Associaçom Galega da Língua

Anova organiza homenagem em Ferrol a Carvalho Calero com presença da AGAL

PGL - O presidente da AGAL, Miguel R. Penas, participará domingo, 27 de outubro, em Ferrol, numha jornada que organiza a Mocidade de Anova-Irmandade Nacionalista sobre Carvalho Calero, a quem fazem homenagem no aniversário do seu nascimento, que será só três dias depois.

A jornada decorrerá no IES Concepción Arenal e terá a seguinte programaçom:

  • 12:00-12:15 - Apresentaçom da jornada.
  • 12:15-13:45 - O galego no ensino público. Umha visom sócio-linguística.
  • 13:45-16:00 - Jantar (o jantar custará uns 10 € e para se inscrever é necessário reservar antes do sábado 26 pas 12h no e-mail mocidadeanova[arroba]gmail.com ou mocidade[arroba]anova-galiza.org)
  • 16:00-17:00 - Homenagem a Carvalho Calero: diante da que foi a sua vivenda natal. Atuaçom musical por encarregado da Liga Gaiteira Galega, recital obras de Carvalho Calero, oferta floral e hino.
  • 17:00-18:30 - O galego e os meios de comunicaçom. Participam Miguel Rodríguez (La Opinión), David Lombao (Praza Pública) e María Xesús Arias (RadioFene).
  • 18:30-20:00 - A normativa AGAL. Miguel Penas. 20:00-20:15 - Clausura da jornada.
 
 

Matias G. Rodrigues, licenciado em História da Arte: «É preciso espalhar a mensagem, dado que esta está já conformada, e tem as de ganhar»

PGL- Matias G. Rodrigues é neofalante de 23 anos de Ponte Vedra, começou a falar galego na universidade uma vez vencido o medo à sua incompetência. Desde o começo, tanto influído polo contexto da corrente política em que ia penetrando como por textos, vídeos, livros como Do Ñ para o Nh de Valentim R. Fagim e algum curso na Gentalha. É licenciado em História da Arte e acaba de chegar de fazer um mestrado em Barcelona.

De Ponte Vedra, neofalante e dum contexto familiar e social onde o galego não existia em modo algum, com a excepção de ser a língua empregue por algum professor nalgumas poucas matérias durante o ensino secundário. Como foi o passo?

No centro de Ponte Vedra pode-se viver sem escutar galego em absoluto. No meu caso, cresci numa família onde todos falam castelhano, os meus companheiros de escola e liceu falavam castelhano, os meus livros estavam em castelhano, e mesmo algum professor do colégio dava as aulas de Galego em castelhano (por incrível que pareça). O passo, em consequência, foi lento, mui lento, já que até chegar a Compostela nunca vivera propriamente num contexto galego-falante, nem falara a língua durante mais de duas ou três frases seguidas (nas aulas do liceu e sem demasiada competência).

Como foi assumida esta mudança entre as tuas amizades, família...?

Com profunda estranheza, com certeza. A minha mãe, por exemplo, não sabe falar o idioma, dado que ninguém na família o falava e também não o estudara no colégio, pelo qual para ela era quase como se falasse uma língua estrangeira; muita gente criada em galego ignora a quantidade de gente na Galiza que está neste caso, pessoas que não têm propriamente nada em contra da língua, é só que esta não formou parte da sua infância, conformação pessoal, relações profissionais, etc. Seja como for, a maioria destas pessoas, em especial a gente nova, é muito receptível à mensagem reintegracionista; simplesmente, como vivi eu mesmo a respeito dos meus amigos, nunca tiveram a possibilidade de discuti-lo porque nem sabiam o que era, por mui razoável, ou mesmo óbvio, que lhes parecesse depois.

Acabas de chegar de Barcelona, de fazer um mestrado. Sempre se diz que havia que enviar aos galegos e galegas a Portugal, mas há muitas pessoas que morando na Catalunha, e em contacto com o catalão tiveram o insight. É o teu caso?

Embora eu já falasse e escrevesse em concordância com esta visão antes de ir embora, o certo é que foi toda uma experiência. Em realidade, basta com apanhar o autocarro do aeroporto à cidade para ver como poderiam ser as coisas na Galiza (digamos numa Galiza hipotética, culturalmente dirigida por gente que se preocupasse pela nossa língua mais do que pelas subvenções). Uma voz em off avisa das paragens em catalão e inglês, e vais observando como todas as lojas têm a rotulação no idioma do país; surpreendentemente, a gente parece saber que taronja significa “laranja”, ou lloguer “aluguer”, e também não se perdem os turistas.

