Associaçom Galega da Língua

Luísa Cuevas Raposo: «Sei da existência da AGAL hai muitos anos mas realmente nom sei mui bem que é o que faz. Esta é a razom pola que me associei, para conhecê-la, aprender… saber mais.»

PGL- Luísa Cuevas é neo-falante, natural de Vigo mas leva 32 anos em Madrid. Agora reformada, gosta de viajar e chegou hai pouco duma viagem de Costa Rica.

És natural de Vigo, mas levas em Madrid 32 anos. Como é a situaçom dumha galegofalante em Madrid?

Todo o meu ambiente sabe que som galega, que me preocupo polo que acontece na minha terra, que apoio certos movimentos na Galiza e inclusive algum e alguma das minhas colegas estudárom galego. Nos primeiros anos da década de 90 um membro da AGAL deu um curso de galego reintegrado em Madrid ao qual asistírom companheiros meus.

É comum o caso de galegos e galegas que, no exterior, reparam mais na sua identidade. O teu caso nom é umha exceçom, pois nom?

Acho que nom é que repares mais na tua identidade mas que o vives de forma diferente.

Quando percebeste que o galego era mais do que te ensinaram na escola?

No meu tempo nom se estudava galego na escola. Eu cheguei ao galego por conciência política; o primeiro curso que figem foi nos primeiros anos da década de 70.

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Carlos Garrido inicia colaboraçom no Sermos Galiza com apontamentos para o uso correto do léxico galego

PGL - O professor Carlos Garrido, presidente da Comissom Lingüística da AGAL, inicia umha colaboraçom no semanário Sermos Galiza. Na nova seçom Língua, o professor Garrido realizará apontamentos lingüísticos «com o objetivo de promover um galego de qualidade que funcione como língua de cultura», assinalam da publicaçom na apresentaçom do novo espaço.

Estudioso da língua especializada, lexicógrafo e tradutor científico, Carlos Garrido (Ourense, 1967) é professor titular de traduçom técnico-científica na Universidade de Vigo e autor, entre outras obras, do Manual de Galego Científico (2000 e 2011) e de Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom (2011).

Na seçom Língua, a focagem principal de Garrido será no léxico, porque «é um dos campos que precisa maior reflexom e umha viragem de estratégia». Desta maneira, tratará os problemas principais que padece o léxico galego nesta altura e que condiciona a forma, por um lado, mas também o seu caráter funcional.

A maior parte dos problemas que deteta som de défice de termos: «desde o século XV, o léxico nom se enriquece, e isso levou a umha externaçom; as lacunas som preenchidas com castelhanismos». Por esta razom, nesta altura «temos que decidir como preenchemos essas lacunas e se admitimos ou nom castelhanismos». Esta problemática, que julga ser «mui grave para o galego», será um dos assuntos principais dos artigos, nos quais analisará este tipo de questons a partir de umha orientaçom prática, um caráter divulgador para que qualquer utente da língua, seja qual for a sua conceçom da língua —isolacionista ou reintegracionista—, poda melhorar a sua qualidade.

O primeiro contributo do professor Garrido aparece publicado já no número do Sermos Galiza que corresponde a esta semana e intitula-se «Umha cobra no jardim lexical galego», por volta das diferentes maneiras de designar os ofídios.

 

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Entrevista a Ricardo Gil, enfermeiro: «O galego para mim é um orgulho, umha vantagem e umha responsabilidade»

PGL - Ricardo Gil é enfermeiro de profissom, descobriu a utilidade da língua ao ir trabalhar a Leiro e às zonas "raianas"

de Lóvios, adora viver o galego como umha língua internacional e decidiu associar-se à AGAL depois de abrir os olhos durante um ano de estágio em Portugal. Para além disso é um apaixonado leitor de livros e devece por aprender a língua.

Qual a tua experiência de falar e de receber aulas em galego na tua profissom de enfermeiro? Qual a utilidade do galego no meio sanitário?

Na Escola de Enfermagem de Ourense, embora quase todo o quadro de pessoal soubesse galego, este praticamente nom existia. Os apontamentos e os exames eram maioritariamente redigidos em castelhano e, ainda que havia professores e companheiros da turma que falavam e escreviam em galego, a presença da nossa língua era ínfima.

O galego é mui útil no meio sanitário por umha cousa mui clara, o modelo de doente ingressado ou que requer tratamento, costuma ser uma pessoa idosa, e esse perfil tem como fala natural o galego. Assim, se quisermos saber o que é a comichom, a dor, o joelho/geonlho, o tornozelo, se som alérgicos ao "pó" ou ao "polvo" (isto é brincadeira minha), temos que saber galego. Esta é a sua utilidade principal , a de nos permitir a comunicaçom com os pacientes. Aliás, se trabalhamos em zonas raianas, conhecer galego internacional vai-nos possibilitar saber como agir quando alguém diga que está enjoado.

