Associaçom Galega da Língua

AGAL elegeu um novo Conselho para construir novos consensos para a língua que assentem na Lei Paz-Andrade

Fotografia de família com parte das pessoas que assistírom a esta assembleia geral

Fotografia de família com parte das pessoas que assistírom a esta assembleia geral

 

A Associaçom Galega da Língua (AGAL) elegeu no fim-de-semana os integrantes do novo Conselho (junta diretiva) que dirigirá a entidade reintegracionista os vindouros quatro anos. Apenas concorreu umha candidatura, encabeçada por Eduardo Sanches Maragoto e apresentada sob o lema «Polo Novo Consenso». Na assembleia geral mais participativa dos últimos anos, o novo Conselho foi eleito graças aos 87% dos votos emitidos na assembleia. Desde modo, Maragoto converte-se na sétima pessoa em assumir a Presidência da AGAL desde a sua constituiçom em 1981 e sucede no cargo Miguel Rodrigues Penas. No que di respeito do resto de responsabilidades no novo Conselho, a Vice-Presidência corresponde a Carlos Quiroga, a Secretaria a Eliseu Mera, a Tesouraria a José Calleja e as vogalias a Susana Sánchez Arins, Jon Amil, Ricardo Gil e Xico Bugueiro.

Continuar...
 
 

Eleições AGAL: Apresentado programa da candidatura Polo Novo Consenso

Eduardo S. Maragoto

Na seqüência das eleições ao Conselho da AGAL, a candidatura Polo Novo Consenso, encabeçada por Eduardo Sanches Maragoto, apresenta nesta segunda-feira o seu programa, no qual explica em detalhe as linhas de açom para os vindouros anos.

Este programa inclui a proposta de confluência normativa que se debateu na plataforma Loomio até quinta-feira passada e no qual 74% das pessoas participantes (todas elas sócios e sócias da AGAL) mostrárom o seu interesse na iniciativa.

Doutra parte, o programa também insere praticamente todas as propostas colocadas polos sócios e sócias na ferramenta on-line para elaborar de maneira co-participada o programa e as linhas de açom. Daquelas, aliás, que nom fôrom recolhidas diretamente, «terám-se em conta certos aspetos para completar outras propostas ou já aparecem aglutinadas com outros pontos do programa que figuram no programa», segundo a candidatura Polo Novo Consenso.

A candidatura agradece a todos e todas as participantes o facto de terem contribuído tanto para a elaboraçom do programa como para o debate sobre a confluência normativa, quer no Loomio quer em numerosos artigos e comentários deixados no PGL. Ainda, agradece especialmente a Antom Meilám o trabalho informático realizado para possibilitar a participaçom das pessoas associadas na elaboraçom do programa, «umha experiência a repetir para a tomada de novas decisons no futuro».

Linhas de açom

Polo Novo Consenso é umha candidatura «continuadora do labor realizado polos dous últimos Conselhos da AGAL». Portanto, no caso de ser eleita, manterá «todas as linhas de trabalho atuais» e ainda fixa novos objetivos para os vindouros anos.

O compromisso de trabalhar para a elaboraçom de umha proposta de confluência normativa é só um dos quatro pontos do programa, que esquematicamente se divide da seguinte maneira:

  1. Confluência normativa.
  2. Acompanhamento da Lei Paz-Andrade (LPA).
  3. Vinculaçom reintegracionismo e identidade galega
  4. Áreas de continuidade
Continuar...
 
 

Apresentaçom do ‘Dicionário Galego do Futebol’, da Comissom Lingüística da AGAL

bola_de_futebol

A Comissom Lingüística da Associaçom Galega da Língua congratula-se de poder oferecer aqui ao público galego o Dicionário Galego do Futebol [PDF], o qual, com cerca de 500 conceitos e cerca de 1000 termos galego-portugueses (acompanhados dos correspondentes equivalentes em castelhano, inglês e alemám), compreende os elementos vocabulares essenciais da linguagem deste desporto, o mais praticado e seguido em todo o mundo e aquele que também na Galiza desfruta de umha maior projeçom social.

Assim, hoje a linguagem do futebol nom só é utilizada polos muitos homes e mulheres que de modos diversos se dedicam diretamente a este desporto (enquanto jogadores amadores ou profissionais, técnicos, árbitros, diretivos de clubes e federaçons ou jornalistas desportivos), como também por um elevado número de adeptos e aficionados e, em geral, nem que seja de modo passivo, polo conjunto dos cidadaos, umha vez que o futebol se tem tornado entre nós num importante agente configurador da cultura popular hodierna.

