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«O que é a Lusofonia. Gente, Culturas, Terras»
A história de Timor-Leste não pode ser separada da história dos portugueses. Mesmo antes de estes chegarem a Timor, no início do século XVI, havia já chineses, malaios e javaneses que vinham negociar nas praias de Timor e devemos aos chineses os primeiros registos escritos mencionando o nome de Timor, como um lugar com grande abundância de sândalo, mas quem estabeleceu raízes mais fundas aqui foram os portugueses, principalmente os missionários que vieram para cá viver séculos antes do estabelecimento de uma administração colonial.
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A presença portuguesa teve uma fortíssima influência sobre a vida dos timorenses nos mais variados aspectos. Iremos ver aqui os aspectos da língua, cultura, arte (músicas, artes marciais). O livro “O QUE É A LUSOFONIA”, que foi escrito pelo professor João Paulo Esperança, Triana Corte-Real de Oliveira, Irta Araújo, Icha Bossa e Clara da Silva, com edição do Instituto Camões – Centro de Língua Portuguesa de Díli, e que terá o seu lançamento oficial hoje, sexta-feira, 15 de Abril pode servir como um testemunho sobre a presença dos portugueses por aqui.
A história de Timor-Leste não pode ser separada da história dos portugueses. Mesmo antes de estes chegarem a Timor, no início do século XVI, havia já chineses, malaios e javaneses que vinham negociar nas praias de Timor e devemos aos chineses os primeiros registos escritos mencionando o nome de Timor, como um lugar com grande abundância de sândalo, mas quem estabeleceu raízes mais fundas aqui foram os portugueses, principalmente os missionários que vieram para cá viver séculos antes do estabelecimento de uma administração colonial.
A presença portuguesa teve uma fortíssima influência sobre a vida dos timorenses nos mais variados aspectos. Iremos ver aqui os aspectos da língua, cultura, arte (músicas, artes marciais). O livro “O QUE É A LUSOFONIA”, que foi escrito pelo professor João Paulo Esperança, Triana Corte-Real de Oliveira, Irta Araújo, Icha Bossa e Clara da Silva, com edição do Instituto Camões – Centro de Língua Portuguesa de Díli, e que terá o seu lançamento oficial hoje, sexta-feira, 15 de Abril pode servir como um testemunho sobre a presença dos portugueses por aqui.
O livro, cujo lançamento decorrerá no Liceu (Auditório da FCE), UNTL, começa com um texto sobre o significado da lusofonia. Alguns de nós timorenses pensamos que a lusofonia significa apenas as nações que escolheram o português como língua oficial. Quando se menciona a lusofonia, pensamos imediatamente na CPLP. Esquecemos aquelas terras onde mesmo que o português não seja a língua oficial, esta língua é usada no quotidiano, ou pelos menos as pessoas falam um crioulo de base lexical portuguesa. Poderemos também mencionar a história, tradições e cultura portuguesa. Por todos estas terras existem factores semelhantes, ou aproximados, e que constituem a chave para compreender a lusofonia actual (“O que é a Lusofonia”, p.4). Estes factores podem constituir um tesouro comum para reforçar entre todos nós a amizade e a cooperação para o desenvolvimento.
Esta obre bilingue, em português e tétum, fala sobre vários temas, como por exemplo o poeta da resistência Manuel Alegre que deu a sua contribuição na luta contra o regime ditatorial através da sua poesia. Na luta da resistência de Timor, podemos mencionar Francisco Borja da Costa e Xanana Gusmão como exemplos. Conta-nos sobre o que foi o 25 de Abril e o processo da Revolução dos Cravos, sobre o papel fundamental de Ruy Cinatti para Timor… Por outro lado, o livro também apresenta o perfil de Luís Cardoso, o maior escritor timorense, de um grande linguista australiano, Geoffrey Hull, e do seu papel no desenvolvimento do tétum, e ainda do linguista timorense Benjamim Corte-Real. O livro não se esquece de contar brevemente a vida de Leandro e Leonardo, cantores do Brasil favoritos em Timor. Há outras músicas que ultimamente estão sempre a ser tocadas nas nossas festas como “Autocarro 45”, “Garina”, “Sofia Rosa”, etc, mas que não sabíamos de onde vinham, pois podemos agora encontrar a resposta neste livro.
Além disto, esta obra é importante porque fala da literatura de Timor. Os autores desta colectânea não se referem apenas aos autores timorenses, mas dão também informação sobre aqueles “malais” que fizeram de Timor assunto literário. Não se esquecem ainda de falar sobre artes marciais oriundas das nações da lusofonia e a sua história, como o Jogo do Pau, um sistema combate tradicional de Portugal. Esta é uma arte marcial que usa um pau comprido com diversas técnicas de defesa e ataque contra os adversários. Outra arte marcial é a capoeira, originária do Brasil. E há muitos outros dados importantes escritos neste livro. Aqui podemos apenas dar uma imagem geral, será melhor se os senhores lerem vós próprios a obra. Por último, quero apenas deixar como mensagem que este é um livro importante para cada pessoa ler de forma a alargar os nossos horizontes sobre Timor e sobre as nações que fazem parte da Lusofonia.
por Hercus Pereira dos Santos
publicado em port. e tetum no jornal “Lia Foun” (Timor), 15 de Abril de 2005
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