Associaçom Galega da Língua

AGAL lamenta o falecimento de Isaac Díaz Pardo e chama a se inspirar no seu compromisso

PGL - O Conselho da Associaçom Galega da Língua (AGAL) lamenta o passamento do artista e empresário cultural Isaac Díaz Pardo, falecido hoje. A entidade reintegracionista salienta a sua condiçom como pessoa «profundamente comprometida com o País», prova do qual foi o «compromisso insubornável com a língua da Galiza» que o caraterizou.

A AGAL, entidade na qual Isaac Díaz Pardo tinha muitas amizades, lembra a homenagem que a associaçom organizou em 2008. No decurso desta entregou-lhe um diploma que reconhecia o seu trabalho como galego «bom e generoso», e dedicou à sua pessoa o livro Isaac Díaz Pardo e a Língua, obra com a qual a AGAL iniciou a coleçom literária Testemunhos.

 

Isaac Díaz Pardo e Isaac Alonso Estraviz
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É nessa obra, dividida em vários volumes, que melhor se podem corroborar esses vínculos entre Díaz Pardo e a associaçom. Nela, diferentes pessoas com responsabilidades na associaçom referiam-se ao prestigiado inteletual como umha pessoa capaz de sentir «angústia» se a sua obra ficar inacabada ou seguir «roteiros fora da identidade galega», «um desses milagres que se produzem por fortuna de quando em vez neste país para que sigamos a ter esperança», um galego com «clara conceçom da unidade lingüística galego-portuguesa» ou «só que tivéramos cem mais como Isaac esta terra seria outra».

 

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Exemplo dessa conceçom é a publicaçom em normativa reintegracionista do trabalho Tentando construir uma esfinge de Pedra. Desassossegos de Isaac Díaz Pardo, publicado por Ediciós do Castro.

 


 

Homenagem no Museu do Povo

Amanhã, sexta-feira, dia 6 de janeiro, a partir das 11 horas haverá um ato de homenagem e despedida no Museu do Povo, em Sam Domingos de Bonaval, ao qual assistirám membros do Conselho da AGAL.

 

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Vitória Sánchez Regueiro, professora no IES Martaguisela do Barco

PGL - Vitória Sánchez Regueiro é galego-falante nativa, filóloga e quando estudava a carreira, achava a Agal um bando de criminosos. Embora ser professora de galego, no Barco é conhecida como docente de português, um sonho profissional que se tornou realidade nos últimos anos.

Vitória é docente de língua portuguesa no IES Martaguisela do Barco. Que foi o que te levou a dares aulas de português? Que foi o que aprendeste com as aulas?

Eu, que sou galego-falante nativa, não descobri o português até os 22 anos, na Faculdade de Filologia. Ao estudar português, que eu julgava ser um idioma estrangeiro, aprendi muito sobre a minha própria língua, e sobre tudo, descobri que essa língua marginalizada que eu falava, florescia noutros lugares do planeta. Foi aí que fiquei convicta da grande importância que tem estudar e ensinar português na Galiza. Porém, em 1997, ano em que me formei em Filologia Galego-Portuguesa, não existia a mais mínima hipótese de ensinar português na Galiza, foi por isso que optei por ensinar galego.

Em 2006, ao regressar das férias de verão, encontrei no cacifo do IES Martaguisela, onde lecionava galego havia seis anos, uma carta da EOI de Ourense, assinada por Valentim Fagim, onde me informavam da possibilidade de ensinar português. Por fim estava na hora de realizar o meu sonho. Comecei a estudar português novamente na EOI de Ourense e a trabalhar para introduzir a oferta de português no meu liceu. Foram muitas horas de autocarro a viajar do Barco até a EOI de Ourense, muitas disputas com os colegas do liceu que não compreendiam o interesse de ensinar português e até julgavam que fosse danificar alguém, muita papelada e burocracia desnecessária... mas finalmente consegui o que queria e valeu muito a pena.

As aulas de português serviram-me não só para apurar os meus conhecimentos de português, mas também para verificar como os galegos e os portugueses somos parecidos assim nas virtudes como nos defeitos: “dois irmão gémeos presos pelas costas...” Além disso, de dar aulas de português tirei ainda uma grandíssima vantagem que eu nem imaginava: todo o carinho, a amizade e o apoio que sempre me deram os colegas da Associação de Docentes de Português.

