Associaçom Galega da Língua

Companhia de Teatro de Almada: ‘O Mandarim’

A 9 de abril volta o teatro português a Compostela, com um peça de sabor oriental do clássico de Eça de Queiroz: O Mandarim. A companhia de Teatro de Almada estreou esta produçom em novembro do ano passado e esgotou as 15 sessões que ao longo desse mês se realizárom. A encenaçom agora em Compostela é umha produçom fruto da linha estratégica do CDG de colaboraçom com companhias de teatro portuguesas.

A obra

Ficámos a conhecer a história de Teodoro, o amanuense do Ministério do Reino que vê na morte de um mandarim decrépito a oportunidade de satisfazer as ambições burguesas que alimenta. O Diabo tenta-o: para matar Ti Chin-Fu basta tocar a campainha, “como quem chama um criado” e sem que uma gota de sangue suje vergonhosamente os punhos da camisa. Tentado pelas ambições burguesas que há muito alimentava, Teodoro porá fim à vida de Ti-Chin-Fu, herdando a sua imensa fortuna. Mas a esperada felicidade tarda em chegar, já que o jovem amence vivo atormentado, ora pela consciência, ora pelo fantasma do morrido. Uma viagem pelo Oriente parece ser a única solução. O que se prepara para viver está longe da existência despreocupada e opulenta com que sonha.

Descontos para sócios/as da AGAL e sorteio

As sócias e sócios da da AGAL poderám já desfrutar de um preço especial de 3 € graças ao acordo assinado entre a associaçom e a o CDG para a promoçom deste programa de teatro galego e português. Pata terem o bilhete reservado a preço especial, deverám escrever a Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar antes do dia da funçom às 15:00h, indicando o seu nome e apelidos. Além, da fanpage da AGAL e o PGL no Facebook serám sorteados 5 bilhetes para assistir gratuitamente a esta obra.

O autor

Eça de Queiroz (1845-1900) é um dos maiores romancistas da literatura na nossa língua. Para além de escritor, foi jornalista e diplomata, tendo sido cônsul na Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Na sua obra distinguem-se três fases: a primeira, de influência romântica (até 1870, com O mistério da estrada de Sintra), a segunda, de afirmaçom do Realismo (1871-1880), e a terceira, aberta ao experimentalismo e à conciliaçom de influências diversas (nomeadamente com A cidade e as serras, publicada postumamente em 1901). O Mandarim (1880) integra atualmente o Plano Nacional de Leitura como obra recomendada para o 9.º ano de escolaridade.

COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA: O Mandarim

  •  Autoria: Eça de Queiroz
  • Direçom e dramaturgia: Teresa Gafeira
  • Elenco: André Alves, Catarina Campos Costa, Celestino Silva, João Farraia, Maria Frade, Pedro Walter
  • Dramaturgia: Pedro Proença e Teresa Gafeira
  • Cenografia e vestiario: Ana Paula Rocha
  • Projeções: Pedro Proença
  • Iluminaçom: José Carlos Nascimento
  • Duraçom: 60 minutos
  • 9 de abril, 20.30
  • Salón Teatro

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Assembleia geral da AGAL a 11 de abril

O presidente do Conselho da AGAL, nos termos legais e estatutários, notificou a convocatória de Assembleia Geral para o vindouro 11 de abril (sábado). Será às 11h00 em primeira convocatória e 11h30 horas na segunda. Decorrerá no Museu do Povo Galego em Santiago de Compostela.

ORDEM DO DIA:
  • Leitura da ata anterior.
  • Informar da resoluçom do convénio com a Ciranda.
  • Projetos de destaque para 2015: Últimos lançamentos da Através. 5º aniversário da Através. Site de formação anossagalaxia.gal Vídeo ‘Decreto Filgueira’.
  • Apresentaçom e aprovaçom, se proceder, das contas de 2014.
  • Outras questões.

Caso alguém nom poda assistir, pode delegar o seu voto no ponto número 4 da ordem do dia num outro/a sócio/a ou sócia enviando um e-mail para Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar a indicar a pessoa em quem delega. As pessoas presentes na assembleia só podem levar um voto delegado.

