Associaçom Galega da Língua

Festa do Dezassete e atos polo 5.º aniversário da Através

Chega umha nova ediçom já famosa Festa do Dezassete, a qual costuma decorrer noutras datas, desta vez nos dias 15 e 16 de maio. Nesta ocasiom, haverá colaboraçom especial da AGAL e do seu carimbo editorial, Através Editora, que neste 2015 fai cinco anos de vida.

As atividades começam na sexta-feira, dia 15, às 20 h, com umha mesa redonda da Através na praça do Pam (Cervantes) com motivo do seu 5.º aniversário; intervirám Teresa Moure, Susana Sánchez Arins e Séchu Sende. Já às 20h30, ceia e concertos no Centro Social Escárnio e Maldizer.

O grosso do programa desenvolverá-se no sábado, dia 16 de maio. Os atos começam às 11 da manhã com umha «bicicletada pola língua» que sairá da Alameda compostelana. Às 12h30, com a colaboraçom da AGAL, realizará-se na praça da Quintã um «mosaico pola língua» em que as pessoas formarám um Ñ que se converterá num NH. A sessom vermute decorrerá às 13h30 no C. S. O Pichel, com música do DJ 17 de Maio. No mesmo local será o jantar, às 14h30, acompanhado dos cantos tabernários.

Pola tarde, o cenário desloca-se de novo à praça do Pam; ali, às 18h, foliada de diferentes cursos (CSA Sar, Gentalha, Itaca e Semente). O fim de festa será no Pichel, com umha ceia às 21h30 e, a partir das 22 h, concertos de The Tetas’ Van, Nao e pinchada com Peixe Gordo (Marcos Paino).

 

Cartaz Festa do Dezassete 2015

 

 
 

AGAL anima a participar o 17-M nos atos em defesa da língua

Para 17 de Maio, Dia das Letras, a AGAL centrou os seus esforços no documentário Decreto Filgueira e na colaboraçom com outras asssociações organizando a Festa do Dezassete, na qual vai haver um amplo leque de atividades.

No próprio domingo, dia 17, a AGAL nom tem nenhuma própria. Contudo, a associaçom chama a participar em quantos atos se organizarem em defesa da nossa língua, de maneira singular as concentrações convocadas por Queremos Galego, a que assistirám membros do Conselho agálico.

 
 

O ‘Atlas das Nações sem Estado da Europa’ «pode ser para muitas pessoas a primeira leitura aprofundada em galego internacional»

Atlas das Nações sem Estado da Europa (ANSEE) é um ambicioso trabalho documental e divulgativo elaborado pola plataforma Eurominority. Dirigido polo bretom Mikael Bodlore-Penlaez, foi editado em francês e inglês. A versom galega que o Novas da Galiza, a Difusora de Letras Artes e Ideas e a e Através Editora estám a preparar é umha ediçom atualizada e completada que pretende socializar a realidade presente de povos que, como o nosso, se empenham em manter viva a sua identidade.

«Sabíamos que devíamos confiar
o projeto à vontade da gente
para fazê-lo real»

A ideia de criar uma ediçom galega deste Atlas surgiu de Abraham Bande, que desde miúdo viu «muito atraentes» os mapas em geral e os livros em formato atlas. No entanto, sempre percebiu que estes materiais tinham «um mesmo enfoque, orientado à centralidade», e onde não havia lugar a mostrar a diversidade e realidade dos diferentes povos «que, como o meu, deviam ser expostos num mapa qualquer».

Passado o tempo, descobriu a plataforma Eurominority e interessou-se polo seu trabalho, sobretudo, no aspeito cartográfico, «já que achei que estavam feitos a partir do respeito às realidades minoritárias; nom apenas na Europa, também no resto do mundo».

Isto levou-no a contatar diretamente com o responsável da organizaçom, o bretom Mikael Bodlore-Penlaez, a quem solicitou um exemplar em inglês do Atlas of Stateless Nations in Europe. Também se disponibilizou para ajudar com pequenas traduções ao galego-português ou ao catalão, propostas que Bodlore-Penlaez valorizou positivamente, até o ponto de que «ele me propujo fazer a versom do seu Atlas na língua que eu escolher».

Como Abraham nunca participara num projeto de «tais características e magnitude», contatou Xavier Paz da editorial Difusora. Entre os dous «conseguimos juntar uma boa ideia, com uma alta qualidade na linha editorial» e tentárom também procurar a maneira de o fazer logisticamente viável. Conhecedores de que «nom teríamos ajudas públicas», sabiam que «devíamos confiar o projeto à vontade da gente para fazê-lo real», assinala Bande. Foi assim que tomárom a «boa decisom» de contatar com o jornal Novas da Galiza e com a Associaçom Galega da Língua (AGAL).