Em termos gerais, a visão da língua é muito diferente lá, para começar porque a sua estruturação política e consciência nacional é muito diferente. A questão da “utilidade da língua” simplesmente não tem lugar: é o seu idioma, e usam este (tanto nos supermercados como na universidade), como em qualquer sociedade sã. Pelo que respeita ao meu caso, não podia deixar de pensar no triste que se tornava que, após um curso antes de ir embora, o próprio contato com a gente lá e um pouco de vontade, falasse catalão sem (demasiada) vergonha o primeiro mês, porque sei que provavelmente saiba eu mais catalão do que muitos galegos sabem o seu próprio idioma. As diferenças manifestavam-se constantemente; baste mencionar o facto absurdo de que em Barcelona há infinidade de livrarias nas quais podes pegar em livros escritos por portugueses, angolanos ou brasileiros no nosso idioma, quando isto não acontece em nenhum lugar da Galiza.

Que te motivou a viver o galego como sendo extenso e útil?

Num primeiro momento, como muita gente educada em castelhano, creio que foi antes bem uma posição "inteletualista", por assim dizer, algo que achava evidente em termos argumentativos, mas não vitais. Tive que ter contato com a realidade em galego para tomar consciência da verdadeira natureza do problema, que é em realidade muito mais simples: é a minha língua.

Por outra parte, longe da retórica dos livros de texto do colégio e liceu, nunca senti a nossa língua como algo exclusivo da Galiza, como algo que rematasse magicamente onde o faz o nosso mapa. Nunca senti Pessoa como "menos meu" que o Manuel António, pelo que desde o começo optei pelo reintegracionismo como algo óbvio em si mesmo. Com respeito à ortografia, não é nada que um curso (uma hora no Pichel!) não possa arranjar, quanto menos para te poder manejar com maior soltura (estar a umas poucas normas ortográficas de distância de 250,000,000 de pessoas está bem, né?).

És licenciado em Historia da Arte, existem laços entre a Galiza e o resto da lusofonia no teu campo?

Em absoluto (quanto menos laços reais, isto é, os que existem entre iguais). Embora existindo evidentes e contínuos contatos com a arte portuguesa, um tudense poderia licenciar-se em História da Arte em Compostela sem saber absolutamente nada da arte do Porto, por exemplo. A nível investigador, o autismo é semelhante, e mesmo os congressos "ibéricos" costumam a se conceber como congressos de arte "espanhola" (ainda estou a aguardar pelo que pode isso significar), entendendo a portuguesa como uma sorte de "apêndice" pitoresco, em todo caso menor (e pior). Mesmo quando as conexões entre a arte galega e brasileira (talvez mesmo mais que com a portuguesa) sejam cada dia mais evidentes, é algo que se sai dos parâmetros discursivos (é dizer, ideológicos) da universidade galega, pelo que simplesmente se ignora.

Achas que se conhece a arte lusófona na Galiza e ao contrário? Como se poderia trabalhar este tema?

Na atualidade, os estudos de História da Arte contemplam três matérias obrigatórias sobre "arte espanhola" e outras tantas sobre arte galega (algo disparatado, ao entenderem por isto literalmente a arte que podemos topar nas fronteiras da atual C.A.G., o qual se evidenciava tão absurdo em termos artísticos como históricos). Conhecer a arte da Lusofonia a nível académico seria tão simples como inclui-la nos programas de estudo; isto possibilitaria que se publicasse mais e que se celebrassem mais exposições, para que assim o conhecimento popular (tanto o nosso como o das demais nações lusófonas a respeito da arte galega) se espalhasse. Porém, com muitos historiadores sucede o mesmo que com outros tantos filólogos: não existe vontade qualquer de tender pontes; preferem morrer com as janelas bem fechadas antes que reconsiderar a sua postura. Se não nos respeitamos nem nós, como estranhar-se de que o diretor do Centro Galego de Arte Contemporânea (de nacionalidade portuguesa) fale em castelhano?

Na tua opinião, por onde deve caminhar a estratégia luso-brasileira para avançar na sua sociabilização?

Creio que há que deixar de negociar com o carcereiro. A estratégia luso-brasileira está aqui para ficar e não há permissões nem concórdias que buscar com quem antepõe os seus interesses económicos e ideológicos aos da língua. É por isto que o labor da AGAL é importante, porque tem como vontade primeira somar forças, socializar e formar, reforçando assim o nosso lugar no mundo. Por isto, creio que o caminho está já marcado, e não é outro que a expansão progressiva duma muito feliz mensagem: crias que te podias comunicar com dois milhões e meio de pessoas, quando em realidade, podes fazê-lo com quase trezentos, e assim também escutar a sua música, ler os seus livros, aprender a sua História, etc. Numa palavra, o que é preciso é espalhar a mensagem, dado que esta está já conformada, e tem as de ganhar.

Que visão tinhas da AGAL, que te motivou a te associar e que esperas da associaçom?

Eu via a AGAL como uma meta à que me ia levar muito tempo chegar, porque eu, como tantos outros, passei pela fase do "não sei escrever". Porém, bastou-me com conhecer gente vinculada à associação para me dar de conta de que a coisa não consiste em fazer exames, e que todas e todos estamos lá para aprender e crescer. De súpeto, tudo se tornava óbvio e natural (é como diz o Hegel, a necessidade só é percebida de jeito retrospetivo).