 Jantar de convívio

Como é tradiçom, após a assembleia haverá um jantar de convívio. O local ainda nom está determinado, mas quase com certeza será algum restaurante do bairro de Sam Pedro. O preço do jantar será entre 18 e 20€. É preciso reservar com antecedência enviando um correio eletrónico para Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar . A data limite para fazer a reserva será 9 de abril. Os lugares nos restaurantes som limitados, polo qual nom é possível garantir a participaçom no jantar às pessoas que nom reservarem.

 

 

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Começa a funcionar a loja on-line da Através Editora

Capa da loja da Através

Capa da loja da Através

Nos últimos meses, a Através Editora, chancela editorial da Associaçom Galega da Língua (AGAL), dedicou boa parte dos seus esforços a alargar a distribuiçom dos seus livros e a facilitar a sua compra por parte de todas as pessoas interessadas. Nesta linha de trabalho, a principal medida foi a criaçom de um clube de leitoras e leitores, o Através Clube, que permite a compra automática de todos os novos livros da editora com um grande desconto (trata-se de umha pré-reserva anterior à impressom), ademais do envio de graça ao domicílio.

Como complemento a esta iniciativa nasce agora a loja on-line da Através Editora, que permitirá a compra de títulos soltos (nom apenas novidades) da editora, um catálogo com já mais de 40 títulos e que continua a crescer mês a mês.

Vantagens para membros da AGAL

Nesta plataforma, os sócios e sócias da AGAL continuam a ter um tratamento preferencial, pois podem comprar todos os trabalhos editados pola Através com os envios grátis dentro do Estado espanhol. Para isto, no momento posterior ao registo e antes de fazer qualquer compra é imprescindível enviar um correio eletrónico para Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar , indicando o correio com o qual se tramitou a alta como cliente e que se é sócio ou sócia da AGAL. Após receber a confirmaçom por parte da administraçom da loja, a pessoa associada à AGAL poderá fazer as suas compras com total normalidade e desfrutando desta vantagem.

Pagamento fácil

Por enquanto, a loja permite o pagamento mediante transferência bancária à conta da AGAL ou mediante Paypal. Através do Paypal é possível pagar mesmo que nom se tenha umha conta bancária na plataforma, o único necessário é dispor de um cartom de crédito ou débito.

Fase de provas

A loja estará em prova nas primeiras semanas. As possíveis incidências podem-se comunicar ao endereço Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar .

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Carvalho Calero: Alicerce de uma Galiza lusófona

carvalhoA Associaçom Galega da Língua (AGAL) em colaboração com a Biblioteca Pública Anxel Casal organiza 2 atividades nesta semana.

Esta quarta-feira 25 de março, às 18h30, realiza-se a palestra Carvalho Calero: Alicerce de uma Galiza lusófona, sobre a vida e a obra do professor Ricardo Carvalho Calero, coincidindo com o 25º aniversário da sua morte.

A palestra será realizada na sala de atos da Biblioteca e intervirão: José Luís Rodrigues, catedrático de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela, antigo aluno e estreito colaborador de Carvalho Calero; Elvira Souto, professora reformada de Didática da Língua e Literatura da Universidade da Corunha, e
Eduardo Sanches Maragoto, professor de português da Escola Oficial de Idiomas de Santiago de Compostela.

criançasPara além desta atividade, no dia a seguir, 26 de março, às 17h30 na Sala Infantil da mesma Biblioteca, decorrerá a atividade Ler contos com diferentes sabores da nossa língua, onde participarão pessoas de Angola, Brasil, Portugal e a Galiza para ler contos dos seus países.

Angola: Sara Vongula
Brasil: Vivian Rangel e Márlio Barcelos
Galiza: Ainda pendente de confirmação
Portugal: Joana Martins

Joana Martins, voluntária do Programa de Voluntariado Cultural da Rede de Bibliotecas de Galiza, finalizará a atividade com um ateliê para as crianças galegas conhecerem melhor o léxico galego-português.

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Filipe Diez: «Não vejo sentido em entender a língua galega numa dimensão puramente nacional quando historicamente é uma língua internacional»

Filipe Diez é o primeiro galego da sua família, leonesa. Há três anos foi uma das pessoas promotoras do jornal on-line Praza Pública, que preencheu um importante vácuo. Ainda no âmbito da comunicação, acha muito necessário um canal infantil de TV. A sua prática pública reintegracionista é recente e deve-se ao «convencimento da fase de definitiva falência» em que entraram as instituições culturais galegas. Morou e namorou no Brasil e atualmente leciona galego e português no ensino secundário.

