|
Novo número de Agália desvenda a origem da iniciativa, e inclui a estreia na revista de dous conhecidos escritores do Brasil e um de Portugal
PGL.- Os escritores Adriana Lisboa e Luís Ruffato do Brasil, Ondjaki de Angola, Luís Cardoso de Timor, José Luís Peixoto e Possidónio Cachapa de Portugal, e Quico Cadaval e Carlos Quiroga da Galiza fôrom os primeiros em defender o uso do termo «Galeguia» em lugar de «Lusofonia» para designar a língua comum. [+...]
Esta iniciativa surgiu na sequência do VIII Congresso Internacional de Lusitanistas, celebrado em Compostela em Julho de 2005, e correspondeu a Ruffato a formulaçom do conceito por entender «que devolve o sentido original da raiz da nossa língua, relativiza o peso do passado colonial e reincorpora, com os devidos créditos, a Galiza a este universo comum», segundo o trabalho com que este autor contribui no último número da Agália, o duplo 89/90 correspondente ao primeiro semestre de 2007, de muito recente ediçom. A revista desvenda a génese da escolha desse termo, que nos últimos tempos está a ter sucesso com referências muito diversas.
Nesse mesmo número recolhe-se igualmente como o angolano Pepetela, na visita que realizou em Maio à Galiza com ensejo de ter sido proclamado «Escritor Galego Universal» pola Associaçom de Escritores em Língua Galega, também viu o termo como «adequado» pois, segundo o seu depoimento, «para além de nom ser um decalco do francês ‘Francofonia’, representa umha volta as origens da língua» à par de ser «um termo nom marcado, muito bem aceite polas excolónias portuguesas». O trabalho de Ruffato é o seu primeiro contributo na Agália, e neste número também se estreiam na revista outros dous nomes de relevo literário: Lúcia Bettencourt, igualmente brasileira; e o português Luís Serguilha.
Neste volume da revista também merece destaque umha magistral entrevista de Alonso Vidal a José Martinho Montero Santalha, em que este catedrático da Universidade de Vigo e membro da Comissom de Lingüística da Associaçom Galega da Língua fala do projecto da Academia Galega da Língua Portuguesa.
Galegos, portugueses e brasileiros colaboram nas diferentes secçons da revista. Incluem-se quatro estudos: de José Eduardo Franco (Universidade de Lisboa) e Isabel Morán Cabanas (Universidade de Santiago de Compostela) sobre «A mulher barroca na oratória do Padre António Vieira e na mundividência barroca: polémica sobre ‘o gosto de sair’»; de Márcio Ricardo Coelho Muniz (da brasileira Universidade Estadual Feira de Santana) sobre «’Como fala Gil Vicente...’: Falares vicentinos na Dramaturgia brasileira»; e dous de estudiosos galegos: «Aproximação à lingüística de corpus como metodologia de base empírica. Compilação e anotação do Corpus Paralelo PALOP (português-espanhol) de Narrativa Pós-Colonial», de Paulo Malvar Fernández; e «Estratégicas de canonização. O ensaio de Guerra da Cal sobre Eça de Queirós como modelo para Machado de Assis», de Joel R. Gômez.
A brasileira Lúcia Bettencourt, que em Outubro visitou Galiza por convite da Universidade de Santiago de Compostela, também se estreia neste número da Agália, onde oferece o texto de um relato inédito; junto com ela escrevem Maria do Céu Nogueira, Ivone Ferreira e Ricardo Oliveira, de Portugal; e Roberto Samartim, da Galiza, também com textos literários.
Dores Valcárcel Guitian e Ernesto Vázquez Souza, da Galiza, com Celeste Natário de Portugal e o já citado Luís Ruffato conformam a epígrafe de «Notas», com trabalhos em que se focam as relaçons entre Teixeira de Pascoaes e Unamuno; e estudos sobre a poesia de María Mariño e de Mário Herrero.
Nas recensons, Carlos Pazos ocupa-se de um ensaio do português Norberto Ferreira da Cunha sobre a autonomia galega na imprensa periódica portuguesa entre 1931 e 1936; J. R. Gômez dos últimos volumes de Escrita Contemporânea, com as Actas dos primeiros simpósios Letras na Raia; e da revista de teatro Casahamlet, em que se edita um novo original para teatro de João Guisán Seixas; o escritor português Luís Serguilha estreia-se também na Agália com umha crítica de Distância, de Virna Teixeira; e de novo Lúcia Bettencourt contribui com trabalho sobre Gran cabaret demencial da brasileira Verónica Stigger.
A notícia do relevo no Conselho da Associaçom Galega da Língua acontecido em Junho, com a eleiçom de Alexandre Banhos como novo presidente; e outras de actualidade sobre língua e cultura, e sobre publicaçons, em 60 páginas finais, encerram o volume com a secçom «Percurso».
Merece destaque também a beleza do volume, que inclui umha surpresa nas ilustraçons, com fotografias de maos, de Lene Meyer Yong-Jae, na capa e no interior.
Com este novo número, que atinge no total 302 páginas, a Agália inicia o 22º ano desde que, na primavera de 1985, principiou o seu andamento.

Capa da Agália 89/90
[Clicar em cima da imagem para ampliar]
|