Uma cultura, ou está viva, ou não é tal. Do mesmo jeito, as normas e as academias podem ser tanto uma plataforma de arranque como uma sentença de morte; para mim, desde o começo, era bastante evidente a diferença essencial entre o folclorismo inerte do "galego-está-onde-a-Galiza-estar" e o internacionalismo representado pelos reintegracionistas. Ainda sendo historiador (ou talvez precisamente por isso), se tenho que escolher entre uma língua para recitais, nostálgicos relatos medievais, subvenções e ortografia estrangeira, ou bem uma língua internacional, viva e concorde à fala da grande família de que formamos parte, creio que escolho o segundo. É por isso que só aguardo da AGAL que continue o seu labor, e estar aí para ajudar naquilo que puder.

Como gostarias que fosse a "fotografia linguística" da Galiza em 2020?

Uma imagem simples, embora muito eloquente, seria que pudesse fazer algo tão simples como saír da casa, atravessar um par de ruas, tomar um café com gelo sem o subsequente "¿café con hielo?", e depois ir comprar na livraria o último de Gonçalo Tavares, sem traduções que não precisamos.

 

 

Conhecendo Matias

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  • Um sítio web: http://www.discogs.com/
  • Um invento: O post-punk de Manchester e Liverpool.
  • Uma música: Qualquer coisa cantada por Alison Statton ou Kevin Rowland, ou gravada pela Velvet entre 1966 e 1968.
  • Um livro: Trópico de Capricórnio, de Henry Miller.
  • Um facto histórico: O desenvolvimento da cultura afro-americana desde o desenvolvimento do blues até o sucesso da Motown.
  • Um prato na mesa: Qualquer em que não intervenha a exploração animal.
  • Um desporto: Ler?
  • Um filme: Morangos silvestres, de Ingmar Bergman.
  • Uma maravilha: A coerência de Harold Pinter.
  • Além de galega: Comunista.
 
 

Maria Sola, professora de português: «É fulcral difundirmos o conhecimento dos outros padrões lusófonos para entendermos que o reintegracionismo é pura lógica»

PGL - Maria Sola reside e trabalha em Ponte Vedra. É uma pessimista ativa e apostatou da fé isolacionista. Pensa que a nossa língua é válida seja falada por 200 ou 200.000.000 pessoas. Não quer perder um braço, mas quer que as suas netas falem a língua que ela fala.

Maria José Sola é professora de português na EOI de Ponte Vedra. Que tem de diferente dar aulas de português na Galiza, quer a respeito da docente, quer a respeito das turmas?

Diferente a respeito de quê? Diferente em comparação com dar aulas de outra língua a pessoas adultas na Galiza? Ou diferente se comparado com ensinar português noutras partes do mundo? Na verdade, desta última diferença não posso falar, pois infelizmente ainda não tive oportunidade de ensinar nenhuma língua fora da Galiza.

Quanto ao primeiro caso, o ensino de português na Galiza quando comparado com o ensino doutras línguas, várias são as diferenças, quer do ponto de vista da professora, quer do ponto de vista das pessoas ensinadas. Como professora, uma das grandes vantagens que encontro é o rápido avanço das alunas no domínio da língua durante os primeiros meses/anos do estudo. Afinal, embora existam algumas divergências entre o padrão galego e os outros padrões lusófonos -nomeadamente na fonética, mas não só-, a língua está ainda mui presente na cabeça das galegas e galegos, e ainda bem.

Outra das vantagens é a atitude geral das pessoas que estudam português: embora queiram, com certeza, passar e obter o diploma, não se sente essa pressão que domina muitas turmas de outras línguas, e que por vezes acaba mesmo por condicionar a maneira como as docentes ministram as aulas.

Porém, uma coisa que invejo das outras línguas ensinadas nas Escolas de Idiomas é a enorme quantidade de material didático de que dispõem. Para nós existe bem pouco, e em muitas ocasiões não se adapta ao nosso tipo de estudantes. Isso obriga-nos a ter de elaborar muitíssimo material, o que, se por um lado desfrutamos, por outro exige de nós -ainda mais daquelas pessoas com poucos anos de experiência nas EOIs- uma dedicação e um esforço importantes.

Um galego, uma galega, quer estudar na EOI e não tem preferência por uma língua qualquer. Como a encorajarias a estudar português?

Essa é boa! Quanto a isso, eu sou bem insistente, quase até à exaustão. Não perco uma ocasião de tentar convencer as pessoas a estudarem português; ou de que não o deixem, caso já sejam alunas.

Mas tenho boas razões. Em primeiro lugar, porque eu gosto de turmas numerosas. Em segundo lugar, e centrando-nos já no encorajamento, porque penso sinceramente que a um galego estudar português merece-lhe mesmo a pena. Como já disse, avança-se mais rapidamente do que noutras línguas; permite comunicar-se com mais de 330 milhões de pessoas no mundo; num exercício de introspeção, ajuda-nos a aprimorar o conhecimento duma das duas línguas A da Galiza -quer seja língua materna, língua por eleição, segunda língua, etc.

