Associaçom Galega da Língua

O PGL ficará uns dias sem atualizar para iniciar nova etapa

PGL - Conforme informado nas últimas assembleias da AGAL, o Portal Galego da Língua está já prestes a iniciar umha nova etapa. O 17 de Maio, Dia das Letras, o PGL fará doze anos de vida. Nessa mesma data o Portal iniciará nova etapa, com umha mudança de aparência e progressivas mudanças nas maneiras e tempos de atualizaçom.

Neste pequeno impasse, da equipa do PGL agradecemos antecipadamente a compreensom do nosso público.

 
 

Campanha de angariaçom de fundos para O Mundial Fala Galego

PGL - O Mundial Fala Galego começa umha nova etapa com o lançamento de umha iniciativa de micromecenado (crowdfunding) para angariar os fundos necessários para difundir a mensagem da campanha entre a cidadania galega. A web da campanha já está em andamento no endereço www.omundialfalagalego.com e na a última fase (durante o desenvolvimento do campeonato) tornará-se num pequeno portal de conteúdos relacionados com a Taça do Mundo Brasil 2014: informaçom desportiva, informaçom sobre os movimentos de protesto e muito mais, mas sempre na nossa língua.

Para que esta última etapa seja o mais efetiva possível e chegue ao maior número possível de pessoas, a AGAL vai ter umha presença mínima tanto nas principais webs que tenhem o galego como língua habitual como nas especializadas em futebol, para o qual quer inserir banners em: praza.com // sermosgaliza.com // diarioliberdade.org // galiciaconfidencial.com // codigocero.com // gciencia.com // riazor.org // compasdacosta.com // cadernos.net // noticias.delcelta.com // cronica3.com // disquecool.com // gzvideos.info // novasgz.com // osil.info // quepasanacosta.com // radiofusion.eu // temposdixital.com // terrachaxa.com // valminor.info // ubuntinho.com // mallandonoandroid.com // pontevedraviva.com. A lista nom está fechada e pode ser ainda mais alargada.

Com os fundos da associaçom pode-se garantir esta presença mínima, mas com o objetivo de poder chegar a sites de maior difusom é que a AGAL lança esta campanha de angariaçom, visando chegar também a: e poder assim garantir que a mensagem chegará também a: farodevigo.es // lavozdegalicia.es // elcorreogallego.com // galiciae.com // diariodeferrol.com // diariodearousa.com // elidealgallego.com // atlantico.net // laregion.es // laopinioncoruna.es // mundiario.com.

Mesmo se conseguir a AGAL ultrapassar os 3.000€, o que faria é intensificar a campanha, contratando por mais tempo melhores espaços ou ainda procurando colocar anúncios radiofónicos ou difundir um vídeo tem televisões locais. Os anúncios serám colocados em suportes web entre 12 de junho e 13 de julho; contudo, que estejam mais ou menos tempo e que sejam mais ou menos visíveis dependerá das achegas económicas a esta campanha.


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O mundial fala galego

PGL - Este verão decorrerá no Brasil a Taça do Mundo de futebol, o qual colocará o país lusófono americano na centralidade informativa. Por esta razom, a AGAL lança a campanha O Mundial Fala Galego, umha oportunidade de difundir a mensagem reintegracionista batendo o ponto nas oportunidades para a Galiza e na vantagem competitiva que representa partilhar língua com o Brasil.

Precisamente, a atividade central da AGAL para o próximo 17 de Maio, Dia das Letras, consistirá num jogo de futebol no campo de Belvis, em Compostela, o qual decorrerá a partir das 17 h. Na seqüência desta açom serám gravadas imagens e vídeos para acompanhar a campanha O Mundial Fala Galego. Por este motivo, recomenda-se às pessoas interessadas participarem com calças escuras e camisetas amarelas ou vermelhas.

Antes, de manhã, o Conselho da AGAL participará nos atos organizados pola Semente Compostela, com posterior jantar no centro social O Pichel.

 

O MUNDIAL FALA GALEGO

Em 2014 o Brasil centrará grande parte do foco dos meios em todo o mundo. Um país sempre jovem e sempre de futuro, agora também de presente. Umha terra com multidom de contrastes, problemas, oportunidades, matizes e cores. Terra de mistura e de cruzamentos, de luzes e de sombras, de mudanças e de esperanças. Um povo que encontra na língua o elo para construir a sua coletividade. Umha língua nascida em ambas margens do Minho que atualmente é umha das mais faladas e com maior projeçom internacional.

