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A Fenda Editora lança o seu primeiro livro de poemas, da autoria de João Aveledo
Ana Paz - O poeta saiu à rua com o poemário assinado por ‘João de Bonaval’, uma das suas personalidades míticas. No essencial, a sua gaveta manteve-se fechada, acumulando de 1979 a 2008 os poemas reunidos na Arceia, alguns publicados em apoio ao Acordo Ortográfico de Lisboa (1990). [+...]
Paciente coleccionador de seres como personagens, palavras, animais e plantas, enverga revolta linguística reintegracionista e romantismo independentista. Passaram-se 29 anos a estabelecer uma língua para dizer do imaginário da Galiza ideal e real, um país e uma lusofonia desejados e possíveis.
A Arceia, ave ao mesmo tempo vulgar e sinceramente esperada, ilustrada pelo desenho da capa de Leandro Lamas, dá forma a este álbum fotográfico e poliândrico: relicário de plantas e animais, colectânea de crónicas e reportagens, dicionário de formas linguísticas, manifesto político e social. Na vanguarda da Língua Portuguesa, demanda uma Academia Galega (AGLP) e o Acordo Ortográfico.
Sob a pena de João de Bonaval, existe uma narrativa da Galiza futura. O eu poético, entre o naif e o surreal, exprime-se na explicação dessa Mátria de fronteiras latas. E para que o leitor ou leitora se não perca entre o sonho e a ciência, o livro remata com um glossário, preciosidade que restabelece os laços entre o galego medieval e o português futuro.
Sabemos, sei, que este autor não desanima. Ugio Novoneira, ensinou-lhe a traçar primeiro a língua, depois o poema. Essa é uma e a mesma acção. A Fenda Editora estreia-se assim na poesia, pelo Dia da Mátria.
Artigo publicado originariamente no número 69 do Novas da Galiza.
‘João de Bonaval’, Arceia, Santiago de Compostela, A Fenda Editora, 2008, 108 págs.
Lançamento em Compostela:
Dia 22 de Setembro, segunda-feira, às 8 da tarde no Centro Social O Pichel (Rua Santa Clara 21, Compostela). Para além do autor, falará Eduardo Sanches Maragoto.
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