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Adriano Quiroga, um dos sócios mais jovens da AGAL

Adriano Quiroga, um dos sócios mais jovens da AGAL

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PGL - Nesta semana oferecemos a entrevista com o Adriano Quiroga, um dos sócios mais novos da Associaçom Galega da Língua que, com só 16 anos, tem claras as razons para aderir a estratégia galego-luso-brasileira, mas também os motivos polos quais a norma oficialista tenta privar o galego do seu status de língua mundial.

Tens uma banda de música com os teus colegas. Como levas o assalto à fama? Que classe de música tocais?

A verdade é que o da banda de música começou como umha brincadeira. Só dous dos seis que somos tinham formaçom musical séria antes de começar com o do grupo, e nem mesmo conseguíamos pôr-nos de acordo sobre que estilo de música tocar. As duas principais tendências eram o Folk Metal, tendo como máximo guia a Mägo de Oz, e o Punk Rock, seguindo o estilo de grupos como Green Day ou Blink 182.

Finalmente, o que decidimos foi optar por umha fusom e criar o que pensávamos que era um novo género musical: umha mistura entre Punk Rock e Folk Celta. Com efeito, isto chama-se Celtic Punk ou Punk Celta, e já existia muito antes de que qualquer de nós nascesse. Descobrimos que nom éramos pioneiros neste estilo dumha forma bastante curiosa: vendo a popular série de televisom Os Simpson.

Num dos capítulos soou a cançom que também aparece no conhecido filme Os Infiltrados de Scorsese "I'm shipping up to Boston", dos Dropkick Murphys. Aquele som deixara-me alucinado, e nom tardei em buscar informaçom sobre aquela música. Foi assim como entrei em contacto com o Celtic Punk e com os geniais grupos que já levavam muitos anos tocando-o. E finalmente encontramos um estilo de música para tocar que nos deixou a todos contentes.

É claro, nom esperamos fazer-nos famosos, nem muito menos ricos, com isto da música. O nosso único objectivo é, sobretodo, passá-lo bem, e de passagem criar algo que valha a pena escuitar, com letras comprometidas com as causas justas e também permitindo desvairar um pouco de vez em quando com algumha cançom disparatada para dar uns risos.

Só tens dezasseis anos, és um dos moços da AGAL. Como vives a tua condição de galego-falante no liceu, entre adolescentes?

Na minha geraçom, ainda mais que nas outras, a triste realidade é que os galego-falantes somos umha minoria. No meu caso, tenho as ideias mui claras com respeito a qual é a minha língua e qual é a língua que véu imposta de fora, e portanto, ainda nas situaçons em que sou o único galego-falante ou mesmo se sofro algum tipo de burla ou discriminaçom nego-me a sentir vergonha da minha língua.

Mas conheço muitos casos em que a gente que em casa falava galego se passa ao castelhano no instituto por sentir-se acomplexad@s, porque nom querem falar "umha língua de monte", por nom serem diferentes. Isto é tristíssimo, e acontece continuamente.

Também cabe citar o honroso caso contrário, muitíssimo menos habitual mas que também se dá. Há gente que ainda que em casa falava espanhol se esforça por falar em galego no instituto por convicçom.

O que te levou a aderir à estratégia galega-luso-brasileira?

Entrei em contacto com o reintegracionismo polo meu pai, quem já estava na AGAL e era partidário do mesmo. Mas havia umha cousa que já tinha clara: que era perfeitamente capaz de me entender com um português, um brasileiro, um angolano... Tinha podido comprovar isso em muitas ocasions, o que, mesmo antes de ter ideia de que era isso do reintegracionismo, me figera pensar que galego e português eram umha mesma língua.

Pouco a pouco fum-me informando, soubem donde vinha essa norma que temos como "oficial" e os interesses de privar o galego do seu status de língua mundial que há por trás da mesma. E assim fum-me inteirando do que era o reintegracionismo, e portanto quigem fazer parte dele.

Vemos que já estás bem informado, mas que impressom notas que tem o pessoal da tua idade sobre o reintegracionismo?

