Falar com Jeito 25.- Temporão / Temporário / Temporal Pelo Professor Fernando Vázquez Corredoira

- Eram muito novos, foi um casamento temporão.
- É apenas um trabalho temporário.
- O temporal derrubou várias árvores.
- Retirou-se da vida temporal.
- Interessa-se pela língua ao longo da sua evolução temporal.
Temporã(o) diz-se de qualquer cousa que vem ou ocorre antes do tempo que lhe é próprio. É sinónimo de PRECOCE ou PREMATURO e contrário de TARDIO/SERÔDIO. Usa-se muito com frutos: figos/pêssegos/maçãs... temporã(o)s
Note-se que, em castelhano, "temprano" tanto é adjectivo (como em português) como advérbio: "Es temprano; "por la mañana temprano".
Neste último caso nós dizemos cedo.
Repare-se que cedo equivale a não só a "temprano" mas também, com frequência, a "pronto":
Ainda é cedo, vou dormir um pouquinho mais (são 7 horas).(cast.:"temprano")
Ainda é cedo para se darem as notas (estamos em Março).(cast.:"pronto")
Algumas expressões com cedo:
Cedo ou tarde havemos de saber a verdade.[note-se a sequência]
Quando? Pois o mais cedo possível (= logo que possível).
Ergueu-se de manhã cedo, fez ginástica e fumou um cigarro.
II. Temporário tem como sinónimos PROVISÓRIO, INTERINO ou PASSAGEIRO. DEFINITIVO é, nalguns contextos, o contrário.
Como cogumelos, surgiram inúmeras empresas de trabalho temporário.
Suspendeu os trabalhos temporariamente.
É um empréstimo, só a título temporário.
III. Um temporal é uma TEMPESTADE.
IV. Como adjectivo, temporal significa (1) SECULAR, MUNDANO e também (2) relativo ao tempo cronológico:
- O conflito entre o poder temporal
(=secular) e o poder espiritual.
- Sofre desorientação temporal
.
No primeiro sentido, fala-se de poder/autoridade/vida temporal, em oposição a poder/autoridade/vida espiritual. O segundo remete para a noção de tempo cronológico.
Contraste entre temporal (1 e 2) e temporário(a):
O autócrata concentrava o poder temporal e espiritual nas suas mãos.
Sofre desorientação espacial e temporal (noção de tempo).
Sofre uma desorientação temporária (= passageira).
Fernando Vázquez Corredoira (Corunha, 1965)
É licenciado em Filologia Galego-Portuguesa pola Universidade da Corunha onde fijo, também, os Cursos de pós-graduaçom.
Frequentou o Curso de Língua e Cultura Portuguesas para Estrangeiros na Universidade Clássica de Lisboa e o Curso de Formaçom de Professores de Português, Língua estrangeira, na Universidade do Porto.
Foi Professor na Universidade Federal de Goiás (Goiânia-Brasil). Trabalhou na Escola de Língua de Ourense e na actualidade trabalha na de Ponte Vedra.
Tem colaborações e trabalhos sobre temas de Língua Galego-Portuguesa em publicações periódicas da Galiza, Portugal e o Brasil, entre os quais "A Melhor Orthographia" (Língua e Cultura, Sociedade da Língua Portuguesa, 1997), "Cultismos Estranhos" (Agália, 1998), A Construção da Língua Portuguesa (Laiovento, 1998), "A Questão da Ortografia. Poder, Impotência e Argalhadas" (Análise Empresarial, 2001).

Copyright & cópia; de Portal Galego da Língua Todos os direitos reservados. Publicado em: 2005-04-19 (1332 visitas)  [ Voltar ] |