Tu dás aulas de língua em diferentes turmas, ora adequando-te à disciplina "Lingua Galega e Literatura", ora à de "LE Português": Encontras diferenças na atitude com a língua de parte do estudantado? Quais os motivos?

A disciplina de Lingua Galega e Literatura é comum e obrigada para todo o alunado. A disciplina de LE Português, pelo contrário, é opcional, tanto para o estudantado que a quer estudar como para mim, que a leciono por minha vontade. É por isso que a atitude do estudantado de uma e outra disciplina é bastante diferente.

Surpreendeu-me o facto de, tendo apenas 22 alunos de português e mais de 100 alunos de galego, ser mais conhecida na vila como professora de português do que como professora de galego. O português não deixa as pessoas ficar indiferentes.

As aulas de português de Portugal/Brasil são um reforço para a imagem da nossa língua na Galiza?

Por enquanto posso dizer que mudou a imagem que as pessoas (alunos, professores, pais...) tinham do português: Estudar português já não é visto como uma excentricidade.

De resto, eu tenho certeza absoluta de que estudar português reforça a língua própria da Galiza, porém para que esse reforço se evidencie é preciso que o estudo do português seja mais sistemático e generalizado.

Foram as aulas de português as que te trouxeram para a AGAL ou fora os teus contatos com pessoas/atividades da AGAL é que te impeliram a lecionares português?

Se eu não tivesse recebido aquela carta assinada por Valentim Fagim de que falei, nunca se teria realizado aquele sonho da minha juventude de dar aulas de português.

Nos meus anos de estudante julgava que AGAL era uma máfia de criminosos. Foi conhecer parte do pessoal que o constitui hoje e o bom trabalho que estão a realizar que me trouxe para esta associação.

Recentemente, participaste num encontro multilateral eTwinning na cidade de Évora, com professorado de língua portuguesa de diferentes países europeus, incluídos representantes de outros locais da Espanha: quais as procedências desse professorado?

Participei, e foi precisamente graças a membros de AGAL, nomeadamente Maria Pinheiro, que pude usufruir deste evento. Fico tão agradecida!

Lá conheci professores de português da Extremadura, Astúrias e Leão que pareciam autênticos galegos quando desatavam a falar português: que engraçado! Aliás, conheci também polacos, franceses e até checos. Lembro destes últimos que julguei estarem zangados e fiquei um bocado assustada, mas logo percebi que era por causa do sotaque deles... E também, com certeza, inúmeros professores portugueses. Foi uma experiência extraordinária e inesquecível.

Poderias dizer-nos se a situação do português no ensino secundário galego está a um nível similar ao da Estremadura, ao de uma escola em Villablino -em Leão- ou ao de uma de Paris? Quais são motivos?

Para já, eles são professores de português especialistas, quer dizer com vagas de português, e não professores de qualquer coisa a lecionar português como na Galiza. Acho uma grandíssima iniquidade não haver vagas de português na Galiza e o pessoal galego especialista em português ter de ir lecionar esta disciplina a outros lugares, enquanto aqui estamos a lecionar português pessoal não especialista.

Como professora de língua no ensino público e mãe, que opinas de iniciativas como a cooperativa de ensino Semente que começou este ano a funcionar em Compostela?

Acho uma iniciativa ótima. Muitos parabéns aos promotores e os meus melhores desejos dum grande sucesso.

Quais deveriam ser as estratégias priorizadas para irradiar entre a sociedade galega que a nossa língua é extensa e útil?

Estive a refletir um bom bocado, mas afinal já percebi: esta pergunta é uma brincadeira, não é?

 

Conhecendo Vitória S. Regueiro

  • Um invento: a varinha mágica
  • Uma música: “O homem do leme” Xutos e Pontapés.
  • Um livro: O pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry
  • Um facto histórico: A Batalha de São Mamede.
  • Um prato na mesa: Salada tropical.
  • Um desporto: natação.
  • Um filme: A língua das borboletas.
  • Uma maravilha: As cantigas de amigo galego-portuguesas.
  • Além de galega: portuguesa, brasileira, caboverdiana, angolana, moçambicana, são-tomense, guineense ou timorense.
 
