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Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza
Quinta, 10 Abril 2008 (9:00) |
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Associaçom Galega da Língua e Plataforma para a Recepçom das Televisões e Rádios Portuguesas na Galiza valorizam muito positivamente o «acordo histórico»
PGL - Após a participaçom da Galiza na Assembleia portuguesa para dar a sua opiniom sobre o acordo ortográfico, esta semana produziu-se um outro fito histórico para o relacionamento galego-português. O Parlamento aprovou ontem por unanimidade dirigir-se ao Governo espanhol para «no prazo mais imediato possível» lograr a recepçom das televisões portuguesas na Galiza. [+...]
O acordo produziu-se após a proposta apresentada por Bieito Lobeira, porta-voz do Bloco Nacionalista Galego (BNG) na Câmara. «Há crianças na Galiza que sabem o que significa friday, mas nom sexta-feira», assegurou o nacionalista que, ainda, realizou umha defesa da unidade galego-portuguesa ao salientar o facto de que «galegos e portugueses partilhamos um mesmo sistema lingüístico».
A visom de Lobeira foi discutida polo deputado Francisco Cerviño (PSOE), quem apostou no isolacionismo ao defender que «som línguas mui próximas, mas diferentes, sobretudo no aspecto fonético», ao tempo que assegurou perceber melhor o italiano do que o português Lisboeta. A réplica de Lobeira foi, mais umha vez, contundente: «isso nom é normal».
Contudo, e apesar da sua visom lingüística, Cerviño reconheceu que a chegada das televisões portuguesas à Galiza contribuirá «a evitar a morte da nossa língua, que está gravemente enferma».
Negociaçom
No entanto, a aprovaçom da iniciativa exigiu negociações, pois o Partido Popular (PP) apelou à reciprocidade estatal, isto é, que as televisões portuguesas se podam ver na Galiza sempre que as espanholas se possam ver em Portugal (algo que, porém, já acontece em muitas regiões e cidades lusas). Afinal as três forças parlamentares acordaram restringir a reciprocidade às rádios e televisões galegas (actuais e futuras).
AGAL exige compromissos
A Associaçom Galega da Língua (AGAL) acolhe muito positivamente que se tivesse chegado a um acordo unânime sobre esta petiçom. Contudo, a AGAL nom quer cair na euforia e exige compromisso aos representantes públicos galegos, sobretudo logo de algumhas declarações como as de Touriño, Zapatero ou Sócrates na passada Cimeira de Braga (em Janeiro deste ano), que situavam o início do estudo deste requerimento para depois de 2012. Da associaçom suspeitam que a reciprocidade exigida polos grupos parlamentares galegos poda ir, precisamente, no sentido de adiar a recepçom.
Para a AGAL nom pode haver qualquer escusa para adiar a implementaçom do acordo, e traz à tona dados contribuídos por engenheiros de telecomunicações e de informática desta associaçom, quem explicam que o processo seria tecnicamente muito simples, e que o investimento a realizar nom ultrapassaria o milhom de euros. Ainda, desde a associaçom bate-se o ponto em que o Conselho da Europa considerou como «urgente» que os galegos podam receber com normalidade as emissões dos canais portugueses de rádio e televisom.
«Acordo histórico»
Do PGL contactamos também com a Plataforma para a Recepçom das Televisões e Rádios Portuguesas na Galiza para conhecermos a suas reacções. Deste colectivo asseguram acolher muito positivamente este «histórico acordo», e assinalam 9 de Abril de 2008 como «um dia histórico para a Galiza pola transcendência do acordo e o grau de consenso atingido no máximo órgão de representaçom democrática da Galiza».
Da Plataforma acham que a recepçom das televisões e rádios portuguesas em aberto no nosso país «vai implicar um salto qualitativo de grandes proporções nas relações sócio-económicas e culturais entre a Galiza e Portugal», ao tempo que «vai permitir notáveis avanços em diversos aspectos da qualidade de vida da cidadania galega».
