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GZe-ditora «Contos Grotescos» na nova ediçom da GZ-editora
Quinta, 23 Novembro 2006 (6:05)

Contos Grotescos GZe-ditora nº 13 A GZe-ditora apresenta-nos a sua publicação nº 13: «Contos Grotescos», da autoria de Paulo Soriano, com o trabalho de leiaute de Luz Castro. Para fazer a descarga do livro, vá a secção de descargas o simplesmente clique aqui.

GZe-ditora.- Paulo Soriano mora na actualidade em Salvador de Bahia. Desde há vários anos visita o PGL e já tem colaborado com vários jogos para o Planeta NH que desde aqui queremos agradecer. A seguir umha entrevista com o autor da publicaçom.[+...]

PGL - Como é que surgiu o contacto com a Galiza e a sua língua?

Agradeço à AGAL por esta oportunidade de poder falar aos amigos galegos. É uma honra imensa estar aqui neste excelente sítio, que me acolheu tão calorosamente, conduzido pelas mãos generosas de Valentim Fagim. Bem, não sei precisar o motivo, mas as origens das línguas neolatinas sempre me exerceram um enorme fascínio. Em especial a origem do português e o seu proclamado "parentesco" com o galego. Sempre quis saber como era o galego. Como se falava o galego. Apesar de pesquisas em bibliotecas, nada encontrei. Um dia, em um bar e restaurante de um senhor galego – Sr. Basílio, já falecido, a quem aqui presto homenagem –, no centro de Salvador, deparei-me com um jornal da Galiza, esquecido num balcão. Era um "tablóide" escrito em espanhol. Mas havia uma crônica em galego. Li, reli e sorri. E me encantei! Ora, apesar da ortografia e do léxico permeados de castelhanismos, aquilo ali era português. Um português que me parecia tocado por um dedinho de arcaísmo. Mas, mesmo assim, português legítimo. Meu interesse pelo galego e pela Galiza cresceram extraordinariamente. Mas, devido a evidentes dificuldades, raras vezes outro texto escrito em galego me chegou às mãos. Somente com o advento e da popularização da "internet", pude matar verdadeiramente as saudades. E me emaranhar nas disputas lingüísticas – não sei se assim posso dizer – que se travam no país, derredor do idioma. Desde cá, tomei partido da corrente liderada pela AGAL e pelo MDL. Afinal, o português nasceu na Galiza e nada mais é que uma modalidade do próprio galego. Mas nem tudo foi alegria: entristeci-me bastante com o processo de exaurimento da língua na própria terra em que ela surgiu, em decorrência de fatores que vocês, da Galiza, conhecem muito bem e aos quais, aqui, não preciso me referir.

PGL - Os cantores e cantoras que vêm tocar à Galiza mostram uma atitude divergente na hora de se dirigir ao público. O Chico César fá-lo em português enquanto Gilberto Gil em espanhol. Que tipo de mensagem poderíamos endereçar aos artistas do Brasil para lhes indicar que na Galiza não precisam traduzir-se?

No Brasil há a noção – tão difundida quanto equívoca – que de a Espanha é um todo homogêneo. Contam-se aos dedos algumas poucas almas que sabem que a Espanha reúne nações distintas e distintos falares, como, por exemplo, o catalão, o valenciano, o basco e o próprio galego-português. Chico César, nordestino como eu, certamente está entre estes últimos. Admira-me a postura de Gil, um compositor de renome internacional, Ministro da Cultura deste vasto Brasil, que bem sabe da satisfação e do prazer - intimidade, quiçá - que temos os brasileiros quando os artistas internacionais nos dirigem algumas palavras em português, a exemplo de Paul McCartney e Bonno Vox. Ele poderia fazer o mesmo na Galiza. Assim, creio que é bastante que os galegos se dirijam aos brasileiros na língua mãe, inclusive nas correspondências e ajustes empresariais. O s artistas brasileiros estariam à vontade para interagir com o público, sem precisar recorrer a uma língua a ambos os povos estrangeira. Mas creio que Gil merece um perdão: não poucas estrelas se nos chegam falando e dirigindo-se ao público brasileiro em espanhol, às vezes mesmo de um modo ininteligível a quem sabe bem o próprio espanhol ...

PGL - A Bahia foi o estado brasileiro que concentrou a maior parte da emigração galega para o Brasil. Sente-se ainda essa presença?

A Bahia, especialmente Salvador, deve imensamente aos galegos. Trata-se de gente muito culta, de grande força de vontade e espírito empreendedor, que se destaca em todos os campos de atividades. Todos mesmo. Aqui, os galegos e os seus descendentes, com muito esforço, conquistaram o próprio espaço, ganhando o respeito e a admiração dos baianos, que os prezam muito. Hoje, os galegos estão integrados à comunidade baiana e se sentem tão baianos quanto qualquer nativo, como eu. Mas creio que muitos entre os galegos de cá, sem que o sentissem, ou mesmo o soubessem, assimilaram, por difusão, a hegemonia do castelhana, de molde que as associações culturais de origem galega estão hoje empenhadas em divulgar o espanhol, em detrimento do falar galego, cujo estudo é fundamental para a própria compreensão do idioma que se fala no Brasil.

PGL - O Sítio http://www.contosdeterror.com.br/ é gerido polo nosso amigo Paulo Soriano. Como surgiu a ideia?