Neste verão do 2014 todo o planeta conhecerá e estará pendente do que é o jogo bonito, a torcida, a bola na rede, as bancadas ou umha folha seca. O galego, que batizado como português percorreu milhares de milhas náuticas, será centro da atençom de muitos lares nos cinco continentes.

A língua própria do país vale para conversar com as nossas amizades, para falar com as nossas crianças, para namorar, para ensinar, para aprender, para trabalhar, para jogar, para sonhar… para ir com as vacas, para apanhar patacas, para cozinhar, para ler umha tese ou para desenhar a mais ponteira tecnologia. E neste ano valerá, também, para organizar, e ser o eixo central, do mais grande espetáculo futebolístico internacional como é a copa do mundo. Umha língua mundial para o mundial. A norma do mundo é nossa.

As pessoas e coletivos que entendemos o galego como esta língua extensa, internacionalmente conhecida como português, queremos mostrar à nossa sociedade como este ano um dos maiores eventos desportivos será desenvolvido nesta nossa língua. Longe das visões derrotistas e (auto)limitadoras insistimos na necessidade de ver na língua um ponto de uniom e umha riqueza coletiva para toda a cidadania galega. O galego é sinal que nos caracteriza, que nos singulariza, mas igualmente é chave que nos abre grandes oportunidades.

É também este 2014 o ano no que a vontade popular tem impulsionado, através das nossas instituições, novas vias para avançar nesta visom alargada do galego. Da língua que temos herdado das nossas avoas e dos nossos avós e que desejamos legar às nossas netas e netos. Mas para isso é preciso percorrer estes caminhos, em cujo início ainda estamos. De reconhecermos o Brasil como país galegofalante ao tempo que reconhecemos a Galiza como lusófona. De dizer aos guarda-redes para avançarem até a área rival, embora nom estejamos no último minuto, para rematar de cabeça um tiro de canto.

De berrar sem medos, com alegria e com muitas esperanças que:

O MUNDIAL FALA GALEGO

A NOSSA LÍNGUA É MUNDIAL

 
   

Miguel Rodríguez Fernández: «É fundamental introduzir o português como língua de estudo no ensino, já agora, desde crianças»

PGL- Miguel Rodríguez Fernández, é natural da Corunha, neofalante. Conheceu o reintegracionismo ao chegar a Compostela e a Agal através do curso on-line Falarmos Brasil, também participou nos cursos aPorto. É jornalista e estagiou em El País, no Xornal de Galicia, na agência Europa Press e atualmente em La Opinión.

Nascido na Corunha, neofalante e dum contexto familiar e social onde o galego quase não existia, com a exceção de ser a língua empregue pelos seus avós e por algum professor nalgumas poucas matérias durante o ensino secundário. Como foi o passo?

O processo não foi fácil. Desde que comecei a educação secundária eu já tive uma certa sensibilidade para a questão linguística e cultural do nosso país, mas eu vivia numa contradição, que era a de defender a língua galega em espanhol, quando falava com a turma nas aulas. Eu não era quem de mudar a minha língua do dia a dia com os amigos e os familiares de toda a vida, com os que sempre tinha falado em castelhano. Se calhar há gente que sim teve a valentia ou a personalidade de fazer esta mudança. Eu não. Sentia uma barreira invisível e o facto de também não conhecer muita gente que partilhasse a minha visão da língua não ajudava a mudar esta situação. Dei o passo, finalmente, quando cheguei à Universidade a Compostela, acho que por dous motivos principais. O primeiro, porque entendi que começava para mim uma nova etapa, mais madura, na qual tinha de ser coerente com o que dizia. O segundo, e talvez mais importante, porque lá conheci muita gente que tinha vivido a minha experiência no passado. Gente que falava castelhano e que um dia decidiu mudar. Se eles podiam, eu também. De tudo isso aprendi que cada pessoa tem de ter os seus próprios ritmos e que o processo individual de normalização do galego é, cada um, um mundo diferente.

Como assumiram as tuas amizades e família a mudança?

As minhas amizades e família já eram conhecedoras da minha opinião sobre o tema, por isso também não foi estranho para elas. Porém, houve alguma situação engraçada. Recordo quando uma rapariga me perguntou uma noite, com toda a boa intenção do mundo, se eu era “gañán”. Fiquei um pouco alarmado pela pergunta, mas ela dizia-me que, para ela, “gañán” era um jovem qualquer dos municípios próximos da Corunha, onde as pessoas falam mais o galego. Ela não dava um sentido negativo à palavra, mas diz muito de como estão as coisas. Evidentemente, foi uma exceção. Amizades e conhecidos entenderam muito bem o passo. Não houve tantas brincadeiras como temia no início.

