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Opiniom Caetano Veloso: «Na Galiza falo em português porque o nosso idioma comum é o galego-português»
Quarta, 23 Julho 2008 (6:30)

Caetano Veloso (praça da Quintã de Compostela, 21 de Julho de 2008) O cantor brasileiro deleitou o público galego no concerto que deu em Compostela na passada segunda-feira

Por Gerardo Uz


Em 19 de Julho de 2004 actuava na compostelana praça da Quintã o músico bahiano Gilberto Gil. Segundo recolhia a crónica publicada no PGL, quem naquela altura já era Ministro da Cultura do Brasil negou-se a falar em português e utilizou sistematicamente o castelhano para se dirigir ao público, provocando mal-estar entre o pessoal. Quatro anos depois, o seu compatriota, coetâneo e também bahiano universal, Caetano Veloso, demonstrou uma atitude muito diferente.
[+...]

No concerto desta segunda-feira, também na praça da Quintã como fizera Gilberto Gil, Veloso reivindicou-se não apenas como grande artista, mas também como humanista e como mito intergeracional.

Como só aos génios lhes está permitido, Veloso apresentou-se não ao início do concerto, mas num intervalo que se concedeu após uns poucos temas. Mesmamente como se estivesse a fazer sua uma das mais conhecidas citações de Pessoa («a minha pátria é a língua portuguesa»), nessa apresentação é que fez sua essa máxima ao sentenciar com veemência: «na Galiza falo em português porque o nosso idioma comum é o galego-português».

O público, ao redor de 2.000 pessoas, estalou numa ovação praticamente unânime e o bahiano aproveitou para comentar que a sua introdução também a traduziria para o castelhano por se alguém não percebia. Traduziria ao castelhano... «mas não tudo», matizou com ironia, ao qual foi correspondido com mais aplausos e risadas cúmplices.

O grande bahiano também demonstrou que não é por acaso que é um cantor internacionalmente reconhecido, e assim trouxe à capital galega um repertório com algum tema já conhecido, algum tema novo, e versões da francesa La Mer ou da mexicana Cucurrucucú Paloma, entre outras. Ao espectáculo uniram-se também os sinos da torre do relógio que, longe de interromperem momentaneamente o concerto, acabaram por sucumbir ao talento do Caetano, que soube integrar o seu som como acompanhamento musical.

Durante algo mais de hora e meia, as várias gerações presentes na praça da Quintã sintonizaram plenamente com o cantor bahiano, antecipando-se aos desejos do autor para fazer os coros e acompanhamentos, e emocionando-se ao ritmo marcado polo seu cantar. Veloso cantou pouco mais de hora e meia, e se fosse polo público poderia botar até duas horas, três ou sei lá, pois o público foi unânime no seu pedido, «mais uma, mais uma߃!!», mesmo após da finalização. Precisamente isto poderia ser o resumo do que foi o concerto: tanto e tão bom, que ficamos com gana de mais. De mais Caetano.




Instantânea da praça da Quintã totalmente ateigada



Sobre o cenário, apenas Caetano mais a sua guitarra



A voz de Caetano e a guitarra, um só instrumento

+ Mais informação:

- Gilberto Gil falou em castelhano na Galiza [PGL, 21 de Julho de 2004]



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