Xuventude.net. O noso mellor portal de información

  PGL - agal-gz.org - Ano VI - Época 2007/08Olá Visitante!  [sair]
Nome: Senha:  Conta   
Capa do Portal Galego da Língua
Pesquisa: Co-eDescargasA sua ContaEnviar Notícias100 Principais
 Num Clique!
Dicionário Estraviz Electrónico
Planeta NH => Aprende Jogando !!!
Blogues agal-gz
Fórum PGL
GZe-ditora
Cantigas Trovadorescas -em linha-
Falar com Jeito
Dicionário de Fraseologia
Isso não é galego, é português
Revista PortuGaliza

 Canais
   Capa do PGL Capa do PGL
   Mapa do Sítio Mapa do Sítio
   Acessibilidade Modo de Texto
   Pesquisa Avançada Pesquisa Avançada

   Corporativo AGAL Corporativo AGAL :
· AGAL
· Publicações
· Revista Agália
· Aplicativos
· Campanhas

   Notícias PGL Notícias PGL :
· Notícias por Temas
· Histórico Notícias
· Galeria PGL
· Iniciativas em Positivo
· Inquéritos
· PGL no seu sítio
· Enviar Notícias

   Comunidade PGL Comunidade PGL :
· Registre-se
· A Sua Conta
· Mensagens Privadas
· Lista de Membros
· Bate-Papo
· Livro de Visitas
· Boletim agal-gz
· Ligações
· Recomende-nos!

   Formaçom Formaçom :
· Tira-dúvidas
· Enciclopédia
· Falar com Jeito


Reportagens Entrevista com Sofia Mendes, professora de língua e cultura portuguesa na Universidade de Cork (Irlanda)
Sexta, 10 Novembro 2006 (6:05)

Encarregada das áreas de língua e cultura portuguesa na Universidade irlandesa de Cork (UCC) desde hai dez anos, Sofia Mendes é umha boa conhecedora da Galiza e da sua realidade. De facto, já tem realizado múltiplas actividades conjuntas com o Centro de Estudos Galegos dessa universidade, situado porta com porta com o seu gabinete. [...+]

PGL – Beirã de nascimento e docente de português no estrangeiro mas, quando foi que ouviu o nome da Galiza por primeira vez?

Não recordo com precisão, mas foi, sem dúvida, no contexto da História da Literatura Portuguesa e dos Cancioneiros, o que, na minha época, se estudava talvez no sétimo ou oitavo ano de escolaridade; devia ter eu treze ou catorze anos de idade.

PGL – Mas a Galiza seria algo teórico, ignoto, do passado...

Sim, sim, sem dúvida. Nessa altura para mim a Galiza era tão distante como os próprios Cancioneiros.

PGL – A sua descoberta “real” da Galiza, foi na Irlanda?

Foi. No departamento que me acolhe, o Departamento de Estudos Hispânicos da Universidade de Cork, a língua portuguesa coexiste ao lado do galego e do catalão, bem como, se bem que não ao mesmo nível, ao lado do espanhol. Ao longo do meu percurso académico tinha ouvido falar do galego como língua, tinha inclusivamente estudado características do galego como variante do português. Contudo, sendo natural da Beira Alta, geograficamente afastada da Galiza, nunca tinha ouvido ninguém falar galego... em nenhum contexto. Para mim, tudo o que estava para além dos limites territoriais portugueses era Espanha e a língua espanhola: os caramelos ‘Solano’, o torrão e as bonecas que nos punham no sapatinho (sim, essas também falavam espanhol!). Portanto, a descoberta da Galiza passou pela descoberta do galego.

PGL – Trás já quase mais de dez anos de docência no estrangeiro, como vê o futuro do português, a sua projecçom, nas universidades do exterior?

Nesse aspecto continuo a ser um bocado pessimista. Penso que o português como língua estrangeira se quis aproveitar da logística estabelecida pelo espanhol e acabou por ficar aí encurralado. Não posso generalizar, porque não tenho dados para isso, mas, em muitos casos, o português continua a ser ensinado como língua estrangeira dentro de departamentos disfarçados sob a designação de “hispânico” ou “espanhol e português”, ou “espanhol e lusófono”, onde o espanhol é, por assim dizer, a língua principal e o português aparece como uma espécie de opção. Ora, do ponto de vista da imagem, isto não beneficia o português mas, e uma vez que o governo português, ou os sucessivos governos portugueses, não fizeram investimentos consideráveis nesta área, a politica continua a ser a do “comer e calar”, como se diz em linguagem familiar. De qualquer forma, pessoalmente, e porque tenho necessidade de justificar o meu trabalho, entre o estar sob a alçada de um departamento como o que descrevi anteriormente (de estudos hispânicos) e o não ter qualquer tipo de representação, prefiro a representação, claro! Onde o futuro nos leva, não sei. Espero que o Brasil consiga em breve a notoriedade de grande potência mundial para arrastar consigo a projecção da língua...