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AGAL reforça cooperaçom com as escolas Semente

PGL - A Associaçom Galega da Língua (AGAL) reforça estratégia de cooperaçom com o as escolas infantis Semente. Este projeto nasceu como umha iniciativa sem ánimo lucrativo em Compostela, impulsionado pola Gentalha do Pichel, e agora aspira a alargar presença no País com novas escolas em Vigo e Ferrol.

Entre os objetivos apresentados polo Conselho da AGAL aos sócios e sócias na assembleia geral de 30 de novembro estava o início de umha linha de trabalho centrada no ensino nom-universitário. Para implementar a decisom aprovou-se encetar umha área de trabalho no ensino infantil e principalmente no projeto Semente.

A primeira das medidas de colaboraçom é oferecer aos sócios e sócias da AGAL a possibilidade de modificarem a sua quotizaçom na associaçom para destinar umha quota especial para apoiar este projeto. A quantidade mínima é 10€ anuais, permitindo-se também umha colaboraçom maior para quem o desejar. As pessoas interessadas podem pedir já essa modificaçom endereçando umha mensagem eletrónica para a Secretaria da AGAL em secretaria[arroba]agal-gz.org.

Pola sua parte, a nova opçom está disponível desde começos desta semana para as novas pessoas que quigerem formar parte da Associaçom Galega da Língua. Basta apenas preencher o campo "Amigo/a das Escolas Semente" no formulário on-line de inscriçom.

O dinheiro que os sócios e sócias da AGAL destinarem à colaboraçom com as escolas Semente será doado na íntegra no final de cada ano para a Coordenadora Nacional da Semente para facilitar a estabilidade e expansom do projeto.

 
 

Manuel Rial: « Hai que fazer ver à gente que o reintegracionismo é umha via possível, que nom cambiaria a sua forma de falar, só o seu jeito de escrever.»

PGL - Manuel Rial é paleo-falante e natural de Vimianço. Estudou jornalismo em Compostela e criou com quatro companheiros da faculdade a revista digital O Compás da Costa da Morte, revista cultural da zona.

És natural de Vimianço, como é o mundo de um neno galego falante do ponto de vista da língua? podias manter-te no monolinguísmo?

Desde neno sempre falei galego, e apenas galego. Até com a gente que me falava espanhol, pois comprendim que se viviam aqui nom teriam problema nengum em perceber. Hoje em dia continuo a ser monolinguista e falo galego com todo o mundo, responda no idioma que responder. E figem isto sempre de jeito natural, sem nemgumha conviçom ou intençom, até que há um ano alguém me dixo que lhe parecia estranho que puidesse ter umha conversaçom onde umha pessoa fale um idioma e a outra, outro.

Até que cheguei à Secundária, nunca reparei na existência dum conflito linguístico, porque em Vimianço nom existia. E continua sem existir. A maioria dos habitantes falam galego e mui poucas pessoas falam o espanhol. E como digo, caso alguém fale espanhol, poucas pessoas lhe respondem em espanhol. Antes ao contrário, som os castelhano-falantes que tentam responder em galego.

Quais eram os usos do galego na tua infáncia? é do espanhol?

Como já dixem, de neno rara vez falava o espanhol. Basicamente nas aulas de “lengua”, onde lia e escrevia na língua de Cervantes. Isso sim, nom tinha nengum problema para escrever e comunicar-me em espanhol, como muitos podem tentar fazer ver. Todo o contrário, já que igualmente vivia rodeado de castelhano: a tevê, os livros, os comics, os jogos...

És criador duma revista cultural digital da Costa da Morte: O Compás da Costa da Morte. Levades um  ano com ela, como foi este primeiro ano?

Foi genial. Juntamo-nos cinco companheiros da Faculdade de Ciências da Comunicaçom, que depois de finalizar a carreira decidimos realizar unha página web sobre a cultura da Costa da Morte. Foi no dia das Letras Galegas de 2012 e nascia como umha agenda de lezer da zona, mas acabou por ter protagonismo à parte de revista cultural em que aproveitamos para nom perder em nengum momento a nossa profissom, e continuar a fazer reportagens, entrevistas... Apesar de que  a revista nom dá para nos sustentar economicamente, a satisfaçom pessoal é enorme.

Estou aprendendo muito graças a ela, porque investigas, descobres lugares, pessoas, e o mais gratificante, fás que do outro lado da Rede alguém esteja descobrindo ao mesmo tempo o que tu lhe mostras.

Chegaste a  Compostela para a estudar. Como foi essa passagem com respeito à língua?

Na Faculdade de Jornalismo vivim umha grande evoluçom a respeito do idioma. Ao começar umha carreira, que ainda por cima se baseia na língua, reparei na quantidade de castelhanismos que utilizava sem jeito nengum. Por isso, nesse momento decidim limpar o idioma e ir abandonando progressivamente as palavras e expressons do espanhol (ainda continuo nisso!). Isso sim, que começara a mudar a língua nom quer dizer que renunciara aos traços dialetais da minha vila: o sesseio e mais a gheada. Aliás, reforcei-os por conviçom própria, porque nom queria falar um galego asséptico, e queria conservar a minha marca de identidade, as minhas raízes na fala.