Jornalista de profissão, foste estagiário em El País, no Xornal de Galicia, no Europa Press e atualmente és em La Opinión. Que diferenças e semelhanças há com respeito aos usos da língua?

Cada jornal é diferente e o uso da língua depende dos livros de estilo que já existem e nos quais os jornalistas pouco podemos influir. Com a exceção do desaparecido Xornal de Galicia, onde tinha a liberdade de escrever em galego o que eu quisesse, o que vivi como jornalista no resto de empresas é que o galego está muito discriminado. As nossas letras saem a passeio um dia ao ano -no Dia das Letras Galegas- e nas informações sobre cultura, no máximo. No jornal onde eu trabalho agora também podemos escrever entrevistas em galego se o entrevistado fala o galego, mas a língua do dia a dia é o castelhano e, nas notícias gerais, as declarações em galego são traduzidas. Também há que destacar um problema que acontece no jornalismo: muitos dos programas de correção não estão programados para a revisão dos textos em galego e isso desincentiva muitas pessoas a fazerem o esforço, especialmente num contexto em que cada vez menos pessoas fazemos mais trabalho e onde precisamente o tempo não sobra. A má situação que vive a língua no jornalismo do nosso país, insisto, acho que não é culpa dos trabalhadores mas dos grupos empresariais da comunicação e do seu quase nulo compromisso com a cultura e línguas deste pais. E o de quase nulo compromisso é relativo. Gostaria de saber quantas linhas em galego seriam escritas nos jornais sem as ajudas públicas da Xunta.

Como conheceste o reintegracionismo e que te impulsionou a dar o salto para o galego conetado com a Lusofonia?

Realmente, na minha vida diária não faço uso habitual do reintegracionismo nem da normativa padrão. Escrevo na normativa RAG-ILG. Conheço o português porque o estudo e costumo ler nesta língua. Do que estou mesmo certo é que o discurso em defesa do galego tem de mudar a abordagem completamente se queremos fazer dele um idioma de futuro. O discurso de que “há que falar o galego porque é a língua dos antepassados” é agora tão efetivo como rezar à virgem do Rosário para sairmos da crise. Eu vejo-o com as minhas amizades e a gente jovem duma cidade como a Corunha. Muitas já não têm avós galego-falantes, é lógico que não sintam o galego como algo seu quando sempre falaram e escutaram o castelhano como a língua mãe.

As realidades mudam e acho que o discurso tem de o fazer também. Ao contrário do que em Euskadi ou na Catalunya, temos a sorte de ter uma língua com que poder falar com 200 milhões de pessoas em todo o mundo e levamos muitos anos vendendo-a como algo pequeno e reduzido quando não é assim. Esta é a nossa vantagem comparativa com o resto. Quando alguém dizer que o galego limita e não serve teria de haver alguém pronto para dizer que o galego não limita, senão que faz da Galiza um país que, pelo domínio do castelhano e do galego, pode falar com o duplo de pessoas no mundo do que alguém nascido em Madrid. Isso permite ler Álvaro Cunhal em original, escutar canção de protesto do Brasil, mas também serve para melhorar as exportações das nossas empresas no mercado dos países da lusofonia, entre os quais está o Brasil Angola. Duvido que haja algum galego, seja nacionalista ou não, que seja contra isto. Às vezes, acho que somos nós mesmos os que não queremos entender. Conheço uma pessoa da Corunha que trabalha numa empresa financeira em Madrid. Agora estão a fazer investimentos no Brasil e os chefes chamaram-no para fazer de intermediário com os brasileiros “porque el gallego y el portugués son muy parecidos”. O engraçado é que ele era dos que pensavam que o galego fechava portas. Teve de ir para Madrid para comprovar que as abria.

Por onde achas que deve caminhar o reintegracionismo e o movimento normalizador?

Acho fundamental introduzir o português como língua de estudo no ensino, já agora, desde crianças. É, aliás, o melhor jeito de que a gente jovem compreenda com a sua própria experiência que não há quase diferenças entre o que se fala aqui e o que falam em Lisboa, Luanda ou Porto Alegre. Com o galego temos já mais de 80% do caminho feito e não há que perder essa oportunidade. Na China o português já é uma das línguas mais estudadas nas Universidades. O nosso é um privilégio. Por isso, acho que iniciativas como a ILP Valentim Paz-Andrade são do mais interessante e oportuno.