Maria José Sola mora em Ponte Vedra. Como se vive em galego na cidade do Leres?

Mal. Não é só que a imensa maioria das pessoas de Ponte Vedra falem castelhano, mas -e bem pior- que muitas delas desconhecem a existência duma outra língua na cidade, quando não a tentam impedir diretamente. Desde ter que pedir três vezes uma torrada, e acabar por pedir em castelhano para que nos entendam, até ouvir dizer “Puentevedra”, experiências sobram para provar o que digo. Isto de “Puentevedra”, por acaso, foi-me vaticinado por um amigo, numa conversa sobre a situação do galego umas semanas antes, e eu não quis acreditar; pensei que viria a acontecer, sim, mas daqui a vinte ou vinte e tal anos. Como me enganei!

Maria José Sola é do clube pessimistas-com-vontade-de-agir. Que alimenta o teu pessimismo?

Devo dizer que a questão linguística, antes de mais, toca-me mesmo o coração e algum outro órgão menos romântico -depende do humor que tenha nesse momento. O engraçado é que eu costumo ser otimista e, quanto à língua, gostava de ser também. Porém, vejo a situação atual, a política linguística que existe (política evidentemente pró-castelhana e exterminadora, só que por vezes mascarada de harmónica e bilingue), a atitude das pessoas perante o idioma e as/os que o falamos, e dá-me vontade de chorar.

Que os meus próprios filhos, por exemplo, me perguntem porque eu falo galego se o resto das pessoas fala castelhano, se será que eu nasci em Galelândia, é razão suficiente para não ter muita esperança, ou não é?

Que alimenta a tua vontade de agir?

A dor imensa que me provoca pensar que nos estão a cortar um braço, são e em boas condições, e não só não nos queixamos como ajudamos na amputação. A necessidade de os meus direitos linguísticos serem respeitados, mais o desejo ardente de ver a língua numa imparável expansão antes do fim da minha vida. Que os meus filhos não acabem por falar castelhano mal entram para a escola pela esmagadora pressão dessa língua. Que eu não seja reconhecida entre as minhas vizinhas e vizinhos como essa que fala galego, por ser quase a única. Que o exemplo dalgumas pessoas convença muitas outras de que é possível viver em galego, em todos os âmbitos e a todos os níveis. E que os filhos das minhas netas ainda a falem.

Maria José Sola foi evangelizada na fé de Português-é-outra-cousa. Como foi o processo de apostasia?

O processo foi lento mas inelutável. Em primeiro lugar, devo dizer que, embora na minha casa só pontualmente se falasse galego, eu tive a sorte de o ouvir diariamente no pátio da escola, com bastantes vizinhos, etc. Daí eu não me considerar uma neo-falante strictu sensu. Quero esclarecer isto porque, em geral, as pessoas neo-falantes têm uma atitude mais aberta para a estratégia reintegracionista.

Depois, eu estudei sempre galego no padrão oficial e até, no curso universitário, os professores de galego eram abertamente contra o reintegracionismo e a relação do galego e o português. Eu fui evangelizada nessa fé. Por cima, os poucos reintegracionistas que conheci nessa altura eram chatérrimos, o que não contribuiu para a minha mudança de ideias.

Porém, conforme fui aprofundando os meus conhecimentos de português, através da minha experiência como professora, fui percebendo que aquilo que me tinham contado não era a verdade, ou toda a verdade. A pouco e pouco fui vendo como o espelho em que nos devíamos refletir era o português, como uma ortografia comum sempre seria uma vantagem e nunca uma desvantagem, como os laços entre as duas variantes são ainda fortes e bem evidentes, ainda mais para os falantes de zonas fronteiriças, como o Val Minhor e o Baixo Minho (de onde eu sou), como devemos fomentar e defender a relação com os padrões portugueses e o resto das culturas lusófonas, como uma excelente maneira de ganhar projeção no mundo.

Contodo, só fiz clique noutra conversa com outro amigo, por sinal também professor de português. Eu estava a explicar-lhe como estava convencida dos benefícios da ortografia comum, embora eu não fosse reintegracionista; e ele riu e respondeu: “Mas isso é reintegracionismo”. Foi aí que eu “saí do armário” e assumi que, afinal, era reintegracionista.

Que temos a ganhar com a estratégia luso-brasileira para o galego?

Muitos são os benefícios desta estratégia. Não falo apenas de benefícios etéreos e intangíveis, tais como o reforço da identidade ou a abertura a culturas irmãs, que de todas é sabido que a maioria das pessoas, infelizmente, não dá um cão por estas lérias. Os benefícios serão também económicos, laborais, tecnológicos, etc.

Assim, os principais benefícios são, do meu ponto de vista: por um lado, conseguir que a nossa língua passe a jogar na primeira divisão, a das línguas mundiais; por outro, e associado ao primeiro, reacender o orgulho e o amor por ela. Desta maneira, a estratégia utilitarista serviria também para, a médio prazo, incutir nas pessoas a ideia de que a nossa língua é válida porque é nossa, quer seja falada por 200 pessoas ou por 200 milhões; e que deixar que na Galiza morra é, como já disse antes, deixar que nos cortem um braço.