No entanto, o colectivo, que leva três anos a luitar por um objectivo que desde ontem está cada vez mais perto, insta o governo da Galiza para «iniciar sem mais demora as negociações com os Governos espanhol e português para implementar as soluções técnicas e jurídicas que permitam a recepçom em aberto na Galiza dos canais de rádio e televisom portuguesa, em cumprimento do estipulado pola Carta Europeia das Línguas».
Mais reacções
O Movimento Defesa da Língua (MDL) também faz referência a este acordo no seu sítio web. O colectivo parabeniza também a iniciativa adoptada polo Parlamento, mas bate o ponto sobre as emendas pactuadas e que exigem umha reciprocidade para a emissom-recepçom.
Para o MDL, «a anormalidade das relações ibéricas levam a não perceber de que estamos a falar», isto é, «do cumprimento de um tratado do Conselho da Europa, em que os estados parte são periodicamente avaliados». A exigência da Carta consiste em garantir o direito de uma comunidade lingüística minorizada a receber as emissões dos meios de comunicaçom de um estado em que seja utilizada a mesma língua, e o direito desse estado a emitir além das suas fronteiras e, ainda, «garantir o direito dos galegos a ver TV portuguesa e de Portugal a emitir sem que Espanha possa fazer nada contra isso».
Por este motivo, o colectivo considera que a reciprocidade que também se acordou na Câmara galega (surgida de umha proposta do PP), «é uma aberração pois mistura alhos com bugalhos, a não ser que considerem que em Portugal o castelhano é língua regional ou minoritária».
BNG já solicitara no Parlamento espanhol
Em 21 de Novembro de 2007, o deputado nacionalista Francisco Rodríguez interveu no Parlamento espanhol para exigir a recepçom das televisões e rádios portuguesas na Galiza. Naquela altura, o porta-voz do BNG solicitava os meios técnicos e humanos para fazer possível a recepçom destes canais, e baseou a sua argumentaçom no incumprimento da Carta Europeia das Línguas. A notícia suscitou um grande interesse em Portugal, onde foi noticiada num grande número de meios de ediçom estatal, enquanto nos meios galegos e espanhóis passou mais despercebida. O Governo espanhol apenas se comprometeu a «estudar» a viabilidade do projecto.
Via Galego satisfeita
[actualizaçom a 11 de Abril de 2008]
A Fundaçom Via Galego mostrou a sua satisfacçom por «este passo adiante para a materializaçom de umha reivindicaçom galeguista histórica». O director de actividades da mesma, Ângelo Gonçalves, considera muito importante a referência temporária explicitada na proposiçom nom de lei aprovada por unanimidade, pois isso implica «o reconhecimento de que as condiçons técnicas existem, já que o único que está a demorar a chegada dos meios portugueses ao nosso País é a falta de vontade política», acrescentando que «esperemos que este importante avanço atingido no Parlamento constitua o início de umha mudança definitiva de atitude no que diz respeito a este assunto na classe política galega e na espanhola».
Ainda, o director de actividades da Via Galego, salientava o facto da proposiçom nom de ler ter sido aprovado por unanimidade, o que demonstra que se trata «de umha reivindicaçom de todo um povo, que clama por dar este importante passo para começar a reverter a artificial separaçom comunicativa entre Portugal e a Galiza, imposta por interesses políticos foráneos, e completamente irracional e prejudicial para o nosso País».
Embora essa unanimidade, o director geral de Comunicaçom Audiovisual da Junta, Manuel Fernandes Igrejas, já colocava as primeiras travas, ao salientar os custos (20 milhons de euros?) e as dificuldades legais que acarreta a proposta, que nom virá a ser efectiva até, no mínimo, depois de 2010, polas suas palavras.
Talvez seja por isso que Ângelo Gonçalves anunciou que é preciso explicar o assunto à socidade galega, bem como «a importância do que nos estamos a jogar», acrescentando que é fundamental insistir para que a classe política galega nom se durma».
Assunto no Un Dia por Diante da Rádio Galega
[actualizaçom a 11 de Abril de 2008]
Diversos meios da comunicaçom social ecoaram a notícia. Para já, do PGL convidamos a ouvir os dez minutos que o programa Un Dia por Diante da Rádio Galego, dedicou ao assunto.