As tuas origens familiares são da província de Leão. Nalguma ocasião tens comentado ser o primeiro galego da tua família. Como é isso?

Meus pais procedem de lugares que aparecem no mapa por puro acidente histórico: um balneário e um monumento isolado salvaram as suas aldeias (Caldas de Luna e San Miguel de Escalada) do anonimato total. A história deles é como a de muitos galegos, migrantes do campo para a cidade, com a particularidade de que vinheram para a Corunha e não para uma cidade leonesa. Quase nada do que ocorre aqui é exclusivo nosso: o despovoamento do rural, o estigma do trabalho agrogandeiro, o desprestígio das falas associadas com o atraso, o processo de apagamento da identidade nacional… Para mim é interessante ter esses elementos de contraste, dentro da própria família.

Foste um dos promotores do diário digital Praza Pública. Passados já quase três anos do começo deste projeto, quais são as tuas sensações?

Filipe Diez  | Foto: Praza Pública

Filipe Diez | Foto: Praza Pública

No plano particular, não podo negar o orgulho e a satisfação de ver essa Praza consolidada e a ponto de cumprir 3 anos de vida, quando muitas pessoas diziam no começo que um novo modelo como o que Praza representa, um meio pensado para ser de todos e de ninguém, não passaria do papel ou no máximo duns poucos meses de vida. Hoje Praza é um projeto financeiramente auto-sustentável e o meio líder em língua galega, conquistas humildes mas contodo importantes na escala do país que somos, e sobretodo conquistas alcançadas sem renunciar à concepção original de ser um ponto de encontro de quem crê neste país, com quaisquer postulados.

Mas sou muito crítico, provavelmente o leitor mais crítico de Praza – tirando os trolls, claro –. Mesmo sabendo da escassez de recursos que temos, penso que sempre devemos aspirar a fazer mais e melhor, e nesse empenho estamos a trabalhar. Há uma cousa magnífica em Praza, que oxalá se espalhasse a muitos outros âmbitos, e é que fai que pessoas muito diversas trabalhem juntas sem reticências. Creio que esse espaço de liberdade, pluralidade e tolerância é muito necessário e deveria servir de estímulo para repensar muitas fronteiras interiores que às vezes nos limitam de jeito estéril.

Quê deficiências e carências detetas no universo dos meios de comunicação em galego? Talvez um projeto audiovisual com força?

Carências e deficiências, muitas. Desde o próprio desenho institucional, que prima o âmbito estatal no áudio-visual; até à política do Governo galego, abertamente ilegal, de compra de vontades; passando pela falta de iniciativa da CRTVG para ser um elemento dinamizador; e acabando pela passividade de boa parte da sociedade civil organizada no tocante a este assunto.

Sem tirar nem um ápice de mérito aos projetos que existem, e que são essenciais para seguirmos existindo como país, precisamos muito mais. As minhas prioridades, se tivesse que escolher, seriam: um canal de tv específico para o público infantil; outro, de colaboração da TVG com emissoras do mundo lusófono; e uma rede privada (de economia social, mas privada) de rádios em galego. E junto com isso todo, uma nova política de ajudas e subvenções, com critérios objetivos e subvencionando unicamente o uso do galego, sem clientelismo, sem manter artificialmente vivas empresas falidas e sem impedir a livre concorrência – ou seja, uma política democrática e não o modelo fraguiano que ainda subsiste hoje em dia.

Moraste muitos anos no Brasil e a tua companheira é brasileira. Eras reintegracionista antes de cruzares o Atlântico? Em que medida a tua estadia brasileira mudou a tua perceção da língua da Galiza?

Era e continuo a ser. Não vejo sentido em entender a língua galega numa dimensão puramente nacional – ou pior, regional – quando historicamente é uma língua internacional. A nossa língua, por origem, por trajetória histórica e por necessidade de futuro, só tem sentido e viabilidade entendida como parte dum tronco maior, e um tronco que tem aqui as suas raízes. Encastelar-se num discurso identitário e diferencial não é outra cousa que um reflexo da assunção do quadro imposto pelo opressor.