Por onde deve transitar o reintegracionismo para avançar socialmente e tornar-se “sentido comum”?

Na minha opinião, é fulcral difundirmos o conhecimento real dos outros padrões lusófonos; quanto mais soubermos deles, mais entenderemos que o reintegracionismo é pura lógica. Nesse sentido, considero importantíssimo o trabalho desde a infância, tal como os ateliês Percussões, que irá garantir esse conhecimento nas gerações futuras.

Convém, também, certa tolerância com os defensores da estratégia oficial, construirmos pontes em vez de muros. Além de que a razão não costuma estar toda de um único lado, com certeza a maioria dessas pessoas ama a língua tanto quanto nós.

De facto, a rejeição que ainda hoje provoca o reintegracionismo originou-se, em parte, em atitudes passadas mais radicais -a propaganda interessada também ajudou, é claro. O próprio nome mete medo a muitas/os, que o associam erradamente a posições e comportamentos que não compartem. Por isso me parecem tão acertadas as campanhas atuais da AGAL cujo objetivo é acabar com o preconceito das/dos reintegracionistas como um feixe de “friquis”, mostrando a diversidade da sua base social.

Que visão tinhas da AGAL, por que te associaste e que esperas da associação?

Associei-me porque gostei do trabalho que estavam e estão a desenvolver em prol da língua, e só espero que entre todas lhe consigamos dar continuidade.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

2020? Mas isso é já! Se em 7 anos conseguirmos que todas aquelas pessoas cuja língua materna foi o galego esqueçam os preconceitos e voltem a usá-lo em todos os âmbitos da vida, muito teríamos andado. E se, através disso, as novas gerações o aprendessem desde os primeiros anos de vida, como a sua língua principal de comunicação, teríamos ganho uma importante batalha.

 

Conhecendo Maria Sola


  • Um sítio web: Ciberdúvidas. Tantas vezes me resolve a vida!
  • Um invento: O telemóvel.
  • Uma música: Tómbola.
  • Um livro: Qualquer um dos que me abriram as portas da aventura de ler: Astérix, William Brown, Mortadelo...
  • Um facto histórico: A Guerra Civil.
  • Um prato na mesa: um excelente presunto numa torrada de pão com tomate de casa; de sobremesa, um pedacinho de chocolate amargo com amêndoas.
  • Um desporto: Natação.
  • Um filme: Shrek.
  • Uma maravilha: Três: os meus filhos e a alegria de viver.
  • Além de galega: Outra cousa que também sou por acaso e que também me define: mulher.
 
   

Hugo Rios, consultor: «Como o português comum vai saber que na Galiza falam a mesma língua se os próprios galegos lhes falam em castelhano?"

PGL - Hugo Rios é português, tem feito e faz capas magníficas para a Através, o seu interesse pola Galiza geminou-o um livro, talvez um dia nos surpreenda com um livro explicando a Galiza e a sua língua a Portugal e associou-se na Agal porque um fraco por ser bombeiro.

Hugo Rios é um profissional do desenho gráfico e foi o autor da capa de Galego, Português, Galego-Português, de Arturo de Nieves e Carlos Taibo. Que te guiou na elaboração da capa?

Confesso que a início foi difícil. Queria fazer algo apelativo, que atraísse o potencial leitor a pegar no livro e folheá-lo. A ideia surgiu-me quando me lembrei da lógica bivalente e então aproveitei para dar uma imagem imediata e expressiva. Na minha opinião foi conseguido esse objetivo, independentemente de gostarem ou não da capa.

Que se adivinha no horizonte para o livro em papel e o livro eletrónico?

Francamente ainda não sei bem. Pessoalmente acho que a edição eletrónica de revistas, artigos e livros mais técnicos em que a consulta é feita de uma forma mais aleatória ou conforme as necessidades, é perfeita. Para a literatura acho que o livro continua a ter vantagens, a tangibilidade, o companheirismo que oferece o livro de papel. Acho que no futuro quem quiser a versão em papel irá pagar mais e que irá tornar-se um pouco o que representa o disco de vinil atualmente.

Hugo Rios é cidadão português, de Santa Maria da Feira. O teu conhecimento e interesse pola Galiza e a nossa língua representa a média em Portugal?

Para mágoa minha não. A maior parte das pessoas que conheço pensam que do outro lado da fronteira apenas se fala castelhano. Alguns já ouviram falar do galego mas para eles é algo indefinido, talvez um dialeto castelhano mais próximo do português, o que infelizmente é corroborado na prática pelos governantes galegos. O meu interesse surgiu há muitos anos quando li um livro no qual incluía a Galiza como um território em que se falava a mesma língua e isso aguçou a minha curiosidade. Com o acesso à Internet passei a ler bastante sobre isso e acompanho o sítio da AGAL desde o início. Como aluno, nas aulas de português, a única referência é ao cancioneiro galaico-português, pelo que me lembro. É curioso que um mero livro conseguiu despertar-me muito mais facilmente que as aulas de português....

