar cos renegados,
cos que intentam borrar a nossa fala.
Temos que luitar cos desleigados
que desejam matá-la e enterrá-la.
Seríamos, sem fala, uns ninguém,
umhas quantas galinhas desplumadas.
Os nossos inimigos sabem bem
que as palavras vencem às espadas.
O idioma somos nós, povo comum,
vencelho que nos une e tem em pé,
herdanza secular de cada um,
fogar no que arde acesa a nossa fé.
Hai que luitar, pois, coa deserçom,
cos parvos ignorantes burras quentes.
Hai que afirmar a fala com tesom,
defendê-la com unhas e com dentes.
Hai que dar-lhe ao povo a sua voz pura.
Quem nos quer sem fala, quer matar-nos.
Hai que defender a fala com mão dura
pois precisamos da fala pra salvar-nos!
Rosalia de Castro
Cantar-te hei, Galiza,
teus doces cantares
que assi mo pedírom
na beira do mare.
Cantar-te hei, Galiza,
na língua galega,
consolo dos males,
alívio das penas.
Mimosa, suave,
sentida, queixosa,
encanta se ri,
comove se chora.
Qual ela nengumha
tam doce que cante
soidades amargas,
suspiros amantes,
mistérios da tarde,
marmujos da noite:
cantar-te hei, Galiza,
na beira das fontes.
Que assi mo pedírom,
que assi mo mandárom,
que cante e que cante
na língua que eu falo.
(...)
Antom Vilar Ponte
«Ou é que ainda hai quem, possuindo algumha cultura,
pense que o nosso idioma vernáculo e o idioma de Portugal nom som todo
um e o mesmo, com idêntica sintaxe e idêntico léxico, salvo pequenas diferenças
de morfologia, ortográficas e prosódicas, tam fáceis de reparar (se nom
se querem unificar a custo de um pequeno esforço), e salvo galicismos
e americanismos que abundam na fala dos irmãos de além Minho?»
(Pensamento e sementeira, pág. 345-346)
«Entre o galego e o português de hoje nom hai mais diferenças
que as existentes entre o castelhano de Castela e o de Andaluzia e América;
e a sua unificaçom é tam fácil, se nom mais, que a realizada por flamengos
e holandeses com o idioma comum, que somente se diferençava na ortografia
e nalguns giros prosódicos. Quando se vam dar as normas precisas para
intentá-la pouco a pouco? Pudérom ser chamados nunca a umha missom de
maior transcendência no terreno da própia cultura, da cultura autóctone,
a Academia Galega e o Seminário de Estudos Galegos?»
(Pensamento e sementeira, pág. 346)
«Os nacionalistas galegos temos de chegar aginha à maior
unificaçom possível, sem mágoa do engebre, entre o nosso idioma e o português.
Assi o português lerá-se na Galiza doadamente, acabando coa vergonha de
que se nos ofereça por intermédio do castelhano o seu génio, mais nosso
que o génio castelhano; assi a independência do nosso espírito a respeito
do de Castela, que nos tem mediatizado, virá de caminho»
(Pensamento e sementeira, pág. 257)
«Galiza tem de considerar a Portugal como baluarte da
sua independência espiritual...»
«A liberdade e a independência de Portugal consideramo-la
os galegos como a nossa mesma liberdade e independência, e estaremos dispostos
... a erguermo-nos violentamente contra dos que quigessem esnaquizar aquela.
Galiza considera o português como o galego nacionalizado e modernizado...
toda burla ou ironia que se dedique por espanhóis a portugueses será tomada
como aldrage feito a galegos...»
«Galiza e Portugal estreitadas ao fim suporiam umha expansom
cultural de idioma diferente do castelhano tam extensiva quase como a
deste na península e caminho de rivalizar também na América, com o baluarte
do Brasil, significando a redençom do nosso espírito para colaborar por
nós mesmos, com todas as essências naturais da nossa raça, no superior
comunismo da cultura universal, de que falou Guyau.»
«Enquanto exista Portugal nom morrerá, pois, Galiza.»
«Enquanto viva o português o galego nom morrerá.»
(escrito em espanhol)
Rafael Dieste
«Existe entre o galego e mais o português tam estreita
afinidade que quanto mais português é o português e mais galego é o galego,
mais vêm a se assemelharem»
(Ante a terra e o céu, pág. 34)
Ricardo Carvalho Calero
«Do mesmo jeito que os diferentes dialectos do castelhano
se escrevem coa mesma ortografia, ainda que a pronúncia andaluza, por
exemplo, difere consideravelmente da burgalesa, caberia umha ortografia
unificada para o ámbito galego-português, ainda que um falante compostelano,
um falante lisboeta e um falante evorense manifestem tamém as suas peculiaridades
na pronúncia»
(De ortografia galega, A. C. Francisco Lança (Ribadeu),
Dez anos de cultura galega, 1982)
Joám Manuel Pintos
«Abanos, e broulhas, foronchos, orvalho,
empinxas, doudice, falchoca, petel,
riosta, solhoso, torada, ramalho,
petouto, carrascos, manido, arganel.
Almalhos, catralvo, balume, lampeiro,
bagulho, bragada, fustalha, cancil,
forcado, goldrento, lentura, fungueiro,
mangancha, marouba, xabreira, funil.
Folhato, fiuncho, lezer, lambisqueiro,
roncolho, godalha, carolo, cachom,
canzorro, ganduxo, latar, mansinheiro,
golvado, fianho, costrám, labiantom.»
(A Gaita Galega, pág. 145-146)
Bento Vicetto
«...e dizemos de tanta importáncia para Galiza, porque
ao emancipar-se a Galiza bracarense do império espanhol, aquela Galiza
sueva tam altiva como compacta antes da Reconquista e despois da Reconquista,
ficava, por dizê-lo assim, dividida por metade. Ou a Galiza lucense devia
seguir a sorte da bracarense, ou impedi-lo a todo o transe, pois ficando
afecta à monarquia espanhola, sobre ficar incompleta, ficava excêntrica,
fora do seu assento moral e dos seus interesses de raça. De tolerar-se
a separaçom do reino de Portugal, reino nascido e formado na Galiza bracarense,
devemos ser portugueses antes que espanhóis, porque a emancipaçom da Galiza
bracarense da Coroa de Leom e Castela significava o triunfo perfeito da
nobreza sueva sobre a nobreza goda...»
(palavras escritas em espanhol)
Francisco Tettamancy
«O seu idioma (dos portugueses) é o nosso, e tais som
as suas afinidades que em nada diverge do galego, pola sua estrutura,
pola sua fonética, pola sua fraseologia, polas suas desinências, etc.:
só que os portugueses o civilizaram.»
Curros Henriques
«As que passam por eminências espanholas deveram conhecer
o Portugal Contemporáneo para convencer-se da sua pequenez e insignificáncia.»