PGL – Quantos alunos cursam língua e cultura portuguesas num lugar como Cork? Quais som exactamente os cursos que administra?

O curso está dividido em quatro módulos, ou disciplinas: Língua Portuguesa I, Língua Portuguesa II, Estudos Portugueses I e Estudos Portugueses II. Uma das vantagens de não depender de nenhuma instituição portuguesa é que também não me vejo obrigada a seguir nenhum programa pré-estabelecido e tenho uma certa licença diplomática para fazer aquilo que quero. Evidentemente, nas disciplinas de língua dá-se a iniciação à língua, uma iniciação absoluta, já que aqui o conhecimento e o contacto com a língua e cultura portuguesas é praticamente nulo. As disciplinas de estudos portugueses são dadas em inglês e estão pensadas para alunos que não têm necessariamente conhecimento da língua. A primeira parte (Estudos Portugueses I) parte da actualidade portuguesa e procura interpretar essa actualidade à luz do passado: as origens, a formação do território, os Descobrimentos; digamos que o tom é ascendente... Na segunda parte (Estudos Portugueses II), o tom é digamos... descendente. Fala-se ainda da questão de identidade, do Portugal pós-descobrimentos, do advento do constitucionalismo, da república, da ditadura. Evidentemente, não se trata só de História, mas também de Geografia, Literatura, Folclore, enfim, aquela coisa tão ampla e vasta a que se chama cultura.

PGL – Você tem participado numha série de actividades conjuntas com o Centro de Estudos Galegos da UCC. Acha que seria positivo um maior achegamento, em geral, entre os centros de estudos galegos e leitorados de português à hora de aproveitar sinergias e partilhar recursos?

Sim, sem dúvida.

PGL – Poderia Cork ser exemplo dum relacionamento mais natural e fluido?

Cork não pretende ser exemplo de nada. Este relacionamento é fluido a nível profissional, porque também o é a nível pessoal. As pessoas são seres estranhos, não sou a primeira, nem vou ser a última a dizê-lo. Se calhar, se tivéssemos “ordens” para fazer certas coisas, não as fazíamos e, neste caso, a ausência do tal “livro de instruções” acabou por despertar em nós essa coisa fabulosa que todos temos, que às vezes consideramos perdida, que se chama iniciativa pessoal.

PGL – No centro galego de Cork já estivo a trabalhar o último “Prémio Esquio” de poesia galega, Martín Veiga. Como avalia o contacto com os colegas galegos ao longo destes anos?

Muito enriquecedor, tanto a nível profissional como pessoal. Como já expliquei acima, foi através dos “galegos de Cork” que tomei contacto com a língua e cultura galegas e, só por isso, o adjectivo enriquecedor já se justifica. Mas tive, além disso, a sorte de conhecer pessoas tão extraordinárias como o Martín.

PGL – Acha que galegos e portugueses estám a desperdiçar algo polo desconhecimento mutuo, tanto a nível social e cultural como institucional?

O desconhecimento e a ignorância são sempre um desperdício... de recursos, de energia, de talentos... Mas o ser humano é curioso. A curiosidade é, aliás, uma das chaves do desenvolvimento. Como tal, a situação que descreve só pode ser classificada de anormal. Quando é que deixamos de ser curiosos? Bem, quando desistimos de querer saber, que é o pior que nos pode acontecer, ou quando pensamos que já sabemos tudo. Esta última é, na minha opinião, a situação vivida entre a Galiza e Portugal: a Galiza sabe que Portugal é esse sítio onde se vai comprar toalhas e comer bacalhau, e já não é pouco; e Portugal sabe que a Galiza é essa “região de Espanha” onde vivem “nuestros hermanos” e onde vai fazer compras ao fim-de-semana no ‘El Corte Inglés’. Isto também é verdade, mas não é toda a verdade.