Quais pensas que podem ser as melhores formas de dar a conhecer a língua que nos une e a sociedade que a fala em Portugal?

Eu gostava de dizer que a televisão pode ter uma importância grande, mas não creio. Pelo menos não nos moldes atuais. Aqui a esmagadora maioria da população tem alguma subscrição por cabo e a TV Galicia faz parte de todos os pacotes e não ouço ninguém comentar que a vê. Talvez porque a língua falada em tal canal não é percebida pelo comum cidadão português como comum ao fazer “zapping”. Talvez porque para ver alguns programas de variedades tão maus, os telespectadores preferem ver os seus... maus também, mas seus. Já há um intercâmbio bastante grande entre os dois lados, pelo menos comparado com o que era há 20 ou 30 anos. Eu acho que aqui os galegos tem um papel mais importante que os portugueses. Quando vou à Galiza a maior parte das pessoas fala comigo em castelhano, mesmo que insista em falar português. Dá-me a sensação que se sentem superiores se falarem em castelhano, já que quando eventualmente algum deles passa para o galego torna-se imediatamente mais afável... coincidência? Como o cidadão comum português vai saber que na Galiza falam outra variedade da mesma língua quando são os próprios galegos que lhes falam em castelhano?

Acho que aqui seria necessário instruir a classe jornalística primeiro, talvez fosse uma ajuda, não sei.

São os livros uns bons embaixadores para este conhecimento mútuo? Achas em falta algum livro que pudesse fazer este labor?

Os livros são fundamentais mas infelizmente nos dias de hoje não há uma predisposição do cidadão comum a ler este tipo de assuntos, acho que essa difusão se tem de fazer de várias maneiras de forma a entrar no inconsciente comum. Já penso nesta pergunta há muito tempo. Eu próprio gostava de escrever algo que fizesse com que os meus compatriotas se interessassem pela situação do galego na Galiza. Acho que temos de começar pelo início e começar por contar que do outro lado da fronteira a norte fala-se a mesma língua, esta é a ideia base que ainda há que entranhar e é essa ideia que se tem de reforçar.

Como foi o teu contacto com o movimento que difunde uma visão internacional do galego? Que te chamou, e te chama, a atenção dele?

Eu sempre tive uma visão à distância, de observador. Passaram alguns anos até que contactei a AGAL e ofereci o meu apoio. Eu vejo o reintegracionismo como os bombeiros da minha língua na Galiza. O problema é que o incêndio tem muitas frentes e ainda faltam muitos meios.

Que estratégias pensas que podem ser mais eficazes para o seu desenvolvimento social na Galiza?

Não sei se serei politicamente correto nesta resposta. Eu acho que a defesa está concentrada num pequeno espectro político e assim não deveria ser. A língua deveria ser uma não questão. Estar ainda mais à esquerda do partido socialista não deveria ser sinónimo de defesa da língua e ser de direita não deveria ser sinónimo de ser a favor da hegemonia do castelhano. Se há gente no centro e direita que defenda o galego pois que façam um partido nacionalista de direita, assim como há um nacionalista de esquerda, entendem o que quero dizer? Quando de fora vejo a situação da Catalunha, é isso que me salta à vista. O catalão como língua tem uma defesa mais abrangente pois os eleitores sentem que em todo o espectro político há gente que a defende, há alternativas. Eu não quero politizar esta questão, muito pelo contrário. O que quero dizer é que numa situação ideal a língua deveria estar além das conotações que hoje tem. Talvez quando a política galega chegar a essa maturidade, o galego esteja mais bem defendido pelo menos a nível governativo.

Que te motivou a te associares à AGAL?

Voluntariar-me como “bombeiro”! Ajudar com as minhas capacidades de uma forma ativa.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” das relações entre os galegos/as e os portugueses/as em 2020?

Daqui a 7 anos? Espero que a Galiza já receba algum canal português. Que o português seja descoberto pelos alunos como uma ajuda a singrar num mundo globalizado. Que a seleção de futebol da Galiza tenha jogos oficiais com a portuguesa. Que se faça tudo o que se faz em família.

 

Conhecendo Hugo Rios


  • Um sítio web: Wikipédia
  • Um invento: Motociclo
  • Uma música: Dervish - I Courted a Wee Girl
  • Um livro: Em busca da arca da aliança, Graham Hancock
  • Um facto histórico: reforma protestante e a sua implicação na evolução do pensamento desde então.
  • Um prato na mesa: francesinha, mas apenas num sítio especial
  • Um desporto: Dormir
  • Um filme: Big.
  • Uma maravilha: Neste caso da natureza: o lince
  • Além de galego/a: Catalão e inglês
 
 

Xorxe Oural, um faz-tudo: "Gostaria que a Galiza de 2020 fosse umha fotografia em movimento até umha normalizaçom já efetiva da relaçom com o resto da lusofonia"

PGL - Xorxe Oural cresceu na Marinha e agora mora em Barcelona, tem umha cunhada e um sobrinho com sotaKI, a sua estadia em Guimarães foi marcante, está por umha estratégia pragmática e social para o reintegracionismo e aspira a que a relaçom com a lusofonia deixe de ser cousas de fríquis.