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‘A República das Palavras’, de Séchu Sende, novidade da Através

A mais recente novidade da Através Editora é A República das Palavras, de Séchu Sende. Nesta obra, o autor de Animais apresenta-nos um conjunto de relatos que som em certa maneira continuaçom de umha obra anterior, a sucedida Made in Galiza.

Numha alargada entrevista em Praza Pública, Sende explica que o título alternativo deste livro ia ser Como podem as palavras mudar o mundo, um tema «que já estava presente no Made in Galiza: a energia das palavras para mudar a sociedade». Segundo o autor, trata-se de um tema «que me interessou todo este tempo», pois ao chegar o Made in Galiza a tantas pessoas, «eu mesmo descobri que a literatura tem, entre outras funções, mudar as cousas. Interessei-me, por isso, em procurar os caminhos que tem a palavra para transformar o presente».

Texto da contra-capa do livro

Este é um livro Made in Galiza
de última geração: com NHs
e novas perspetivas sobre as pessoas e o mundo.

Se tes este livro na mão, dissimula.

Podes fazer parte dos milhares de pessoas
que estão a organizar as palavras
para mudar o mundo.
Alegria, peixe voador,
humor, Quero-te, spray,
imaginação, corvos faladores,
criatividade, rebeldia, mulheres…
Dissimula, não levantes os olhos
do livro, podem estar a vigiar-te.

Viaja polo teu interior.
E não fagas caso da gente que diz
que as palavras não mudam o mundo.

Porque sabes que as palavras mudam as pessoas.

O autor

Séchu Sende | Foto: David Landrove

Séchu Sende | Foto: David Landrove

Séchu Sende (Padrom, 1972) é poeta e narrador, sociolingüista, ativista social e domador de pulgas no ‘Galiza Pulgas Circus’. A sua obra Made in Galiza foi traduzida ao curdo, ao turco, ao catalão e ao basco. Os seus textos convertem-se em canções, obras de teatro, lemas de camisolas, curta-metragens ou campanhas de publicidade social. Também escreve textos de guerrilha da comunicaçom, manifestos da Resistência, listas da compra e palavras como tatuagens nas mãos das suas duas filhas

 
 

‘Decreto Filgueira’ explica a transcendência de Filgueira no processo de normatizaçom do galego

 

Desde já pode ser visionado on-line o documentário Decreto Filgueira, dirigido por Ozo Perozo, sobre o intenso debate que se produziu entre os anos 1971 e 1982 em relaçom a qual devia ser a orientaçom gráfica do galego. Este processo é explicado de forma ágil e didática no filme, o qual pode ser de grande ajuda para compreender os motivos que nos levárom a entender o galego como hoje é concebido, com todos os consensos e distensons com que chegou à atualidade. Também ajudará a compreender melhor a figura homenageada no próximo Dia das Letras, Xosé Fernando Filgueira Valverde, através de um episódio do qual foi protagonista no início dos anos 80, fundamental para a história recente da nossa língua.

 

Um debate intenso

As Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego (ILG-RAG) foram oficializadas por decreto no ano 1982. Porém, nem foram as primeiras normas oficiais, nem contárom com o apoio de importantes setores da cultura galega, que debatia intensamente sobre qual havia de ser a orientaçom ortográfica do galego desde o início dos anos 70.

O documentário, de meia hora de duraçom e destinado fundamentalmente ao ensino secundário, percorre os diferentes posicionamentos lingüísticos e as formulaçons normativas que cada um deles gerou desde que em 1970 Carvalho Calero redigiu as primeiras Normas Ortográficas do Idioma Galego da Real Acadamia Galega, assumidas como próprias polo mundo de Galaxia. Em pouco tempo, no período de três anos, surgiriam duas propostas dissidentes que acabariam por tornar-se irreconciliáveis. De um lado, a que hoje conhecemos por “autonomista”, aglutinada em torno do Instituto Galego da Língua, que entre 1971 e 1974 publicou os manuais Gallego 1, 2 e 3. Do outro, a que hoje conhecemos por “reintegracionista”, que depois de ser formulada por Rodrigues Lapa e Martinho Montero entre 1973 e 1974 se foi aglutinando em torno de Carvalho Calero, que foi assumindo posturas cada vez mais reintegracionistas à medida que avançava a década. Começados os anos 80, a Xunta oficializava umhas normas que pretendiam o consenso, ainda que partindo de umha orientaçom convergente com o português. Estavam redigidas pola Comisión de Lingüística da Xunta que presidia Carvalho Calero. Porém, em 1982, umhas novas normas com umha orientaçom diferente relegavam as do velho catedrático de Galego. Até a atualidade. O decreto que as oficializou, assinado por Filgueira Valverde, que fora membro da anterior Comisión de Lingüística da Xunta, deu origem a um dos lustros de maior tensom no debate normativo.