Que visão tinhas da AGAL, que te motivou a associar-te e que esperas da associação?

Não tinha escutado o nome da AGAL até que cheguei à Universidade e, uma vez lá, também não tinha muito conhecimento da sua atividade. Comecei a saber mais da associação quando me inscrevi no curso online Falarmos Brasil, a minha primeira experiência académica com a norma portuguesa, que posso dizer que foi um autêntico sucesso. Depois também participei no curso aPorto, que também recomendo. A decisão de começar a fazer parte da AGAL veio da minha convicção de que o discurso linguístico tinha de mudar a sua focagem e olhar para a lusofonia, do interessante trabalho que percebi que estavam a desenvolver com escassos recursos (os cursos online, os aPorto...), da pluralidade ideológica e de pontos de vista que havia entre os seus membros e, também, do desaparecimento social e inatividade das organizações cívicas que nos últimos anos, em teoria, mais trabalharam pela normalização do galego.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Gostaria dum país onde não tivesse que me girar ao escutar uma criança falar o galego na minha cidade. Gostaria dum país onde os jovens acabem os estudos secundários com a mesma facilidade para falar o galego e o castelhano, coisa que hoje não acontece. Mas, sobretudo, gostaria duma Galiza onde o galego fosse a língua do dia a dia para os miúdos, os pais e mães de família e os avós e onde a gente tenha consciência da nossa estreita relação com os países que falam o português. Tudo isto, logicamente, numa sociedade que tenha também competências para falar numa língua tão formosa como o castelhano, o francês ou qualquer outra que cada um quiser.

Conhecendo Miguel Rodríguez Fernández

 

  • Um sítio web: Wikipédia
  • Um invento: A máquina de lavar a roupa.
  • Uma música: Gosto de muitas.
  • Um livro: O sorriso etrusco, de José Luís Sampedro.
  • Um facto histórico: As revoltas irmandinhas.
  • Um prato na mesa: Um cozido à galega.
  • Um desporto: O futebol
  • Um filme: A batalha de Argel.
  • Uma maravilha: A nossa cozinha
  • Além de galega: Europeu
 
 

Vítor Garabana Barro: «A minha atitude social cara à língua mudou há poucos anos, quando observei assombrado que os que estão no poder na Galiza deixaram de ser politicamente corretos»

PGL- Vítor Garabana Barro nasceu em Ponte d'Eume mas reside em Madrid, onde a sua galeguidade tem facilitado o seu percurso profissional no ramo das telecomunicações e a informática.  Pensa que a estratégia luso-brasileira deve passar pola sedução e deseja que a nossa sociedade em 2020 saiba tirar partido linguístico da lusofonia.

Como foi o teu contacto com o galego(português)?

Eu nasci e cresci em Ponte d'Eume, vila que se encontra numa das comarcas que mais está a sofrer a substituição linguística desde há décadas. No meu ambiente o predomínio era quase hegemónico do castelhano (família, escola...) e era essa língua a que eu usava principalmente, mas às vezes também usava o galego com os membros mais idosos da família e com alguns vizinhos. O meu uso das duas línguas era portanto claramente diglóssico.

Ora bem, como gosto muito da leitura, já desde rapaz comecei a ler livros em galego, mesmo ensaios clássicos como o "Sempre em Galiza" de Castelao ou alguma coisa de Xohán Vicente Viqueira. Não posso dizer portanto que a reivindicação teórica da unidade linguística de galego e português me fosse desconhecida. Quanto ao reintegracionismo como estratégia e proposta normativa organizadas, a primeira vez que ouvi falar foi a finais dos anos 80.

Acho que na prática muitos galegos sempre foram conhecedores da unidade de galego e português. Por exemplo ninguém ficava espantado porque houvesse portugueses a trabalhar no rural e na construção galegas, ou excursões galegas da terceira idade ao Bom Jesus de Braga, sem grandes problemas de comunicação.

No pessoal lembro uma viagem nos anos 70, ainda criança, quando fui acompanhar um familiar a Lisboa e ele se exprimia lá de jeito natural em galego. Não se fazia perguntas do tipo: Posso usar o galego para me entender com os portugueses? ou, são o galego e o português a mesma língua?. Usava-se, e pronto.

Porém, embora simpatizasse com as ideias de defesa da dignidade do galego, eu não era "militante" da língua: de facto continuei a me exprimir principalmente em espanhol até há poucos anos. Ingenuamente pensava que as leis e a ação da administração galega eram suficientes para a normalização do galego, que era já uma tendência que apanhara o seu carreiro e que não precisava da militância social de todos os que concordamos com ela.