Xorxe cresceu na Marinha e cresceu em galego. O teu irmao jogou um papel importante no teu labor de consciencializaçom. Como foi esse processo?

Bom, nasci em Viveiro, mas morei desde os quatro anos em Foz (Marinha Central). E ademais, num ambiente onde era consciente da degradaçom cultural e linguística que sofremos. Ainda que nom foi até a adolescência, pela influência do meu irmao, e polo trabalho realizado no interior de associaçons juvenis de recuperaçom de tradiçons culturais, musicais, trajes, etc que quando comecei a ser um pouco mais consciente do assunto. Ainda que hei de dizer que sempre me achei bem estranho do vitimismo ou do nacionalismo rançoso que escutava em algumas pessoas.

O meu irmao foi do MdL da Corunha, lá em finais dos anos 90, e cresci escutando a musica que tinha ele, e lendo em galego, e em "galego do sul do Minho" dos livros que tinha à mao. Mas por fora do plano “intelectual” ele tem a companheira que é do Recife, e tanto com ela como com o sobrinho falamos de forma naturalizada em galego-português.

É comum o caso de galegas e galegas que, no exterior, reparam mais na sua identidade. O teu caso nom é umha exceçom, pois nom?

Fui viver a Madrid com 17-18 anos. Sim, certamente é "no exílio" que nos volvemos um pouco mais conscientes das nossas origens e eu nom fum diferente nisso. Ademais, as pessoas do lugar onde estás perguntam cousas que te obrigam a refletir sobre o que conhecias, o que tinhas assumido como habitual/natural, e de forma inconsciente, fai-te consciente...

Mas nom peguei numa verdadeira consciência ate que fui de Salamanca ate Guimarães para um estágio de um curso. Naquele momento estava a estudar Engenharia Eletrónica. Foi a experiência de viver naquela evoluçom do galego em que reparei, de verdade, e profundamente, no potencial internacional da nossa língua. Foi um verdadeiro choque. Agora penso-o em perspetiva... ver umha placa com umha frase de Castelao no castelo de Guimarães que diz que o galego floresce em Portugal.

Também foi curioso voltar de Guimarães para Foz, e inconscientemente dizia alguma palavra ou expressom de além do Minho, e a gente velha me surpreendia dizendo que assim era como diziam aquilo quando eram pícaros.

Até há pouco tempo a tua visom do reintegracionismo nom era assim mui simpática. Por que mudou?

Mais que da visom, seria da estratégia social. Ate há uns 6 anos, mais ou menos, a percepçom que tinha da estratégia "re-integrata" era que desprendia um ar elitista, academista, ou hiper-ideologizada... Desde há um tempo que venho seguindo a mudança na estratégia, entendo que por umha mais pragmática e social, que é na que eu concordo, em geral, para qualquer movimento que queira ter incidência. Tenho o sentir que é a que está a funcionar, passinho a passinho.

Em tua opiniom, por onde deve caminhar o reintegracionismo se se quer tornar “sentido comum”?

Umm, penso que têm de manter essa linha atual de pragmatismo e de naturalizaçom do reintegracionismo como posiçom mais lógica. Fazer mais acesivel e natural a adopçom do modelo ao comum da sociedade. Tornando-se numha força social que dispute a hegemonia cultural ao isolamento e desrespeito. A médio prazo isso deveria forçar umha mudança do paradigma... ou simplesmente é o que gostaria que acontecesse.

Xorxe leva quase duas décadas a morar fora da Galiza e já nove anos na Catalunha. É umha boa escola este país em termos linguísticos?

Lembro-me de umha das coisas que me chocou mais quando cheguei por primeira vez a Barcelona: escutava o catalám, ainda que era umha cidade! ...vindo de onde vinha foi umha verdadeira surpresa. Depois, ver que há muitos meios de comunicaçom, literatura, livros, publicidade de qualquer empresa, etc em catalám.

A verdade é que já gostaria que estivesse o galego a metade de bem que o catalám a nível de uso e de valorizaçom. Dam muito valor ao seu, e som muito “cap grossos” com isso, hehehe.

Em qualquer caso também há que reconhecer que o apoio institucional, os programas gratuitos para aprender o idioma, etc. fazem muito para os neofalantes. Por exemplo, a naturalizaçom do uso da língua na escola. É curioso ouvir famílias que se nota que falam só castelhano, que ao falar com a nena, ou neno, mudam para o catalám...som os nenos os que fazem falar em catalám, e nós ao invés.