O certo é que nom podo ser mui optimista com respeito a isto. A maioria da gente da minha idade vê o reintegracionismo como algo estranho e desaconselhável para a nossa língua.

A desinformaçom é enorme, e nem mesmo sabem da origem ou do motivo do reintegracionismo, polo que com frequência escuito frases como que é um invento que está acabando com o galego; que nom se deveriam misturar línguas diferentes; que desde o momento em que a Galiza ficou inserida na Espanha o galego distanciou-se enormemente e de forma irreversível do português, polo que som línguas claramente distintas; e disparates similares.

Qual achas que poderia ser umha boa estratégia para poder integrar o reintegracionismo na juventude e na adolescência?

Sem dúvida algumha, a informaçom. Fazer-lhes saber os motivos do reintegracionismo, as suas raízes históricas, a verdadeira origem da actual normativa oficial e os interesses que há por trás dela. A maioria dos que estám em contra do reintegracionismo ponhem cara de incredulidade quando lhes falas das posturas de figuras como Castelao, Biqueira, Murguia, Vilar Ponte, Pondal ou muitos outros com respeito a este tema, já que estám convencidos de que isto de escrever com -nh- e com -ç- é um capricho que nos deu a uns poucos rarinhos no presente, sem nengum tipo de fundamento.

Há que fazer saber à gente os motivos polos que a maneira genuína de escrever o galego se viu relegada a algo estranho e extraoficial. E, claro está, também há que informar da quantidade de portas que se abririám à nossa língua com a ortografia histórica, que seria reconhecida como a língua internacional que é, e por que desde o espanholismo se esforçam com tanto esmero em evitar isto, já que o galego (e os galegos) perderia o complexo de língua inferior que lhe foi imposto ao longo da sua história, e que tantos anos leva arrastando.

Se tudo isto se soubesse e se tivesse claro, a gente veria as cousas doutra forma.

Que visom tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas da associaçom?

Para mim a AGAL é a maneira de defender e promover o reintegracionismo de maneira organizada e eficaz, um magnífico instrumento para podermos ser mais efectivos. E também um modo de sentirmo-nos acompanhados na consciência certa sobre o idioma, porque isolada ou individual tem que resultar mais difícil de suster.

Umha organizaçom colectiva e geral do reintegracionismo como a AGAL é sem dúvida a melhor maneira de dar-lhe força e credibilidade ao movimento, evitar a marginalidade, e o melhor modo de conseguir chegar à sociedade sem sofrer um desgaste pessoal. Para além de que na sua vida associativa e no material que elabora, como prontuários e dicionários, ou mesmo no PGL, temos umha ajuda inestimável para continuar a aprender.

Só numha associaçom como a AGAL se pode hoje continuar a pensar em país e em galego, e ser "praticante" em ambos, com algum sentido identitário. Por tudo isso decidim associar-me – por agora basicamente para aprender e sentir-me acompanhado, mas em breve para dar o meu contributo naquilo em que seja oportuno.

 

Conhecendo o Adriano Quiroga

 

 

  • Um sítio web: a wikipédia (que faria a minha geraçom sem esta página para os trabalhos das aulas).
  • Um invento: o computador, para bem e para mal, um instrumento imprescindível.
  • Uma música: Folk Metal (Mägo de Oz, Alestorm, Elvenking, Skyclad, Korpiklaani...), Celtic Punk (Dropkick Murphys, Flogging Molly, The Real McKenzies, Mill a h-Uile Rud...), Ska (Xenreira, Skárnio, Ska-P...), etc.
  • Um livro: O Senhor dos Anéis.
  • Um facto histórico: a Revolta Irmandinha.
  • Um prato na mesa: pizza (mesmo consciente de que para alguns nom é comida).
  • Um desporto: para praticar atletismo, e para ver ciclismo e futebol.
  • Um filme: Braveheart (apesar de às vezes diferir bastante com a história).
  • Uma maravilha: a resurreiçom de umha língua morta.
  • Além de galego: as línguas celtas, especialmente as gaélicas, que em parte também sinto como parte da nossa cultura.

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