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Instituição estaria já em processo de constituição e visaria facilitar a incorporação da Galiza à Lusofonia
Ângelo Cristóvão.- O V Colóquio Anual da Lusofonia, que teve por título «Do Reino da Galiza aos nossos dias: a Língua Portuguesa na Galiza», foi o lugar escolhido pelo professor Martinho Montero Santalha, catedrático da Universidade de Vigo, para expor e defender a ideia da criação da «Academia Galega da Língua Portuguesa». {+...]
Foi a Quarta-feira, 4 de Outubro, ao completarem-se os 100 anos da criação da Real Academia Galega, que Martinho Montero Santalha lançou a ideia da constituição de uma academia galega da língua que facilite a incorporação da Galiza à lusofonia. Entre os motivos expostos pelo professor para esta iniciativa, indica dois principais: a impossibilidade de colaboração com a Real Academia Galega – que, no seu entender, nas últimas décadas adoptou um modelo castelhanizante para o galego –, e a necessidade de a Galiza ter uma instituição capaz de a representar na CPLP e noutros organismos internacionais.
Não esqueceu o professor de tratar os possíveis «obstáculos para uma iniciativa deste tipo», como os relativos a questões legais e organizativas. Contudo, considera que podem ser ultrapassados se houver vontade e compromisso com o projecto. Neste sentido fez um chamamento à participação, sem exclusões.
O debate registou nove intervenções do público, a maior parte a favor da iniciativa, enquanto outras, como a do professor Xosé Ramón Freixeiro Mato, apresentaram reticências. A questão mais discutida foi a pertinência do nome da instituição. A respeito disto salientamos algumas respostas de Montero Santalha:
«Continuar a falar de galego é um dos grandes problemas, eu creio que é um dos grandes erros continuar a chamar ao galego língua galega, porque nada ganhamos com isso e perdemos muitíssimo. Quer dizer, chamar-lhe galego por que? Por manter o nosso orgulho? Tiveram o mesmo problema os brasileiros, que utilizaram durante algum tempo no nome língua nacional, por não chamar-lhe língua portuguesa. Todo o mundo lhe chama língua portuguesa».
«A palavra tem uma força terrível, quero dizer, as palavras. Então, chamar-lhe língua galega ao que é língua portuguesa da Galiza para todo o âmbito lusófono é uma maneira de enganá-los, porque é uma maneira de fazer-lhes ver que isso não tem nada a ver com eles. Porque não se chama língua brasileira: chama-se língua portuguesa do Brasil. De modo que esta é uma das causas... Temos que ter uma instituição que para o resto do mundo lusófono seja claramente lusófona: língua portuguesa da Galiza, não língua galega. Esta é precisamente uma das causas de fazer-se [a Academia]».
A organização do Colóquio disponibiliza a comunicação do professor galego, mais uma transcrição da palestra, que inclui a «exposição de motivos» mais o interessante debate produzido. A gravação do som pode ouvir-se na página web da Versão Original.
Nota do PGL: Nos documentos anexos a este artigo, bem como nos sites de Lusografia.org e Versão Original, pode-se descarregar o texto Um novo projecto: a «Academia Galega da Língua portuguesa» (em processo de constituição), José-Martinho Montero Santalha; e, ainda, a transcrição (parcial) da "Exposição de motivos para a criação da Academia da Língua Portuguesa" e do debate posterior [por Ângelo Cristóvão].
Pequena Biografia do Catedrático José-Martinho Montero Santalha
José-Martinho Montero Santalha nasceu em Cerdido (Galiza) em 1941. Frequentou o Seminário de Mondonhedo e, em Itália, realizou estudos de Teologia e Filosofia (Universidade Gregoriana de Roma). Doutorou-se em Filologia com uma tese sobre as rimas da poesia trovadoresca (em 2000, Universidade da Corunha).
Muito cedo aderiu aos movimentos a prol da reintegração linguística, convertendo-se num dos principais promotores. Durante a sua estadia em Roma (1965-1974) participou no grupo “Os Irmandinhos”, preocupados pela recuperação do galego na liturgia e na sociedade em geral. Nessa altura foi um dos assinantes do “Manifesto para a supervivência da cultura galega”, publicado na revista Seara Nova (dirigida por Rodrigues Lapa) em Setembro de 1974. A começos da década de 80 participou na fundação de diversas associações culturais galegas, como as Irmandades da Fala, Associaçom Galega da Língua e Associação de Amizade Galiza-Portugal.
Tem publicado numerosos estudos em diversas revistas e congressos internacionais, sendo um dos autores mais prolíficos e respeitados da Galiza lusófona. Actualmente é catedrático de Língua e Literatura galega na Universidade de Vigo (Campus de Ponte Vedra).
Alguns dos seus textos mais representativos são:
Directrices para a reintegración lingüística galego-portuguesa. Ferrol, 1979.
Método Prático de Língua Galego-Portuguesa. Ourense: Galiza Editora, 1983.
Carvalho Calero e a sua obra. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 1993.
«A lusofonia e a língua portuguesa da Galiza: dificuldades do presente e tarefas para o futuro». Temas de O Ensino de Linguística, Sociolinguística e Literatura, Ponte Vedra-Braga, Vol. VII-IV, nums. 27-38 (1991-1994), pp. 137-149. Na internet: aqui ou aqui.
Oxalá voltassem tempos idos! Memórias de Filipe de Amância, pajem de Dom Merlim. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 1994.
As rimas da poesia trovadoresca galego-portuguesa: catálogo e análise. Corunha: Universidade da Corunha, Faculdade de Filologia, 2000, 3 volumes, 1796 pp. (Tese de Doutoramento).
Mais informação acerca do V Colóquio da Lusofonia:
No PGL
+ Sucesso do V Colóquio Anual da Lusofonia.
+ Rádio Brigantia divulga questão da língua na Galiza.
+ Representante da Junta defendeu unidade da língua na sessão de abertura do V Colóquio da Lusofonia.
+ Começa o «V Colóquio da Lusofonia» em Bragança.
+ V Colóquio Anual da Lusofonia inclui concertos de música.
+ Uma nova ambição: V Colóquio da Lusofonia em Bragança.
+ Galiza protagonizará 5º Colóquio Anual da Lusofonia.
Noutros sites
+ Página Oficial do Colóquio.
+ Lusografia.
+ Intervenção de Xosé Carlos Sierra, delegado em Ourense da Consellería de Cultura e Deporte da Xunta de Galicia, em Versão Original.
+ Notícia sobre o V Colóquio da Lusofonia, Bragança, 2-4 Outubro 2006. Com fragmentos de entrevistas aos organizadores, Chrys Chrystello e Ângelo Cristóvão, em Versão Original.
+ Palestra de José-Martinho Montero Santalha e debate posterior, "Um novo repto: A Academia Galega da Língua Portuguesa", em Versão Original.
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