As reaçons vinherom sobretudo do ámbito familiar que começavam a olhar dum modo estranho, para nom dizer “ghuhghado” (que olha que é complicado de dizer, com aspiraçom do xis incluído) e dizer “julghado”. Mas há umha palavra que ainda nom conseguim remediar: “ghallego”.

Que te motivou para dares um passo para a estratégia luso-brasileira? Foi fácil a transiçom?

Mais que fácil, a transiçom foi lenta. Hei de dizer que nom há muito tempo eu era anti-reintegracionista. Desde novo, quando comecei a ouvir que havia gente que "queria escrever o galego como o português" achava-o absurdo e ilógico, por serem dous idiomas distintos que nom tinham nada a ver, e ainda que num momento histórico foram o mesmo idioma já havia um distanciamento tam grande que era impossível voltar a tentar construir pontes. Mesmo, quando saíra a última normativa que incorporava as terminaçons -za, em lugar de -cia, ou dava por válidas as terminaçons -ble e -bel, pensava naquele momento que nom tinha nengum sentido fazer essa aproximaçom ao português indo em contra do que a maioria da gente falava na rua. Mas, agora, anos depois vê-se que está totalmente assimilado, e hoje em dia ninguém acha estranho estranho ouvir "diferença" e assume-o já como próprio. A gente acostuma-se às normativas por mui chocantes que lhe pareçam ao princípio.

O momento em que mudei realmente de parecer foi quando há um ano comecei a estudar português na Escola Oficial de Idiomas. Interessei-me por ela porque me parecia um erro gravíssimo que nom se ensinara nas escolas um idioma irmám do galego com o que teríamos as portas abertas a milhons de falantes em todo o mundo, um idioma que ademais, por história, era "da família". (Já daquela começava o germolo reintegracionista).

Ademais, comecei a ver que os reintegracionistas nom eram “bichos raros” e, umha amiga impulsou-me a dar o passo final.

Na tua opiniom, por onde deve caminhar a estratégia luso-brasileira para avançar na sua sociabilizaçom?

Para começar, fazer ver à gente que o reintegracionismo é umha via possível, que nom cambiaria a sua forma de falar, só o seu jeito de escrever.

E também deixar de que pareça que o reintegracionismo só se move em circuitos fechados, e que há gente mui variada e de distintas profissons, condiçons sociais e académicas que apoiam a causa.

Creio também que na parte mais prática, teria-se muito andado se a normativa oficial dera três pequenos passos: cambiar o ñ por nh, o ll por lh e escrever o -m final. Só com estas três chaves o reintegracionismo veria-se doutra maneira. É impossível introduzir umha nova norma ortográfica de golpe. Assim, deste jeito as pessoas abririam os olhos e começariam a pensar...

Que visom tinha da AGAL, que a motivou a se associar e que espera da associaçom?

Conhecim a AGAL através dumha amiga associada, que me explicou em que consistia. O que mais me botava para atrás era pensar que o reintegracionismo queria trasladar a normativa exata do português lisboeta ao galego. Mas vim que existiam alternativas, que nom era tudo preto ou branco, nem boi ou vaca. Quero dizer, que existia umha alternativa que recolhia o idioma galego com as suas características próprias, sem ser a cópia exata do padrom português. Porque nisso continuo a estar em contra.

O que quero é que a gente comece a reparar na cada vez pior qualidade do galego, invadida por castelhanismos que aceitam na Real Academia, enquanto que os termos próprios som deslocados porque a gente acaba por nom utilizá-los. O que quero é que ademais os galegos escrevam o seu idioma na grafia que lhe pertence por história, e que nom tenhamos medo em abandonar a ortografia espanhola. Porque como diz o presidente da Real Academia queria voltar à normativa anterior mesmo porque lhes criaria muitas complicaçons os nenos estudarem duas ortografias distintas na escola. Dando por suposto que existe umha língua superior e outra inferior, a que tem que copiar à superior.

Espero da AGAL que continue a  dar passos na visibilizaçom social do reintegracionismo, e para isso penso que é vital mostrar o potencial da cultura lusófona. Que a gente nom olhe apenas para a fronteira do Cebreiro e olhe para a de Tui. Que a gente nova repare por que compreendeu tam bem as letras da Cabritinha e o Ai se eu te pego (por que nom!?)

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Estacionamiento dumha escola de Vigo. Cinco da tarde. “¿Como te fue el día, Antón?” “Mui bem, hoje aprendim a somar mil milhons de cifras!”

 

Conhecendo Manuel Rial

  • Um sítio web: ocompas.com
  • Um invento: Internet
  • Uma música: Luar na Lubre, em geral. Som um grande siareiro
  • Um livro: Todos os dias, de Alberto Ramos.
  • Um facto histórico: A pré-história
  • Um prato na mesa: Umha sobremesa.
  • Um desporto: Caminhada
  • Um filme: A língua das borboletas, porque ficou gravada da infância.
  • Uma maravilha: A Costa da Morte.
  • Além de galega: Nasci na Suíça, mas melhor fico aqui…
 
   

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