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Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P) e Movimento Defesa da Língua (MDL) são as entidades promotoras
AAG-P.- «Pela Unidade da Língua. Campanha de assinaturas em apoio da petição ao Parlamento Europeu», sob este título os colectivos Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P) e Movimento Defesa da Língua (MDL) promovem uma petição, aberta a outras associações e pessoas, em que se solicita «Que as instituições europeias se abstenham de promover a segregação linguística das minorias nacionais, e seja reafirmada a unidade da língua portuguesa, nacional ou oficial na Galiza, Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Lorosae». Aliás, o galego já é oficial na União Europeia, como demonstraram na prática os europarlamentários galegos José Posada e Camilo Nogueira. [+...]
PETIÇÃO AO PARLAMENTO EUROPEU
Ex.mos senhores:
As associações culturais e cidadãos assinantes, tendo conhecimento de uma
decisão das instituições europeias em que se admitiu a possibilidade de
utilização, de forma oficial e em determinadas circunstâncias, do "galego"
como língua diferenciada da conhecida internacionalmente como língua
portuguesa,
MANIFESTAMOS:
A língua da Galiza, ou galego, sob o nome de português, já é língua oficial
do Parlamento Europeu, e os cidadãos espanhóis lusófonos que se reconheçam
como tais podem usá-la nas instituições europeias. Um claro exemplo é o
representado pelos ex-deputados galegos que, durante as anteriores
legislaturas, decidiram usar, oralmente e por escrito, a língua da Galiza
nas suas intervenções: os Sres. José Posada e Camilo Nogueira (ver:
«O galego entre as línguas europeas»), que falaram e
escreveram habitualmente o português com sotaque e léxico da Galiza, foram
traduzidos para as outras línguas pelos funcionários que no Parlamento
Europeu realizam traduções da língua portuguesa. Em consequência, os
representantes europeus dos estados espanhol e português têm a obriga, por
respeito aos seus respetivos cidadãos, de chegar a um acordo sobre os usos
do português nas instituições europeias.
A pertença da Galiza ao âmbito linguístico lusófono foi reconhecida em
documentos internacionais, aquando a realização dos Encontros de Unificação
Ortográfica do Rio de Janeiro (1986) e Lisboa (1990), em que a Comissão
Galega do Acordo Ortográfico -integrada por entidades não governamentais com
capacidade legal para decidirem em questões de ortografia-, foi convidada
oficialmente para participar, como observadora, nas citadas reuniões, tendo
participado na elaboração dos citados Acordos e aderido aos documentos
oficialmente aprovados, junto das delegações dos países de língua oficial
portuguesa na altura: Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau,
Moçambique e São Tomé.
Nenhum organismo científico internacional de prestígio defende a existência
de uma "língua galega" divergente da portuguesa. Os mais importantes
investigadores do âmbito românico, inclusos os portugueses e brasileiros,
fazem parte da corrente linguística que reconhece a unidade estrutural do
galego e o português. Um caso parelelo é o do catalão, por vezes denominado
"valenciano" em Valência, sem por isso deixar de ser a mesma língua. Neste
sentido, as diferenças entre o português da Galiza e o de Portugal ou do
Brasil são semelhantes às que podemos observar entre o inglês europeu e o
americano; o neerlandês de Flandres e o de Holanda; o alemão da Suíça e o
alemão padrão, o que nunca originou o reconhecimento oficial de novas
línguas diferenciadas.
O artigo IV.10 do projeto da Constituição Europeia, modificado por uma
iniciativa do governo espanhol, favorece a consideração parcial da
oficialidade do galego como língua diferente da portuguesa, o que representa
um atentado contra a unidade desta língua. Implica também um intento de
agressão contra os direitos civis e a dignidade dos cidadãos galegos, a cuja
língua se aplica um critério que não seria admitido para nenhuma outra
língua europeia.
Os organismos europeus que adoptaram tal decisão, ao legitimarem o
separatismo linguístico do galego, não estão a reconhecer nenhum novo
direito aos cidadãos espanhóis da Comunidade Autónoma da Galiza -que já
podiam endereçar-se às instituições europeias na sua língua-, mas favorecem
os interesses expansionistas do castelhano em prejuízo da lusofonia da
Galiza, e abre o caminho para a desagregação de línguas nacionais faladas em
diferentes estados. Assim qualquer governo com aspirações nacionalistas
poderia promover a divisão do alemão, o italiano, o neerlandês, o francês ou
o romeno, línguas que poderiam correr o mesmo risco.
Julgamos que as instituições europeias têm, entre as suas missões, a defesa
do património cultural dos povos europeus e que, neste sentido, devem
considerar todas as línguas sob os mesmos critérios, sem distinção; que deve
agir à margem do nacionalismo dos estados (que infelizmente caracterizou a
história do século XX); que não deve admitir a discriminação dos cidadãos em
função da língua, que deve proteger as minorias linguísticas e nacionais em
territórios de outros estados.
Consideramos, em definitivo, que o Parlamento Europeu não deve favorecer uma
política linguística que promova de uma forma tão visível, tão nítida, os
interesses de um estado (o Reino da Espanha) prejudicando os de uma minoria
nacional (a Galiza), de um estado vizinho (a República de Portugal) e do
conjunto da lusofonia.
Por tudo isto, os abaixo-assinantes, no exercício do direito de petição
SOLICITAMOS:
Que as instituições europeias se abstenham de promover a segregação
linguística das minorias nacionais, e seja reafirmada a unidade da língua
portuguesa, nacional ou oficial na Galiza, Portugal, Brasil, Angola, Cabo
Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Lorosae.~
Ligação relacionada:
Petição ao Parlamento Europeu
promovida pelos colectivos de defesa da língua AAG-P e MDL
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