Un Dia por Diante - Rádio Galega (10-04-2008)
Dewplayer
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Em Portugal, por seu lado, a aprovaçom da proposiçom nom de lei por parte do Parlamento galego também já tivo eco na comunicaçom social, tal como o Jornal de Notícias que dá conta do assunto.
+ Mais informaçom:
Nota: Notícia actualizada a 11 de Abril de 2008, recolhendo as reacçons de Via Galego e a reportagem emitida pola Rádio Galega.
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Re: Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza (Pontuaçom: 1) por Isabelrei em Quinta, 10 Abril 2008 (9:32) (Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) |
Consequência direta, acho, das intervenções na assembleia de Lisboa. Aproveitam o carro da emoção criada pelas notícias dos galegos lá.
Os meios convencionais não davam as notícias, mas os interessados, souberam.
Parece que não, mas estas cousas funcionam... |
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Re: Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza (Pontuaçom: 1) por Ruival em Quinta, 10 Abril 2008 (13:04) (Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) | Sinto-o, mas a proposição não de lei apresentada pelos deputados Bieito Lobeira e Modesta Riobó foi aprovada pela Mesa do Parlamento em reunião de 29 de Nov de 2007, tal como figura no Boletim Oficial do Parlamento Galego nº463 de 3 de Dez de 2007. Portanto, foi esta uma medida paralela à pergunta no Congresso espanhol do deputado Francisco Rodriguez.
A leitura de consequências políticas pode ser feita unicamente tendo em conta os anos que levamos difundindo os nossos argumentos com um discurso coerente, do meu ponto de vista, claro.
Bruno Ruival |
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Re: Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza (Pontuaçom: 1) por Ruival em Quinta, 10 Abril 2008 (13:07) (Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) | | Aliás, o pleno, com a sua ordem de trabalhos, foi convocada e publicada a 1 de Abril, uma semana antes da publicitação da participação galega em Lx. |
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Re: Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza (Pontuaçom: 1) por outeiro (outeiro@agal-gz.org) em Quinta, 10 Abril 2008 (13:46) (Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) http://www.outeiro.com | Sem dúvida é umha feliz coincidência que na mesma semana da participaçom galega na Assembleia da República o Parlamento Galego aprove esta iniciativa do BNG.
O mais provável é que a maioria dos deputados da cámara galega nom soubessem o que acontecera o dia 7 em Lisboa. Como, aliás, a maioria da sociedade galega.
Cumpre sermos realistas para poder ser efectivos e avançar socialmente. |
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Re: Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza (Pontuaçom: 1) por manuelgodinho em Quinta, 10 Abril 2008 (14:09) (Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) | *
Esta é, sem dúvida, uma boa notícia. Tão boa que quase não se concebe o que possa, nisso, ser relativizado.
E, contudo, há que lembrar que a pronúncia portuguesa padrão, com grande fechamento das vogais átonas, mais a habitualmente má articulação, tanto em debates televisivos como em telenovelas portuguesas, pode originar na Galiza a mesma perplexidade que em ouvintes brasileiros: «Mas esta não era, diziam-me, a minha língua?»
Na prática, o melhor e mais feliz contacto com a língua de Portugal deve procurar-se em dois sectores: na voz «off» de documentários e nos desenhos animados. Aí, em geral, há um maior cuidado de articulação.
Quanto ao resto, há quatro ou cinco locutores de televisão em tudo exemplares. Centro-me na televisão, já que as rádios estão, desde há muito, acessíveis na net.
Talvez valha, a seu tempo, ter tudo isto em conta e chamar para tal a atenção.
Fernando Venâncio |
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Re: Parlamento aprova solicitar recepçom das televisões portuguesas na Galiza (Pontuaçom: 1) por Voltei em Sexta, 11 Abril 2008 (5:54) (Informações do(a) Usuário(a) | Enviar a Mensagem) | | Que excelente imaginar que os galegos, sobretudo os mais jovens e as gerações futuras, poderão ver as telenovelas brasileiras transmitidas pela tv portuguesa. Creio que será muito importante para que a juventude galega cresça se acostumando ao sotaque dos irmãos do outro lado do oceano (brasileiros). |
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