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Reportagens Entrevista com Carlos Varela um dos promotores de Abertal
Quinta, 21 Novembro 2002 (4:06)

Miguel R. Penas - Desde as terras do Eu-Návia chegam notícias de esperança para a Língua. Neste território, onde moram uns quarenta mil galego-falantes, anúncia-se o nascimento dumha nova associaçom de defesa do galego-português. O Portal Galego da Língua falou com Carlos Xesús Varela Aenlle, um dos promotores desta nova iniciativa que se vai conhecer sob o nome de Abertal.
[+...]

Carlos Xesús Varela Aenlle é geógrafo, experto em desenvolvimento local e com estudos de filologia. Pessoa comprometida já desde mui jovem com o movimento de defesa do galego eu-naviego, participa na elaboraçom de muitos projectos relacionados com Astúrias, a Galiza e o Eu-Návia. Tem escrito várias publicações relativas a diferentes temáticas destes territórios, destacando as relacionadas com a etnografia e a toponímia eu-naviegas, como da etnografia galega e asturiana.

Miguel Penas: Abertal significa terreno aberto a todos, comunal, pode-se dizer que este é o espírito com o que se quer identificar a nova associaçom?

Carlos Varela: Efectivamente, hai que dizer que o nome estava no ar, pensava-se em “terra aberta”, mas o nosso amigo Crisanto Veiguela sugeriu o termo “abertal”, e pareceu-nos que se correspondia exactamente com o espírito e a filosofia que nosoutros queríamos transmitir à nossa gente.

Abertal significa sem valados, um espaço aberto a todos aqueles que queiram defender a nossa língua e a nossa cultura no Eu-Návia. Um espaço onde podamos estar todos cómodos e chegar a futuros acordos. Busca-se o objectivo de fazer ainda mais cousas do que se tem feito, sendo muito e mui bom o que outras associações eu-naviegas figérom nestes últimos anos em prol da língua galega no Eu-Návia.

MP: Temos entendido que Abertal trabalhará desde as duas beiras da fronteira administrativa, é dizer, em concelhos da Comunidade Autónoma Galega e do Principado de Astúrias. Podes concretar-nos qual será o vosso ámbito de actuaçom?

CV: O ámbito de actuaçom vai circunscrever-se preferentemente aos dezoito concelhos de fala galaico-portuguesa do Eu-Návia, situados em Astúrias, mas tampouco podíamos deixar a um lado umha realidade cultural que traspassa claramente as raias humanas e som as afinidades culturais e lingüísticas que temos com o leste luguês, especialmente com alguns concelhos como o de Negueira de Munhiz. E aqui queremos ter umha especial colaboraçom com o grande número de associações que existem nesta bisbarra e com gente da mesma.

MP: Antes de continuar estaria bem que nos aclararas qual é a situaçom lingüística do Eu-Návia.

CV: A situaçom lingüística é dum claro retrocesso devido a tres factores: 1) o envelhecimento da populaçom numha bisbarra deprimida economicamente, 2) um forte retrocesso nos novos falantes, e 3), a falta de apoio por parte das administrações asturianas que nom querem ser conscientes da situaçom, sumado a que também temos que falar que a situaçom legal é mui complexa.

A língua galego-portuguesa no Eu-Návia depende da Academia de la Llingua Asturiana, umha academia que nom a reconhece, que sempre fala publicamente de “falas de transiçom” ou mesmo de “variante do asturiano” e com outra língua irmá existente no Principado que tampouco é oficial, o asturiano. O que nom se compreende é como umha academia dumha língua tutela outra, isto nom tem semelhança em toda Europa.

MP: Entom, segundo isto que nos contas, quais serám os vossos objectivos e que tipo de actividades pretendeis realizar?

CV: A verdade é que temos umha grande quantidade de projectos, a dificuldade vai ser plasmá-los, queremos chegar a toda essa gente que é consciente da cultura eu-naviega que ainda nom achou um interlocutor válido que o represente dum jeito em que se sinta cómoda.

Entre esses projectos estará um jornal próprio, várias publicações sobre toponímia, etnografia, música, etc. Queremos ter umha especial incidência na elaboraçom de unidades didácticas para os nenos das escolas e colégios, a doaçom de livros, etc. As crianças som o futuro da língua.

MP: Qual é a reacçom e o apoio que aguardais ter entre as gentes destas comarcas?

CV: Polo momento está sendo boa, nom estamos a erguer muitas suspicácias, sabemos que sempre haverá sectores que estejam alerta ou que serám abertamente contrários, mas também sabemos que existem outros muitos que pensam coma nosoutros e para eles nos imos dirigir sempre num tom conciliador, evitando dogmatismos desnecessários. O primordial é defender a língua e cultura do Eu-Návia, o resto nom som mais que estratégias para chegar ao mesmo objectivo.

MP: O asturianismo cultural e político maiormente semelha ser mui belicista com as posições galeguistas no Eu-Návia. Como pensais que vam ser as vossas relações com os asturianistas? E como estám reagindo ao conhecer o vosso nascimento?

CV: O asturianismo cultural é um movimento plural e como tal, nosoutros temos cabida dentro dum mesmo país. Astúrias é plural, e deste jeito hai muitos sectores do asturianismo que entendem este aspecto, certo que privadamente podam concordar com nosoutros, o problema está que para o público sentem certo retraimento que hai que tentar rachar.

A associaçom sempre colaborará com aqueles sectores e abrirá-lhes a mao (abertal é o lema) que queiram colaborar conjuntamente mas sempre com um respeito mútuo. As reacções polo de agora som mui tímidas, mas aguardamos que num futuro sejam melhores. Estám-se a tender pontes que eram já mui necessários desde hai anos.

MP: E as relações com a chamada Galiza “oficial”, como achais que serám?

CV: Como associaçom consideramo-nos totalmente autónomos das instituições, tanto galegas como asturianas, tentaremos colaborar com eles no caso de que exista unha reciprocidade mútua.

Sobre o associacionismo cultural galego pensamos que ainda nom sendo consciente da mala situaçom da língua no Eu-Návia, podamos ter certos apoios que sabemos muitos deles nos oferecerám. Neste aspecto consideramos mui válido o apoio de instituições como o Conselho da Cultura Galega, da Direcçom Geral de Política Lingüística da Junta de Galiza ou mesmo da Fundaçom Vía Galego da Mesa.

MP: Para quando se fará efectiva a vossa legalizaçom e quando teremos notícias das primeiras actividades de Abertal?

CV: Estamos ainda com a qüestom da legalizaçom, pensamos que para começos do próximo ano poderemos ir consolidando idéias, umha delas já é visível, com Vieiros colaboramos na elaboraçom das novas do seu portal da Internet dedicado á bisbarra da nossa terra.



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