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Por José Ramom Pichel Campos
¿Por acaso hemos venido a la existencia, y después de esta vida seremos como si no hubiéramos sido?" dizia Luis Buñuel, recitado por Francisco Rabal revisitado em música de Petisme, o cantor aragonês contemporâneo. O autor surrealista, com essa olhada de vejo Vigo vejo Cangas, observava a Residência de Estudantes no Madrid outrora conectado com o mundo, habitado por surrealismos, pincéis e escalas diatónicas de tango. Madrid era célula de universidade e Giner de los Ríos veraneava com esse conceito na Galiza, convidado na casa do grande filósofo e um dos primeiros psicólogos do Estado, João Vicente Biqueira, teórico do reintegracionismo sem intuí-lo. [+...]
Foi toda uma época para que o país chamado Espanha fosse outra cousa, ou não. E a história decidiu o último. Morra a inteligência e fugiu a intelligentsia, enchendo as universidades norte, centro e sul-americanas de tanto conhecimento, reflexão, cachimbos, demasiadas voltas, incoerências, medos, atravessando em fila índia as pontes de exilados. Sabiam que as línguas, quantas mais, mais riqueza.
E o CMMI não é língua mas acrónimo dum modelo de qualidade para o desenvolvimento de software desenvolvido polo SEI (Software Engineering Institute), eu sei. Este acrónimo pretende dar umas pautas para que se construa software baseado em dados objectivos resultado de medir os processos de construção de projectos e em métodos de desenvolvimento com uma absoluta visão de engenharia. Resulta curioso que os engenheiros/as informáticos construam software para processos de controlo industrial e no entanto não sejam capazes de aplicar processos industriais na fabricação de aplicações.
Recentemente apresentou-se em Berlim uma plataforma de empresas tecnológicas galegas que estão implantando este sistema inovador para que para além de vender a carne com carné também o software realizado nesta parte da Terra seja conhecido pola sua robustez, inovação e qualidade. A partir da implantação final estas empresas falarão para além da sua própria língua a mesma língua tecnológica entre elas.
O mesmo ocorre no mundo dos não-acrónimos, Galiza tem duas línguas internacionais, o galego-português e o espanhol. Só falta que de vez assumamos a nossa parte lusófona convergendo o galego com o padrão escrito comum português e brasileiro e apostar com decisão pola competência em inglês. Porque como diria Buñuel a todo este exército mediático de cosmopaletos de lengua común: "Y a mi su ejército, coronel, me la trae floja".
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
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