No entanto, na Galiza, a linguagem do futebol veiculada na nossa língua autóctone acusa hoje, infelizmente, na esmagadora maioria dos casos, a presença de um sem-número de ilegítimos castelhanismos, que tornam este galego um código descaraterizado, incoerente, disfuncional e antieconómico. Tal degradaçom expressiva deve-se, sobretodo, em primeiro lugar, à incapacidade do galego contemporáneo para criar de modo autónomo, no quadro da sua subordinaçom sociocultural a respeito do castelhano e do seu correlativo isolamento a respeito das variedades lusitana e brasileira da língua, novos elementos lexicais denotadores de realidades modernas (nom esqueçamos que o futebol só surge, tal como hoje o conhecemos, no fim do século xix!) e, em segundo lugar, à inibiçom dos codificadores e lingüistas oficialistas (rag-ilg, rg e tvg), que nom sabem ou nom querem expurgar os castelhanismos deturpadores, apresentando-nos um galego do futebol (e, em geral, dos desportos) servilmente decalcado do castelhano (ex.: cast. balón > gal. *balón, cast. fútbol > gal. *fútbol, cast. portería > gal. *portería, cast. rechace > gal. *rexeitamento, cast. saque > gal. *saque), com ocasionais neologismos, às vezes pitorescos (ex.: *adestrador(a), *saque de recuncho).

Frente a essa atitude de resignaçom e de gratuíta subordinaçom, profundamente nociva para os interesses dos utentes de galego, a Comissom Lingüística da Associaçom Galega da Língua, na melhor tradiçom do reintegracionismo lingüístico e na seqüência da recente publicaçom do seu O Modelo Lexical Galego (2012), propom aqui configurar a linguagem galega do futebol (como, em geral, a de todas as áreas de especialidade), de forma natural e económica, através de umha constante coordenaçom lexical do galego com as variedades socialmente estabilizadas da nossa língua (lusitano e brasileiro). Só deste modo, com esta perspetiva ecuménica da nossa língua, verdadeiramente natural e emancipadora, é que poderemos disponibilizar em galego umha linguagem do futebol plenamente genuína e coerente, nom subordinada ao castelhano, e que, além disso, nos facilite umha saudável sintonia comunicativa com outros países de fala galego-portuguesa, nos quais, por sinal, o futebol tem atingido, dos pontos de vista desportivo e social, um prestigioso desenvolvimento (cf. jogo bonito).

Encerramos, pois, esta apresentaçom do Dicionário Galego do Futebol com o desejo de que o seu lançamento constitua um estímulo para os galegos utilizarem cada vez mais e melhor a língua autóctone da Galiza também no ámbito do futebol, e de que esta obra represente apenas um primeiro contributo da Comissom Lingüística da agal no campo da terminologia dos desportos e de outras áreas de atividade.

 
   

Eleições AGAL: Processo participativo para sugerir propostas ao programa eleitoral da candidatura ‘Polo Novo Consenso’

A candidatura ao Conselho da AGAL que encabeça Eduardo Sanches Maragoto, ‘Polo Novo Consenso‘, inicia o processo participativo para as pessoas interessadas realizarem sugestões ao seu programa eleitoral.

Conforme se informou no PGL, esta candidatura apresenta-se com duas linhas programáticas em cuja definiçom poderá participar qualquer pessoa que se registar na plataforma:

  1. O desenvolvimento da Lei para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a Lusofonia (Lei Paz Andrade).
  2. O fomento da identificaçom entre cultura galega e reintegracionismo.

Para avançar com ambas as linhas programáticas, a candidatura ‘Polo Novo Consenso’ pretende fomentar a colaboraçom do/com o conjunto da sociedade, tecendo redes que facilitem a penetraçom da ideia de comunidade galego-portuguesa, nomeadamente através da implementaçom de projetos que permitam explorar ao máximo a dita lei, tanto no que diz respeito à promoçom do português no ensino como no campo das relações galego-portuguesas no âmbito comunicativo, social e institucional.

Esta plataforma estará aberta até ao dia 15 de outubro e entre esse dia e o dia 18 decidirá-se quais das propostas sugeridas se poderám implementar no programa com que ‘Polo Novo Consenso’ concorrerá às eleições da AGAL.

 

 
 

Joám Lopes Facal: «A deterioraçom da consciência social é severa mas acredito no triunfo do idioma recuperado na sua primitiva pureza»

Percursos sem roteiro (capa)Percursos sem roteiro (Através Editora, 2015) recolhe as reflexons e os saberes de Joám Lopes Facal, um autor que impregna os seus textos da maturidade de quem já viveu muitos frentes de batalha e de paz. A obra divide-se em vários capítulos com as seguintes temáticas: Galaicidades, Escrito sobre a água, Longa língua e Incursons. No primeiro, Facal escreve sobre o país, do território deitado entre os montes e o poente que vai do Ortegal ao Minho e daí ao Douro, esses dous rios separados por umha ténue fronteira de ar. No segundo, alude-se a fugazes biografias, a notas marginais a pé de página de um livro de história que ninguém escreveu. Já no terceiro, reflete sobre as «horas da vida gastadas em habitar a língua que nos comunica e nos acolhe e era obrigado julgar o seu estado». Já nas Incursos, o autor fala mormente de intervençons nom solicitadas de índole política.

Que vam encontrar os leitores e leitoras em Percursos sem roteiro?

Umha coletánea de tentativas que pretendem interpretar a surpresa de viver o quotidiano e o pouso persistente na memória.

