Breo Valcárcel: «Para mim a estratégia luso-brasileira é um inteligente contrapeso ao processo de castelhanizaçom pois acho que a lusofonia reforça o galego»

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Breo Valcárcel leva o galeguismo no ADN, a Ponte Nova é o seu lugar, ser galego foi uma vantagem laboral na Catalunha e visualiza o reintegracionismo como umha estratégia gradualista.

 

Breo Valcárcel leva o ativismo linguístico no ADN, nom é? Que implica nascer no seio de umha família nacional galega?

Minha mae é professora de galego e meu pai é galeguista, portanto podemos dizer que é assi!. Suponho que implica assumir o idioma e a identidade cultural de Galiza de um modo normal, sem complexos, e ter estima polo País, pola terra, polas gentes do comum. E isso nom vai renhido com ter umha identidade pessoal aberta.

Um dos teus lugares referenciais é a Ponte Nova. Mudou a fotografia linguística do concelho tendo como referência a tua infância?

Vivim em muitos lugares do País (Corunha, Pontes, Burela, Barreiros,...), mas por razons familiares a Ponte Nova, entre a Marinha e a Montanha de Lugo, é a minha maior referência vital. A Ponte Nova é um desses lugares que mantém um monolingüismo social em galego de fato, a maioria da gente fala em galego e o idioma de socializaçom é o galego, mesmo para castelhano-falantes ou, por exemplo, para as crianças imigrantes. E de fato acho que cada vez há maior valorizaçom consciente do idioma.

Na hora de alagar a tua visom do galego, foi marcante a tua estadia em Barcelona.

Acho que foi, porque numha cidade tam globalizada como Barcelona apanhas perspetiva e reparas que neste quadro de jogo que é a globalizaçom é importante e vantajoso poder aceder a todo um espaço cultural como é a lusofonia.

Qual a visom média dos cataláns e das catalás a respeito da identidade da nossa língua?

Com o que topei, por regra geral, é que desconhecem bastante o nível de uso ou o estatuto jurídico ou educativo do galego na Galiza, mas polo contrário, tenhem muito assumido que galego e português som o mesmo ou quase o mesmo idioma, fazendo paralelismo com a catalám do País Valenciano ou das Ilhas Baleares.

Laboralmente o galego extenso e útil foi umha vantagem para ti?

Isto liga com a pergunta anterior: tenho-me topado com ofertas de trabalho que procuravam galegas ou portuguesas porque o idioma de trabalho era o português e de relaçom com Portugal. Por outro lado, trabalhei em temas de imigraçom. De umha parte eu podia atender brasileiras com dificuldades de entendimento de castelhano ou catalám. De outra parte participei num projeto europeu com sócios portugueses e a comunicaçom entre nós era em galego-português.

Que te atrai mais da estratégia luso-brasileira para o galego? Por onde pensas que deve transitar?

Com independência do que falar cada quem, é um fato que na Galiza há um processo de castelhanizaçom. Para mim a estratégia luso-brasileira é um inteligente contrapeso a esse processo, pois acho que a lusofonia reforça o galego. Acho que as galegas temos que assumir como normal por exemplo usar software em português, podermos aceder à TV, rádio e meios de comunicaçom em português, e em geral acedermos e recebermos influência de todo um espaço cultural como é a lusofonia.

Que te encorajou a te tornares sócio da AGAL? Que esperas da associaçom?

Acho que a entidade está fazendo um trabalho muito encaminhado a atualizar o discurso do reintegracionismo, na ideia de que há de ser um conceito transversal na sociedade galega. A assumçom de que o galego e português som muito parecidos e que o galego é útil para aceder à lusofonia está avançando a passos alargados na populaçom, mesmo em setores impensáveis há anos, como o empresariado. É preciso superarmos a ideia de que o reintegracionismo pertence a umha determinada ideologia ou opçom política como o independentismo e acho que o trabalho da AGAL vai muito nessa linha.

Escreves habitualmente em galego ILG-RAG. Que dificuldades achas para escrever em galego-português?

Dificuldades de aprendizagem, e dificuldades de levar muitos anos “programado” para escrever de umha maneira e fazer a mudança. A dificuldade de aprendizagem é facilmente subsanável com um pouco de vontade... a segunda é máis complicada porque também implica teres que te explicar e desmontar preconceitos diante de muita gente. Em todo caso entendo a estratégia reintegracionista coma gradualista, na medida em que podo ir alternado usos de um modo inteligente.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Nom som muito essencialista, no sentido de dizer: quero que Galiza seja monolingüe em galego. O castelhano é um fato na sociedade galega, como o é na catalá. Mas como na catalá, do que gostaria é de que todas as galegas tenham a oportunidade de ter umha competência alta em galego, que usem o idioma porque é valorizado pola sociedade, tanto por umha questom de estima como de utilidade. E já sabemos que o galego é útil e é mundial!

 

Conhecendo Breo Valcárcel:


Um sítio web: O que máis uso sem dúbida é o facebook.

Um invento: o computador.

Umha música: Muitas! Por dizer umha The Beatles.

Um livro: O manifesto comunista.

Um feito histórico: Que difícil... a queda do muro de Berlim, porque a vivim com olhada de neno.

Um prato na mesa: Muitos também! Digamos o polvo à feira.

Um desporto: Corridas de fundo.

Um filme: Alguém voou sobre o ninho do cuco.

Umha maravilha: a vida.

Além de galego/a: Cidadao do mundo, soa a tópico mas é verdade. E muito ligado à Catalunha.

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