O galego, no teu caso, foi extenso e útil, não é?

Na universidade segui um curso de engenharia. Ao acabar encontrei o meu primeiro emprego em Madrid. Já nesta cidade me apresentei para uma bolsa-estágio de informática do ICEX ("Instituto Español de Comercio Exterior"). Devo dizer que o conhecimento do galego me encorajou a fazer o exame opcional de português e não devi fazer muito mal em comparação dos outros aspirantes pois consegui o estágio em 93 na cidade de Lisboa.

Foi em Lisboa onde descobri que o português é o galego conservado, potenciado e atualizado. Lá descobri as velhas palavras galegas dos avós, que considerava já desaparecidas, vivas e pujantes. E aprendi novas palavras que não conhecia e que estão nos dicionários galegos mas ninguém já usa na Galiza. Uma das melhores sensações é que aos falantes de galego, depois de várias semanas a viverem em Portugal, ninguém nos pergunta de que país estrangeiro vimos, senão de que país (lusófono) é o nosso sotaque.

Nesse tempo desejei alguma vez ter uma varinha mágica para transportar à minha comarca o ambiente linguístico que estava a viver pessoalmente, para que amigos e vizinhos vissem com os seus próprios olhos que o galego é útil e perfeitamente válido para todos os âmbitos da vida moderna.

Após estagiar noutras cidades europeias voltei a Madrid para continuar a trabalhar numa empresa relacionada com a mesma atividade. Mudei varias vezes de empresa e atividade: passei por diferentes firmas de telecomunicações e informática, até hoje.

A minha atitude social cara à língua mudou há poucos anos quando observei, assombrado, que os que estão no poder na Galiza deixaram de ser "politicamente corretos" e deixaram ver às claras a sua estratégia linguística: deixar esmorecer o galego com uma espécie de eutanásia passiva. Decidi envolver-me na medida das minhas possibilidades nos esforços coletivos pela pujança da língua.

Os portais da AGAL na Internet, os cursos aPorto, os concertos da Uxia e amigos em Cantos na Maré ou os Corasons, as publicações de grupos como a Gentalha do Pichel ou a Artábria, acabaram por me seduzir para o reintegracionismo.

Numa área como a informática e as telecomunicações talvez seja mais notória o pouco percurso duma estratégia autonomista para o galego?

Pois, é mesmo assim. Ainda que eu já publiquei na Internet um pequeno guia didático para ajudar as pessoas galegas a porem o seu PC em galego RAG, porque considero que hoje as possibilidades de que as pessoas o leiam são maiores que se eu aconselhar diretamente o uso do software em português.

Mas qualquer um que aprofundar um bocadinho no assunto verá que a opção RAG disponível para o windows é  um “patch” de tradução em cima do windows espanhol que deixa partes importantes sem traduzir. A Junta da Galiza paga por isso e o resultado é parcial. Adicionalmente os vendedores de computadores na Galiza não fazem o trabalho extra de instalarem o patch galego e portanto a maioria dos usuários compram o windows em espanhol e deixam ficar.

Era mais direto e completo que o windows galego fosse um “sabor” do windows em língua portuguesa, como de facto há um sabor português e outro brasileiro.

No que respeita à opção do software livre, com todo o meu respeito e toda a minha admiração para a comunidade de “localização ao galego”, também opino que o seu trabalho seria mais eficiente se juntasse esforços com as comunidades da lusofonia. Acho que se podiam refletir as poucas peculiaridades galegas sobre uma base comum luso-brasileira.

Quanto à Internet, a disponibilidade de aplicações e portais com interface em português padrão evidentemente é muito maior que na norma RAG.

Em Madrid existe um contacto fluído entre a emigração galega interessada nas questões galegas? A distância ajuda a ter uma visão diferente da língua da diretamente emanada das instituições?

Há centenas de milhares de galegos a morar em Madrid: já disse Celso Emílio Ferreiro nos anos 70 que era a cidade do mundo com mais galegos. Mas espalhados e anónimos, poucos mostram publicamente interesse nas questões culturais galegas. Vejo esta cidade como uma máquina de transformar galegos: é muito fácil encontrar segundas e terceiras gerações que nem falam uma palavra na nossa língua nem conhecem a realidade galega.