No documentário intervenhem vários históriadores e pessoas que fôrom protagonistas daqueles factos de diferentes perspetivas (ver abaixo). Porém, pretende tornar compreensível o debate para pessoas que o desconhecem, especialmente alunado do ensino secundário. Com este objetivo, o filme conta, entre as entrevistas, com vídeos de animaçom que contextualizam os acontecimentos relatados na história do galego escrito.

INTERVENHEM

  • Xosé Luís Barreiro Rivas. Conselheiro da Presidência de 1982 a 1986 e vice-presidente da Xunta de Galicia desde 1983 a 1986
  • Elvira Souto. Militante da Unión do Povo Galego (UPG) nos anos 70 (secretária-geral entre 1977 e 1978) e ativista da Associaçom Galega da Língua nos anos 80
  • Isaac Alonso Estraviz. Lexicógrafo, autor do Dicionário da Língua Galega e Membro da Associaçom Galega da Língua (AGAL)
  • Francisco Fernández Rei. Dialetólogo, autor da Dialectoloxía da Língua Galega e corredator das Bases pra Unificación das Normas Lingüísticas do Galego (1977). Membro do Instituto da Lingua Galega (ILG) desde 1973 e da Real Academia Galega.
  • José Luís Rodríguez. Catedrático de Filologia Portuguesa e secretário da “Comisión de Linguística” da Xunta (1979).
  • Maria Xosé Queizán. Escritora em galego desde os anos 60. Como ensaísta, destacam os seus trabalhos sobre feminismo.
  • José Luís do Pico Orjais. Musicólogo, autor de vários trabalhos sobre a figura de Filgueira Valverde.
  • Francisco Rodríguez. Militante da Unión do Pobo Galego (UPG) desde 1967 e ativista da Asociación Socio-Pedagóxica Galega (AS-PG) desde 1976.
  • Tiago Peres Gonçalves. Historiador, autor da Breve História do Reintegracionismo.
  • Uxío-Breogán Diéguez. Historiador, especialista na história do nacionalismo galego.
  • Carlos Velasco. Historiador, autor de Piñeiro e o piñeirismo em perspectiva histórica.

SINOPSE

Durante os anos 70, quando já se adivinhavam os perfis da Democracia, o mais constante debate lingüístico galego de todos os tempos, o da orientaçom ortográfica, reaparece com força. Como alternativas ao modelo de Galaxia, cujos esforços se centravam em manter a chama de umha cultura própria suportável para o Franquismo, concretizam-se duas novas propostas antagónicas. Por um lado, a que pretendia restaurar a afirmaçom lusista do galeguismo do pré-guerra, pouco a pouco aglutinada em torno da figura de Carvalho Calero. Por outro, a que defendia construir um galego independente do português, que tinha como guia o trabalho dialetológico do Instituto da Língua Galega. Ambas contárom com defensores de grande altura intelectual. Porém, chegados os anos 80, umha rápida sucessom de acontecimentos políticos, acabaria por fazer com que umha figura se tornasse imprescindível para explicar o desfecho de um conflito com epicentro em 1982. Filgueira Valverde, que representava a continuidade do modelo cultural que em torno do galego se tinha gerado durante os anos da Ditadura, deu nome a um Decreto fundamental para compreender a orientaçom que seguiu a língua até a atualidade.

O diretor

Ozo Perozo trabalha atualmente trabalha na série da TVG O Faro, mas tem participado em outras produções de sucesso como Padre Casares ou Matalobos.

Prémio Galicia por Baseado en feitos que puideron ter acontecido no 34º Certame Audiovisual Liceo Casino de Vilagarcía (2006),  2º Prémio Festival de Cortometrajes Fantásticos Marienbad por Auga (2008), Prémio Melhor Curta em Galego por Auga no Festival de Cine Canalla de Sada (2008) e Finalista à Melhor Direçom de Arte pola curta A Danza de Katiuska nos Prémios AGAPI do Audiovisual Galego (1999).

Documentário e materiais didáticos

Na página web do documentário poderá-se igualmente aceder a material didático para o visionado do filme, ideado para a ESO e Bacharelato e disponível em diferentes normativas.

 

 

 
 


 

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