A minha prática pública reintegracionista é mais recente, e deve-se ao meu convencimento da fase de definitiva falência em que entraram as instituições culturais galegas dependentes do dinheiro público, que considero incapazes de seguirem a definir rumo nengum para este país nem para a sua cultura.

Filipe Diez é professor de língua galega e portuguesa no ensino secundário. Dada a tua experiência docente, que teriam a ganhar os alunos e alunas galegas com um acesso generalizado ao ensino de língua portuguesa?

Por riba de todo, o contributo seria (é já, nalguns centros onde existe esse ensino) o de prestigiar o galego. Dotá-lo nitidamente, na consciência desses falantes, dessa dimensão internacional: através do galego, temos acesso a infinidade de recursos culturais, académicos, informativos e de lazer. Saber que com o galego podem se comunicar com 250 milhões de pessoas é uma “bomba de impacto moral” extremamente positivo.

A isso devemos engadir o acesso a produtos culturais de qualidade, tanto clássicos como contemporâneos. E em definitiva, a perceção de que com o galego estamos no mundo, sem precisar passar por um suposto quilómetro zero definido fora de nós.

Uma anedota rápida. Quando nas minhas aulas de galego, em 1º da ESO, falamos de sócio-linguística, sempre apresento aos meus estudantes o mesmo dilema: “Com o espanhol temos acesso a um universo de 400 milhões de falantes; com o galego, a um de 250 milhões. O que é melhor?” Quase sempre, a resposta desses nenos e nenas de 12 anos é a mesma: “É melhor 650”. Eles não querem renunciar ao espanhol, e não devemos pretender isso; mas estão abertos a adotar o galego como língua extensa e útil, utilizando um dos lemas da AGAL. Rachar esse estereótipo do galego como língua rural, de velhos e inservível além do Padornelo (e quem dixo que devemos sair, e que postos a fazê-lo, devemos sair polo Padornelo?!) é essencial e está nas nossas mãos.

Por onde deve caminhar o reintegracionismo para se tornar hegemónico socialmente?

Entendo o reintegracionismo como uma parte do movimento social que ao longo das últimas décadas se tem denominado normalizador. Como parte dum todo maior, penso que é desejável procurar pontos de convergência com outros agentes sociais e procurar a unidade de ação tanto no terreno mobilizador no sentido mais clássico como sobretodo no campo da construção de novas instituições sociais, e refiro-me principalmente à criação duma rede social de criação e difusão da cultura, das artes e da informação.

Desejaria que os nossos esforços se centrassem cada vez mais em fazer acontecer o que dizemos querer e cada vez menos em comprazer-nos com a crítica ao que não é feito; cada vez mais em que cada quem leve adiante as suas iniciativas e menos em pôr paus nas rodas dos demais; cada vez mais em abrir as portas e as janelas tanto ao mundo quanto aos nossos jovens criadores e menos em promover homenagens em circuito fechado. E sobretudo, desejaria que conseguíssemos, a partir da aplicação desses princípios, alargar o processo normalizador muito além do ensino e do âmbito das instituições políticas e culturais: o comércio, o lazer, os meios de comunicação, as novas tecnologias… são áreas estratégicas e nas quais ainda temos quase todo o caminho por andar.

Que visão tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas da associação?

A visão que eu tinha da AGAL sempre deu um saldo positivo, mas nos últimos anos evoluiu muito favoravelmente: apreciei um processo de abertura, que considero já bem consolidado, uma vontade de não se limitar às fronteiras que em décadas anteriores constringiram o movimento reintegracionista, e penso que esse é um magnífico ponto de partida que deve ser apoiado.

Decidim associar-me há já dous anos, quando constatei que a crise do entramado cultural oficial e para-oficial entrou em fase terminal, ainda que suspeito que a agonia será prolongada e que haverá diversas tentativas de dar-lhe uma sobrevida que nem merece nem saberia usar mais que em benefício dos diversos clãs que as transformaram no seu meio de vida e no seu campo de batalha, todo ao mesmo tempo. Neste contexto, considero absolutamente crucial apoiar o tecido social capaz de dar o revezamento a essas instituições obsoletas, e creio que a AGAL deve assumir o papel de dinamizar e mesmo de liderar esse processo, que não consiste unicamente em mudar os nomes senão sobretodo em mudar os caminhos a trilhar.