As exceções que eu conheço são um grupo de escritores de expressão galega (o grupo Bilbao), vários grupos de professores e alunos das instituições que ensinam a nossa língua e também uma associação de mulheres sobrevivente do movimento Lôstrego-Irmandade galega dos anos 70. O conjunto não é muito numeroso mas os seus membros mantêm um contacto fluído.

A visão da língua cá trazemo-la as pessoas connosco de lá e portanto é uma cópia das visões que há na Galiza. Aliás, a Internet faz com que a distância virtual seja menor.

O que eu observo cá de diferente são as pessoas que se interessam pela cultura galego-portuguesa sem contacto prévio com a Galiza. Em geral essas pessoas veem o galego-português como um contínuo mas acham a variante galega ser um “português light” ou “portunhol”. Essa é a imagem que lhes chega da Galiza através dos meios.

Salvo as pessoas que têm um interesse concreto (um namorado galego, a vontade de ir trabalhar à Galiza...) o resto optam por estudarem o português “cerna dura” nas EOI, no Camões ou na Casa do Brasil e acham que, caso precisem ir à Galiza poderão desenvolver-se. Consideram que o contrário (estudarem a língua nas instituições galegas) não lhes daria jeito para se desenvolverem em Portugal ou no Brasil.

Por onde pensas que deve transitar a estratégia luso-brasileira para a nossa língua?

Pela sedução dos muitos milhares de pessoas na Galiza que se encontram atualmente numa fase “transitória”. Quer dizer, aquelas que para a sua vida e planos de futuro têm já como língua o espanhol, mas ainda têm conhecimento ou contacto com o galego porque os pais/mães/avós o falavam. Também se podiam incluir as pessoas que já perderam o contacto com o galego há varias gerações mas não o odeiam.

Um primeiro âmbito de sedução: o lazer, especialmente o da mocidade,  por meio de materiais do mundo português-brasileiro: música, desportos, filmes, meios audiovisuais... etc.

Se qualquer adolescente puder ver na TV o Disney Channel brasileiro além do espanhol, puder comprar no quiosque uma revista de música, moda ou desportos em português além do espanhol, puder ver a sua série americana preferida dobrada ou legendada em português além do espanhol, puder escutar músicas brasileiras e portuguesas junto com as galegas além das espanholas, não mudará a sua visão da língua?... É um objetivo impossível de alcançar? Os materiais já existem, é trazê-los para a Galiza.

O segundo âmbito de sedução, tão difícil de ganhar para o galego: o laboral. Está na moda falar das oportunidades no Brasil e na África, que com certeza há. Que as empresas galegas fossem capazes de tirar partido dos falantes da nossa língua para conquistarem esses mercados se calhar podia tirar preconceitos e ser o germolo para o uso normal também no mercado interno.

Também é pena, por exemplo, que entre empresas e instituições da euro-região a língua de comunicação seja o espanhol porque os galegos pensem que não falam português e os portugueses pensem que não falam galego. Isso decerto prejudica a fluidez dos contactos.

E por falar na indústria do ensino linguístico: é utópico pensar que no futuro  as pessoas interessadas na lusofonia possam vir à Galiza aprender português na variante galega, o mesmo que em qualquer outra variante?

Por que decidiste enrolar-te no navio agálico?

Porque concordo com a visão estratégica da Agal para a língua e quero dar o meu pequeno contributo.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Eu gostava de que a nossa sociedade em 2020 soubesse tirar partido linguístico da lusofonia. Primeiro, para se reconhecer a si própria nos países irmãos e portanto reconhecer a língua e cultura galegas como mundiais. Para depois deixar de ver o mundo exclusivamente através dos olhos dos espanhóis, compreender que outras olhadas são possíveis e portanto chegar a ver com olhos propriamente galegos.

 

Conhecendo Vítor Garabana Barro


  • Um sítio web: Os meios digitais em galego, são a nossa expressão coletiva sem pedirmos licença aos que sempre controlaram a opinião
  • Um invento: Os aparelhos elétricos que melhoram a vida das pessoas, desde a máquina de lavar roupa até os que fazem possível a Internet.
  • Uma música: Muitas! Agora sinto-me fascinado pela canção brasileira atual, por exemplo a que faz a Mariana Aydar.
  • Um livro: Sempre  em Galiza
  • Um facto histórico: A revolução francesa
  • Um prato na mesa: Peixe Grelhado
  • Um desporto: Canoagem em caiaque
  • Um filme: 2001, Uma Odisseia no Espaço
  • Uma maravilha: O mar
  • Além de galega: Europeu atlântico.




 
   

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