Falar com Jeito 5.- Solicitude / Pedido Pelo Professor Fernando Vázquez Corredoira

Cada ano, no início do curso académico é distribuído entre as alunas e os alunos das Escolas Oficiais de Idiomas da Galiza uma espécie de formulário em cujo cabeçalho se lê “Solicitude de Translado de Grupo”. Eis um flagrante exemplo que ilustra o queríamos dizer na Apresentação de “Falar com Jeito”, quando escrevíamos que “tudo ou quase tudo pode passar por galego”: pega-se na fórmula espanhola tal qual, adapta-se ao “galego” (ou seja, troca-se um j por um x, acrescenta-se um e depois de um –d, substitui-se um del por um do... e pouco mais) e velaí temos o que se entende “galego normativo”.
Deixaremos para outra ocasião o “translado” e centrar-nos-emos na “solicitude”.
Solicitude no sentido de PETIÇÃO REDIGIDA SEGUNDO CERTAS FORMALIDADES é puro decalque semântico do espanhol. Na nossa língua, solicitude refere o carácter do que é SOLÍCITO (= DILIGENTE, ACTIVO) e tem como sinónimos DILIGÊNCIA, ZELO, CUIDADO e por antónimos INDOLÊNCIA, INCÚRIA, DESLEIXO [que deve equivaler à “deixación” do galego sui generis d’A Nosa Terra (veja-se o último número)].
Assim:
Atendeu-nos com solicitude.
A solicitude do funcionário ajudou-o a encontrar o processo perdido. (Dicionário Aurélio).
“Solicitud”, na acepção que aqui nos interessa, diz-se pedido, requerimento ou, com menos frequência, petição.
Assim:
O seu pedido de adopção foi rejeitado.
Vários funcionários fizeram um pedido de transferência.
Neste ano aumentaram os pedidos de inscrição.
Por requerimento dos alunos, as aulas da segunda-feira feira passam para a terça.
Não devemos, porém, desconfiar de solicitar:
A sua opinião é mui solicitada.
Solicitou ser atendido pela Directora.
Fernando Vázquez Corredoira (Corunha, 1965)
É licenciado em Filologia Galego-Portuguesa pola Universidade da Corunha onde fijo, também, os Cursos de pós-graduaçom.
Frequentou o Curso de Língua e Cultura Portuguesas para Estrangeiros na Universidade Clássica de Lisboa e o Curso de Formaçom de Professores de Português, Língua estrangeira, na Universidade do Porto.
Foi Professor na Universidade Federal de Goiás (Goiânia-Brasil). Trabalhou na Escola de Língua de Ourense e na actualidade trabalha na de Ponte Vedra.
Tem colaborações e trabalhos sobre temas de Língua Galego-Portuguesa em publicações periódicas da Galiza, Portugal e o Brasil, entre os quais "A Melhor Orthographia" (Língua e Cultura, Sociedade da Língua Portuguesa, 1997), "Cultismos Estranhos" (Agália, 1998), A Construção da Língua Portuguesa (Laiovento, 1998), "A Questão da Ortografia. Poder, Impotência e Argalhadas" (Análise Empresarial, 2001).

Copyright & cópia; de Portal Galego da Língua Todos os direitos reservados. Publicado em: 2002-12-02 (1956 visitas)  [ Voltar ] |