PGL – Portugal na Galiza é sempre um referente, para bem ou para mal, mas a Galiza em Portugal e muitas vezes totalmente desconhecida. Que lhe pode interessar a um português da Galiza? Na sua opiniom, como se poderia achegar a Galiza a Portugal dumha forma mais efectiva?

Bem, pegando no que dizia anteriormente, para já, fazer compras no ‘El Corte Inglés’ não está nada mal [risos] Até porque, como eu, muitos portugueses cresceram com essa impressão de que fazer compras “em Espanha” é sempre muito melhor. Para além disso, honestamente, não sei. Não espero, nem devem esperar os galegos, que, um belo dia, os portugueses se sintam todos entusiasmados com as afinidades linguísticas e culturais entre a Galiza e Portugal. Quanto à dita “admiração” ou “exemplo” que se faz de Portugal na Galiza, digo-lhe que os portugueses têm um complexo de inferioridade tão grande, que nem sequer admitem que, do outro lado, possa haver alguém que os “admira”. De qualquer forma, acho que há agora um pouco mais de abertura de ambas as partes. Mas o momento é capaz de ser delicado. Tenho a impressão que a juventude galega está cada vez mais espanholizada e a juventude portuguesa mais “alisboetada”. Se para um lisboeta já é difícil entender um beirão, imagine entender um galego!

PGL – De novo, ajudaria algo a ambos países se a Xunta [Governo Galego] e instituiçons portuguesas pudessem trabalhar em conjunto?

Visto que os “anónimos” não estão a conseguir resultados...

PGL – Na universidade de Cork tenhem-se feito actividades promocionais conjuntas da Galiza e Portugal orientadas aos estudantes irlandeses. Considera que isto foi entendido e teve resultados à hora de encaminhá-los cara os estudos galego-portugueses?

Eu acho que sim. Como em qualquer outra área de divulgação, porque considero que o que fazemos é divulgação, tenho a certeza que não vamos chegar a toda a gente, porque há pessoas que simplesmente não querem aprender... nada! Para além disso, há muita contra-informação, muitos preconceitos que é preciso desfazer, enfim. Mas temos que nos concentrar naqueles que estão interessados, sejam eles um ou mil. Como diz o muito citado verso de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

PGL – Teria algum sentido para você a incorporaçom da Galiza à CPLP?

Para mim, sim. Para mim, faz tanto sentido ter incorporado na CPLP a Galiza, como ter o Brasil. A nível linguístico, numa análise desprovida de qualquer preconceito, tão português é o português do Brasil, como o da Galiza, ou vice-versa, tão galego é o galego do Brasil, como o de Portugal. Esse é o problema! Para mim, o que acabo de dizer tem sentido, para o maior parte dos portugueses digo-lhe já que não. As mentalidades custam a mudar, a dos portugueses ainda mais. Realmente penso que ainda não saímos da Época dos Descobrimentos e que a lista de países incorporados na CPLP é disso mesmo testemunho!

PGL – Por último, como conheceu o ‘Portal Galego da Língua’?

Recomendação de um amigo.



[ Voltar | 4 comentário(s)]


 
 Relacionado
· Mais em Reportagens

Os artigos mais lidos em Reportagens:
Fundamental trabalho sobre gírias galegas merece sobressaliente cum laude


 Pontuaçom
Pontuaçom Média: 5
Votos: 11


Vote neste artigo:

Excelente
Mui bom
Bom
Regular
Mau



 Opções

 Imprimir  Imprimir

 Envie este artigo a um(ha) amigo(a)  Envie este artigo a um(ha) amigo(a)


Conselho de Redacçom do PGL Conselho de Redacçom do PGL
Termos de uso legal Termos de uso legal  Privacidade e protecçom de dados Privacidade e protecçom de dados.
Pode usar as nossas notícias adaptando manualmente os ficheiros backend.php e ultramode.txt;
ou copiando a directiva criada automaticamente no Easynews do PGL.

Copyright © 2002, 2004, PGL.
É permitida a reproduçom total ou parcial do conteúdo do PGL sempre que se citar a fonte.
As notícias assinadas e comentários som responsabilidade dos seus autores.

Os direitos de cópia do código do motor do sítio web estám reservados por PHP-Nuke (Copyright © 2003).
PHP-Nuke é um programa de livre distribuiçom lançado sob a licença GNU/GPL.

Geraçom da Página: 0.202 Segundos