O outro dia estávamos a falar umha amiga que é argentina, umha amiga sua que é cubana, e a minha companheira que é catalám, e estávamos a falar todas em catalám. Essa situaçom, penso que em outros contextos seria estranha, mas para mim lá é o habitual. Conheço gente “tuga”, mexicana, argentina que fala catalám sem nenhum complexo. Um mui bom amigo que é de Vallecas mas leva o mesmo tempo que a mim lá, comunicamo-nos completamente em catalám. Quiçá a minha percepçom pareça que esta condicionada polo meu ambiente, mas quando vou a bairros onde o catalám é residual, sabem catalám, e de facto se falas muitas vezes respondem-te em catalám ou podes manter umha conversa a duas vozes sem complexos por nenhuma das duas partes.

Entendo que aqui a questom idiomática é mais cultural e por cima de tudo social. Ainda que há pessoas e grupos...digamos “identitários”, existe umha massa, penso que maioritária, que nom se sente “identitária” nem nada parecido, mas percebe a questom linguística como lógica e natural, ainda que nom falem habitualmente o idioma.

Tenho amigos de bairros como Badalona, que som maioritariamente castelhano-falantes, que polo ambiente falam em castelhano mas que a questom da língua entendem-na de forma natural. Como dado curioso para exemplificar a separaçom da língua da questom ideológica é que nesses bairros onde o castelhano é maioritário é onde mais cresceu o voto independentista.

 

Xorxe Oural nas Fragas do Eume

 

Como mantés o contacto com a nossa língua?

Através da família, a que tenho em Foz, e a de Londres. Também, com o meu par. Estamos subscritos ao Novas da Galiza, as noticias pola Internet (Chuza, Sermos, Portal da Lingua, etc). Vou seguindo-as e, quando puder, vou ao que fai a gente da Assembleia Cultural Galega de Barcelona (acgb.cat). Penso que nos próximos tempos vou ir mais, sobre todo à Ludotega...

Ademais, mantenho contacto habitual com umha pequena comunidade “tuga” lá em Barcelona.

Xorxe move-se no ambiente libertário. Achas semelhanças entre este movimento, em termos de açom, e o reintegracionismo?

Uff, a verdade e que isso do “ambiente libertário”...há muitos “ambientes”, mas em geral, a minha percepçom é que ta muito por atrás da visom estratégica que o reintegracionismo está a aplicar de um tempo a esta parte. Polo menos o que conheço da península.

Graças ao uso do galego-português podo seguir informaçons de algumas organizaçons do outro lado do Atlântico, mantenho contato com pessoal do Brasil, e a cousa lá penso que é bem diferente. Tiram coisas muito interessantes onde ponhem ênfase no programa, na estratégia e na tática, mantendo um discurso de intervençom social, com aplicaçom prática. Por outra parte, cá na península, o que conheço tem muito de elitista/grupal e de identitario-mitificador... por sorte isto está a mudar, mas nom tam rapidamente, como eu entendo que mudou no caso do reintegracionismo.

Depois de umha travessia pelo deserto de mais de 30 anos, as inercias, os vícios... é difícil de mudar, assim de súbito. Muita gente foi-se para campos mais pragmáticos como o ambientalismo, cooperativismo..., cansados de “debates” mais filosóficos do que programáticos. Há muita mística e muitas “punhetas mentais”, muitas “verdades” inquestionáveis e tradicionalismo. Sinceramente, vejo muito melhor o reintegracionismo que o ambiente libertário (seja o que for isso).

Por que te associaste à AGAL? Que esperas da associaçom?

Pois, pensando em frio, suponho que por problemas de consciência de nom estar a dar mais apoios. Por contribuir com algumha cousa a um projeto que levo seguindo, desde a periferia, há muito tempo.

E espero, basicamente, que a AGAL continue como até agora melhorando a cada passo e fazendo-se mais popular.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Gostaria que fosse um vídeo, ou seja, fotografia em movimento... e em movimento até umha normalizaçom já efetiva da relaçom com o resto da lusofonia. Umha normalizaçom social e natural. Que em qualquer lugar da Galiza se poda ler livros, publicaçons, ver as televisons, etc que venham de além do Minho (ou de outras terras que falam a nossa língua), e que isso deixe de ser visto como estranhas anomalias, ou cousas de “frikis”, e sim como um facto habitual e popularizado. Isso, penso, já levaria associada a normaliçaçom do uso e recuperaçom da nossa língua como veículo comunicativo na própria terra, e ainda além.

 

Conhecendo Xorxe Oural

  • Um sítio web: por nostalgia, alasbarricadas.org
  • Um invento: O computador pessoal.
  • Umha música: As Sete Mulheres Do Minho cantada por Ugia Pedreira.
  • Um livro: A Violência e o Escárnio, de Albert Cossery, editado por Antígona.
  • Um facto histórico: Difícil escolher só um, mas, por dizer um pouco nomeado, a criaçom do CRD de Aragom, no Outubro do 36, que intentou organizar as coisas em momentos tam confusos.
  • Um prato na mesa: Ovos e patacas fritas.
  • Um desporto: O caiaquismo.
  • Um filme: La Haine.
  • Umha maravilha: O bosque atlântico.
  • Além de galego/a: Maníaco da ordem, em desintoxicaçom.
 
   

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