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Válido para quaisquer profissionais que trabalhem com as indústrias da língua
PGL.- Uma das áreas onde o processo de substituição linguística decorrente na Galiza se torna mais evidente é o das frases feitas. Num contexto adequado, a transmissão das mesmas produz-se quer através das relações pessoais (família, amigos...) quer através de instituições, nomeadamente os média e a literatura. [+...]
Na Galiza, como é sabido, a transmissão familiar da nossa língua está-se quebrando. Por sua parte, os média que a maioria dos falantes utiliza estão redigidos em espanhol e os poucos que o fazem na nossa língua não sobranceiam pela sua responsabilidade na hora de cultivar uma Língua, ficando, sim, a molengar no Dialecto. Por fim, quanto à literatura ou quaisquer meios escritos, as próprias elites que se dizem galegas não foram capazes, por enquanto, de fazer desnecessário o espanhol em áreas onde é factível fazê-lo (P.e. como filtro para aceder à literatura estrangeira ou a ensaios de referência) renunciando assim a mostrar uma outra via ao resto da população.
Tudo isto tem dado como resultado, no terreno fraseológico, o decalque sistemático. Decalque é definido pelos dicionários como: acto de copiar; imitação, plágio ou também qualquer imagem que lembre aquela obtida pelo decalque.
O pior dos decalques é que, ou bem existe uma inconsciência dos mesmos, ou bem existe uma consciência acompanhada de despreocupação, afinal a Língua é o espanhol e o dialecto o que faz é adaptar-se ao molde que se lhe oferece. Uma das últimas campanhas que nos oferece a Conselharia de Meio Ambiente leva como lema: "Co vidro non te comas o tarro". Um recente artigo aparecido em www.vieiros.com dizia algo assim como "eu tamén fixen os meus piñeiriños co LH".
Uma das regras que não se costuma mencionar mas que vira evidente desde que queiramos vê-lo é que Tudo, absolutamente tudo, o que é espanhol pode ser decalcado.
Ainda, se as pessoas que estão a ler este texto tiverem vontade podem fazer uma pesquisa esclarecedora sem se afastar do seu computador. Pensem nos decalques mais flagrantes. Nós propomos os seguintes: a bocaxarro, a raxatabla, escurrir o bulto, dirixir o cotarro, entre comiñas. Digitem no www.google.com alguma destas frases colocando-as entre aspas e certeza que aparecerão textos que as recolham.
De resto, o dicionário, sem pretender um grande apuramento que nem sempre é fácil, informa daqueles verbetes do ponto de vista dialectal, quer do Brasil, quer de Portugal, quer da Galiza.
Embora o nosso alvo primeiro seja a cidadania galega, esperamos que o trabalho seja de utilidade também para alunos/as, professores/as de português desde o espanhol bem como de espanhol desde o português, tradutores/as e outros profissionais das indústrias da língua.
No co-e frases@agal-gz.org, as pessoas que nos visitem poderão deitar sugestões, comentários, críticas, pedidos, etc. pois este dicionário está muito longe de estar fechado. As 1.785 verbetes que recolhe na actualidade serão acrescentadas muitas outras na construção de um pequeno tesouro ao serviço da cidadania galega.
Iván Fontão Bestilheiro
Valentim R. Fagim
Nota: Registre-se, caso nom esteja, terá muitas vantagens, e acederá o Dicionário de Fraseologia, desde o canal geral Enciclopédia. É de graça!
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