Adoro escrever, mas odeio revisar o que escrevo. Assim, depois de redigir um conto – Vila dos Andrajos, que, curiosamente, se passa nos lindes de Portugal com a Galiza –, recorri à ajuda de Waldir Santos, amigo e colega na Procuradoria da União, onde trabalho. Pois bem: ele gostou e passou a divulgar os meus contos entre seus amigos. Criou-se até uma jocosa comunidade no Orkut: "Escreva mais contos, Paulo Soriano". Portanto, a pedido de amigos, criei uma "home page", que evoluiu para o sítio, onde publico contos meus e de outros autores que se dedicam ao gênero do horror, do fantástico e do grotesco. Hoje, conto com a colaboração de gente muito talentosa, de diversos estados do Brasil, a exemplo de Rogério Silvério de Farias, Linx, Henry Evaristo e Alessandro Reiffer, dentre outros. E gostaria imensamente de contar com a colaboração dos amigos galegos. Fica aqui um convite e um pedido.

PGL - A narrativa de terror, seja através de contos, novelas ou romance, teve e tem um desenvolvimento importante no Brasil?

O cronista João Costa escreveu, com pertinência, que "é provável que não haja gênero literário de mais difícil construção e, não obstante, de maior tendência para ser intelectualmente discriminado quanto o sobrenatural. Muitos críticos consideram tal gênero um exercício intelectual de segunda ordem, aquém da profundidade e complexidades necessárias para, a partir dele, elaborar-se um verdadeiro clássico literário..." Talvez, justamente em razão dessa aura de preconceito que envolve o gênero, o horror e o fantástico praticamente não se desenvolveram no Brasil. É possível que muita gente talentosa, com receio de arranhar a própria reputação, não se tenha enveredo pelo sombrio. Entre os clássicos, Machado nos brindou com uma tradução de "O Corvo", poema imortal de Allan Pöe. Os brilhantes poetas Cruz e Souza e Augusto dos Anjos tinham um quê de fantástico ou de grotesco. Entre os prosadores, Aluísio de Azevedo nos legou com um conto maravilhoso, "Demônios". E praticamente ficamos por aqui. Modernamente, apenas André Vianco conseguiu publicar mais de cinco títulos em uma grande editora. Apesar deste cenário sombrio, há no Brasil muita gente talentosa dedicada ao horror, a exemplo dos jovens autores que já citei. Mas publicar em papel, por aqui, é tarefa quase impossível.

PGL -Num país como o Brasil onde o livro em formato papel tem preços além das possibilidades da maioria dos brasileiros e brasileiras, a Internet tem vindo a ser uma ferramenta poderosa para espalhar ideias e textos, não é?

É uma constatação amarga, mas iniludível: no Brasil, o livro é um objeto de luxo, ao alcance de muitos poucos. A evolução técnológi a na produção de livros é inversamente proporcional ao acesso da população a eles. É dizer, as editoras publicam ótimos exemplares, cada vez mais belos e sofisticados, para uma casta privilegiada: a dos que podem, sem sacrifício, desembolsar o equivalente a 30 ou 40 euros por uma brochura de trezentas a quatrocentas páginas. Ao seu turno, como já frisei, é tarefa quase impossível publicar no Brasil. Em se tratando de ficção, o mercado editorial vale-se essencialmente de traduções de autores estrangeiros consagrados. A Internet vem a ser, assim, de fato, uma ferramenta poderosa para disseminação de textos e idéias. Não houvesse tal ferramenta e, certamente, os meus contos não seriam conhecidos por mais de uma dúzia de pessoas. Para se ter uma idéia, somente no mês de outubro, o sítio "Contos Grotescos" contabilizou mais de mil acessos, sendo que um terço dos que abriram a página virtual a ela retornou para outras visitas.O que é mauito gratificante. Assim como eu, muitos outros autores, e também cientistas, se valem do meio cibernético para divulgação de sua obra, formando uma extensa malha de difusão e assimilação da literatura, da arte e do conhecimento. E há ainda sítios especializados na divulgação de trabalhos literários ou científicos, como é o caso do Recanto dos Autores, que congrega autores – profissionais ou não – das mais variadas tendências.

PGL -Gostava de deixar alguma mensagem, manifestar algum desejo para os galegos e galegas que venham a ler os seus relatos?

Aos galegos e galegas só tenho que agradecer muitíssimo a gentil acolhida, desejando-lhes muita paz. E reitero o convite para que participem do sítio "Contos Grotescos", inclusive com traduções, já que o próximo passo consite na publicação de clássicos da litertura de terror, através de versões originais, por respeito e amor aos direitos autorais. Não sei se meus textos estão à altura do povo galego, cuja cultura remonta a milênios.Sinceramente, creio que não. Mas os meus textos são despretensiosos. Se eu conseguir, aqui e ali, provocar "oh!" ou um friozinho na espinha, já me dou por satisfeito.

Faga já descarga da ediçom 13 da GZe-ditora:
http://www.agal-gz.org/modules.php?name=Downloads&d_op=getit&lid=150

Anteriores ediçons:
http://www.agal-gz.org/modules.php?name=News&new_topic=14

Mais descargas:
http://www.agal-gz.org/modules.php?name=Downloads

Paulo Soriano


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