O primeiro capítulo, “Galaicidades”, viaja por Galiza e Norte de Portugal como um continuum. Em que medida persiste a Gallaecia?

Há umha Gallaecia como húmus da nossa história, persistente na toponímia e na feira, terra e gente e há também umha Gallaecia cordial e simbólica, como a Terra de Miranda de Álvaro Cunqueiro. O Castro Laboreiro das terras de Melgaço som vizinhas de porta com porta com a minha terra fisterrana de Maçaricos, por exemplo. O alargamento da Galiza tetra provincial ao território galiciano é um procedimento óptimo para desprendermo-nos da rede burocrática que pretende apreijar a naçom dos galegos em recipiente regional.

O segundo capítulo, “Escrito sobre a água”, inclui artigos de prosa de recreaçom histórica e louvores dedicados a ilustres companheiros de vida. Qual é a razom de entrelaçar estes artigos no capítulo de nome mais poético?

É umha secçom de homenagem à nostalgia do tempo vivido ou adoptado como próprio.

O terceiro capítulo, “Longa língua”, com um monlho de artigos onde o tema evidente é a língua recuperada. Como resumirias o teu ponto de vista?

Bom, persiste em mim a memória vivenciada do neno que nasceu na aldeia familiar de ascendência secula, o lugar de Toba. É um pacto vitalício renovado cada fim-de-semana.

A minha conceçom do idioma afinca na categoria de continuidade histórica da língua. O galego é, por cima de todo, o que os galegos falam. Esta conviçom tinge a minha adesom à AGAL. É por isso que muitas das minhas reflexons sobre idioma tenham como interlocutor um contendente virtual para quem o galego tem um valor mais instrumental e orientada para a relaçom cosmopolita. Som reflexons em volta do galego dos galegos, em definitivo.

No último capítulo, “Incursons”, falas da política a partir do interesse e o gosto polas discrepáncias com o teu persoal carimbo de polemista elegante. Será que nom estamos afeitos a discrepar inteletualmente? Achas em falta, talvez, fair-play no establishment político?

Bom, o meu partido foi sempre a Esquerda Galega nos seus diversos avatares até a sua desapariçom. Nunca me identifiquei com o nacionalismo essencialista que acabou prevalecendo no BNG. No entanto, o projeto de recuperaçom e potenciaçom dos atributos nacionais do meu país continua impregnando as minhas aspiraçons como um imperativo irrenunciável. Sem fundamentalismo nem superstiçom identitária mas com a firme convicçom de o autêntico inimigo da Galiza ser a sua própria sociedade. A tonalidade polémica das reflexons assenta nestas conviçons.

No livro descobres-te como um grande e impenitente leitor. Que leituras do resto da Lusofonia recomendarías a um acabado de chegar ao galeguismo internacionalista? E aos que já levamos um tempinho?

Bom, cada um de nós tem o seu gosto formado, fruto do acaso e das vivências. A minha ligaçom literária com Portugal é de amplo espectro e alimenta-se do gozo experimentado por Portugal e as suas letras. Os cantores de Portugal, presididos polo grande Zeca, alicerçam o meu coraçom lusitano desde a primeira juventude.

Há uns dias estivem percorrendo as aldeias históricas de Portugal que se encostam na Serra da Estrela; a visita à Senhora do Almortão nom faltou, como oferenda ao Zeca. A subtil fonética portuguesa revela-se para mim no maravilhoso livro de poesia portuguesa do século XX –acompanhado de dous CD’s imprescindíveis– “Ao longe os barcos” [seleçom de Gastão Cruz: “Ao longe os barcos”, Assírio & Alvim, 2004].

Sou membro ativo do clube de leitura compostelano Santengrácia, onde comentamos cada trimestre um livro previamente seleccionado e discutimos com paixom a próxima leitura. No “santengrácia” há portuguesas e há galegas e galegos unidos polo amor à literatura portuguesa. A próxima leitura vai ser a “Luuanda” de Luandino Vieira. O idioma português é para ser gozado.

Quanto aos meus gostos persoais… apaixona-me o ensaio: Eduardo Lourenço, José Gil, Miguel Real…António Ségio, Orlando Ribeiro… E, naturalmente, a poesia com Pessoa em frente.

Continuar...
 
   

Pág. 4 de 57

Actualidade da Língua no PGL

  • seique - 13,00 €
    thumb

    seique não é um poemário, seique não é um romance, seique não é um ensaio, seique não é uma pesquisa histórica. porém, seique recolhe alguma cousa de cada um desses géneros. seique nasce duma estória de vida...

  • Diários - 14,00 €
    thumb

    Os textos que Carlos Calvo nos entrega neste livro som como estouros de estalitroques, como a vaca-loura diante da escavadora, como as bandeiras que aparecem nos...

  • Os modos do mármore - 15,00 €
    thumb

    Quinto livro de poesia do escritor angolano Ondjaki, primeiro com a Através Editora, sob a ideia gráfica da desenhadora Ana Varela.