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Reportagens José Ramom Pichel: «É preciso mais planificadores e estrategas, e mais vendedores do que apaixonados por futuros de conjuntivo»
Sexta, 11 Abril 2008 (7:00)

«Estrategias para o galego a partir das TIC» nas I Jornadas de Língua em Ourense

A Esmorga / MDL / PGL - Rever a história do galego e as TIC, revisando o modelo actual para a língua e fazendo hipóteses sobre como beneficiaria a estratégia lusófona a meio e longo praço, eis aquilo sobre o que debruçará a palestra de José Ramom Pichel subordinado ao título «Estrategias para o galego a partir das TIC». O será realizado nesta sexta-feira, 11 de Abril, às 20h30, no CS A Esmorga, na sequência das I Jornadas de Língua em Ourense.
[+...]

Se queres saber em que mudaria o nosso jeito de nos enfrentar ao mundo tecnológico no que vivemos se assumirmos que o galego e o português são duas variedades do mesmo idioma, as vantagens e problemas associados, não deixes de vir conhecer as opiniões de José Ramom Pichel. Antes disso, adiantamos as sugestivas respostas que o convidado deu às perguntas que lhe lançamos...

Para já, o que são as TIC e qual a sua importância hoje e a meio prazo na sua relação com as línguas?

As TIC são para alem dum acrônimo, que também poderia ser chamado por IT ou TI, toda aquelas disciplinas que tratam do processamento da informação e das comunicações, quer dizer, um horizonte de possibilidades.

A respeito da relação com as línguas, começou-se a dizer que língua é todo aquele material linguístico que é capaz de ter um corrector ortográfico ou que tem um sistema operativo traduzido. Não ter estas duas ferramentas condena à língua no death's row. E eu acredito nesta futurologia, sobretudo nas europeias

Como avalias o esforço que a partir de diferentes instituições públicos e entidades associativas de base se está a fazer para traduzir a galego ILG-Rag o software mais comum?

Desde o ano 1995 onde na Plataforma polo galego na informática já denunciávamos a falta de software traduzido para a Galiza, bastantes cousas mudaram. Uma das causas é a aparição do software livre e outra uma crescente comunidade desde há vários anos preocupada pola localização de software ao galego ILG-RAG, com um enorme esforço em vontade e trabalho.

Já agora, a criação de mancomun.org por parte da Conselharia de Indústria é a primeira tentativa real de ligar software de qualidade e galego. No entanto, apesar do esforço, a falta de estratégia para a língua visibiliza a falta de critérios terminológicos, a carência de formação em galego dos voluntários, etc.

Haveria que bater mais o ponto na estratégia lusófona sobretudo com o Brasil que afectaria numa primeira fase a terminologia que usemos na Galiza e colocaria-nos no mundo ao que naturalmente pertencemos, a lusofonia. Isto daria-nos mais chance para a língua e mais oportunidades económicas.

No campo das TIC, que pode oferecer uma visão extensa e útil da nossa língua a respeito da visão que se promove institucionalmente?

Tal como estamos usar uma terminologia coordenada majoritariamente com Portugal ou o Brasil colocaria os galegos numa posição privilegiada em Europa para afrontar o repto de trabalho com os países emergentes BRIC (Brasil, Russia, India e China). Outro dia Paula Vázquez, num jornal gratuíto comentava que ela queria que os seus filhos falassem castelhano porque era uma língua internacional. O que não imagina a apresentadora é que o galego é uma das língua com mais projecção de futuro que existe.

Este parámetro é aprender português nas EOI, no ensino secundário, ou os intercâmbios entre Galiza-Portugal-Brasil via telemática e, na verdade presencial fariam o resto. Infelizmente as elites culturais e económicas galegas jogam a perder, e apostam por estratégias de resistência estilo Custer. Afinal morrerá a língua, mas com os socos postos.

Quais os principais obstáculos a uma política linguística no âmbito das TIC feita de uma óptica extensa da língua?

O principal obstáculo é que falar de Portugal ou o Brasil ainda agora, para os galegos que podem decidir estratégias é como falar da Chéquia. Não podemos igualar dous elementos sem que um deles se conheça. Portanto mais relacionamento com eles, no que a língua seja veículo comunicativo e não ideológico.

O segundo obstáculo é associar política linguística a filologia. É preciso mais planificadores e estrategas, e mais vendedores do que apaixonados por futuros de conjuntivo. Estamos falando de sociedade e de língua.

O terceiro obstáculo é apostar polo software privativo para esta política linguistica. Podemos ter já hoje software em galego, versão do Brasil ou de Portugal, e poderemos adaptar a nossa realidade cultural. Igual que um espanhol de Valladolid pode ter software argentino que adapta à sua realidade, nos teremos que fazer o mesmo com o software lusófono.

Isso sim, ao igual do que eles, sem mudar a ortografia, e mais agora com o novo acordo ortográfico. Eu gosto de dizer que o futuro da Galiza e SL+P+I (software livre, português e inovação), mas também poderíamos mudar este I final polo inglês, que para mim é o outro pé que temos para aceder directamente à fonte em que se escreve tudo nesta altura. As TIC são fundamentais para qualquer destes objectivos.
Foto-reportagem, apresentação e áudio da palestra
Actualização a 15 de Abril de 2008

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José Ramom Pichel: «Estrategias para o galego a partir das TIC»

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Nota: Actualização a 15 de Abril de 2008, com foto-reportagem, apresentação e áudio da palestra.



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Re: José Ramom Pichel: «É preciso mais planificadores e estrategas, e mais vendedores (Pontuaçom: 1)
por EVAZSOU em Sexta, 11 Abril 2008 (7:38)
(Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem)
Muito claro,

Passai bem na Esmorga.

Ernesto



Re: José Ramom Pichel: «É preciso mais planificadores e estrategas, e mais vendedores (Pontuaçom: 1)
por EugenioOuteiro em Sexta, 11 Abril 2008 (9:45)
(Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem)
Eu gosto de dizer que o futuro da Galiza e SL+P+I (software "livre, português e inovação), mas também poderíamos mudar este I final polo inglês, que para mim é o outro pé que temos para aceder directamente à fonte em que se escreve tudo nesta altura.

Não posso estar mais de acordo!!!

Abraço grande como o mundo!



Re: José Ramom Pichel: «É preciso mais planificadores e estrategas, e mais vendedores (Pontuaçom: 1)
por ramonflores em Sexta, 11 Abril 2008 (19:19)
(Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) http://members.tripod.com.br/ramonflores/
Muito bom. Especialmente isso do galego ir morrer com os socos postos.



Re: José Ramom Pichel: «É preciso mais planificadores e estrategas, e mais vendedores (Pontuaçom: 1)
por Corredoira em Sexta, 11 Abril 2008 (20:15)
(Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem)
Certo, certíssimo, necessitamos de vendedores de software mas também de apaixonados vendedores do Futuro do Conjuntivo, «ao igual» que doutras cousas, entre elas, compradores.

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