Ninguém no seu perfeito juízo pode defender a continuidade duma política linguística e cultural que, trás 35 anos, se demonstrou incapaz de frear a descida de falantes e a perda da transmissão da língua, especialmente no âmbito urbano; de criar um consenso social para a recuperação do galego nas atividades económicas mais dinâmicas e com maior impacto na vida social; de mudar um panorama mediático e de lazer nos que a presença do galego é minoritária até níveis ridículos; de promover a galeguização de instituições como a Justiça ou as igrejas, notadamente a católica; de incorporar as novas gerações de criadoras e criadores aos circuitos culturais; nem de fazer da cultura galega um produto de circulação internacional, seja na lusofonia seja com caráter mais global. A pouco que pensarmos, veremos que a maioria dos exemplos de êxito chegaram a partir de iniciativas privadas, quando não mesmo individuais, e não da implicação das instituições políticas e culturais que deveriam promovê-los.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Se me perguntasses polo ano 2050, diria que gostaria dum país de indivíduos multilingues, com o galego como língua socialmente hegemónica, um escrupuloso respeito polos direitos individuais dos falantes de espanhol e um intercâmbio cultural fluído com os países do nosso entorno linguístico (isso que costuma chamar-se lusofonia) e geográfico (Europa). Mas como a pergunta fica no 2020, seria feliz se daquela temos polo menos iniciado esse processo, que se resume em algo tão pouco inovador entre nós como abrir-nos ao mundo a partir de nós mesmos, sem pruridos identitários mas também sem renunciar ao que somos e donde vimos. Penso que precisamos duma nova Geração Nós, ainda que com um perfil menos académico e mais orientada à intervenção social, mais política – no sentido mais amplo, nobre e legítimo da palavra.

Se no ano 2020 tivermos algo semelhante a isso, e se a isso lhe engadimos um Governo Galego digno de tal nome, um tecido social mais extenso e diversificado territorial e ideologicamente, e também uma maior aproximação – que ultrapassa em muito a questão meramente ortográfica – aos países que falam a nossa língua, penso que daquela teremos as bases para reverter o processo de decadência que vimos sofrendo e para aspirar a conseguir para a língua galega e para todas as manifestações culturais que nela se expressam o nível de prestígio e de reconhecimento que merecem a nossa história, o talento das nossas gentes e em geral o povo galego.

Aspiro, em poucas palavras, a que o povo galego tenha orgulho do que é, em vez de renunciar à sua herdança para virar um apêndice ultra-periférico duma cultura que não tem o menor interesse em incorporar essa bagagem, senão só em anulá-la.

 

Conhecendo Filipe Diez

  • Um sítio web: muitos, mas se tenho que escolher só um, fico com o que mais leio para me manter informado, praza.gal
  • Um invento: todos os que têm que ver com a energia e com a difusão da cultura.
  • Uma música: “O que será (à flor da terra)”, de Milton e Chico; e “Senhas”, de Adriana Calcanhotto.
  • Um livro: As Rubaiyat, a Ilíada, qualquer tragédia de Sófocles ou de Shakespeare, a poesia completa de Pessoa…
  • Um facto histórico: no passado recente, a chegada de Nelson Mandela e Lula da Silva à presidência da África do Sul e do Brasil; num futuro mais ou menos próximo, desejaria que fosse a consecução duma República Galega independente.
  • Um prato na mesa: moqueca de camarão, acarajé, castanhas assadas, empanada, polvo à feira, goulash… e muitos outros, especialmente qualquer cousa que leve ou acompanhe patacas ou queijo.
  • Um desporto: para ver, futebol se joga o Deportivo; se não, dúzias doutros deportes; para jogar, futsal e futbolim (ou pebolim ou totô ou matraquilho ou…).
  • Um filme: Azul, de Kieslowski, foi o que mais vezes fum ver ao cinema; entre os clássicos, qualquer um de Lubitsch ou de Kazan; dentre os atuais, gosto dos filmes de Iñárritu e de Meirelles.
  • Uma maravilha: o clítoris.
  • Além de galego: amante da liberdade e da contradição.

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