 

A Assembleia da AGAL aprovou o orçamento de 2012

PGL - A Assembleia Geral Ordinária da AGAL de 17 de dezembro aprovou com apenas 5 votos em branco o orçamento para o ano 2012. Isto permitirá que durante o próximo ano a Associaçom Galega da Língua mantenha a linha de trabalho atual.

Quanto a essa linha de trabalho, justamente outros pontos do dia tinham a ver com o relatório de atividades do ano que acaba, 2011, e com os projetos para o curto e médio prazo. Em próximos dias será publicada no PGL umha alargada informaçom detalhando estas questons.

 

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Assembleia Geral da AGAL a 17 de dezembro

PGL - O presidente do Conselho da AGAL, nos termos legais e estatutários, notificou a convocatória de Assembleia Geral para o vindouro 17 de dezembro (sábado). Será às 10h30 em primeira convocatória e 11 horas na segunda. Decorrerá no Centro Sócio-Cultural de Vite (Rua Carlos Maside, nº 7), em Santiago de Compostela.

A seguir reproduzimos a ordem do dia:

  1. Leitura da ata anterior.
  2. Relatório do ano 2011 / Projetos para o ano 2012
  3. Orçamento para o ano 2012
  4. Outras questões

Caso algumha pessoa associada nom poda assistir, pode delegar o seu voto no ponto número 3 num outro sócio ou sócia enviando um email para secretaria[arroba]agal-gz.org indicando a pessoa em quem delega. As pessoas presentes na assembleia só podem levar um voto delegado.

 
 

Alexandre Rios: «Na EOI apercebim-me de que o reintegracionismo é muito mais do que usar umha ortografia mais razoável: é a única estratégia possível para a regeneraçom plena da língua na Galiza»

PGL - Alexandre Rios é de Cangas, músico amador de jazz, estuda física, os mínimos levaram-no aos máximos e a Escola Oficial de Idiomas (EOI), em que estuda português, pujo os pontos nos is. Alexandre tem-no claro: «estudar português é redescobrir a nossa língua».

Portal Galego da Língua: Alexandre Rios nasceu no Morraço, em Cangas e é falante de berço. Contrastando com o presente, mudou muito a fotografia lingüística relativamente à língua dos miúdos e das miúdas em Cangas?

Alexandre Rios: Quando eu era criança, poucas das minhas companheiras e companheiros falavam a nossa língua, e hoje a situaçom piorou ainda mais. Umha diferença importante é que naquela altura o galego era ainda a língua maioritária entre os pais e maes, mesmo que nom o falassem aos pequenos. Hoje, no entanto, a referência da nossa língua para muitos miúdos começa a ficar já na geraçom dos avós.

PGL: O teu primeiro contato com o reintegracionismo foi através dos mínimos. Quando e como começaste a te interessar polo tema?

AR: À casa dos meus pais chegavam revistas e folhetos escritos nessa normativa. Isso fijo-me reparar em que muitos coletivos propunham um modelo de língua mais aberto à lusofonia. Com 13 ou 14 anos comecei a utilizar os mínimos, também na escola nalguns trabalhos e exames. Nesse sentido, acho que o facto de esses grupos sociais terem abandonado esta opçom tornou mais invisível para a sociedade o conflito que existe entre apostarmos pola lusofonia ou ficarmos no isolamento.

Alexandre numha fotografia tirada nos Ancares

PGL: A professora e música Isabel Rei foi umha pessoa importante neste processo de conscientizaçom.

AR: Pois é, fum aluno da Isabel no conservatório de Cangas, tinha eu dezasseis anos. Lembro que as aulas de história da música com a Isabel eram às sextas, ao fim da tarde, e muitas vezes partilhávamos o caminho de volta. Trazem-me boas lembranças aquelas conversas de música, mesmo de astronomia... e também de língua, claro. Isabel emprestou-me bons livros, abriu-me a novas ideias, e foi depois dessa interaçom com ela que resolvim aprender e utilizar a norma da AGAL.

PGL: Alexandre estuda português na Escola de Idiomas de Compostela. Que estás a aprender nas suas aulas? Recomendas estudar português nas EOI?

AR: Deixas-me responder com um exemplo? Minha bisavó, sendo eu criança, perguntava-me muito polo Celta. E que vai, em terceiro ou em quarto? Quando lhe ouvia isso, eu achava que ela falava mal, que nom usava bem as preposiçons porque nunca tinha ido à escola. Até que estudei português nom compreendim que minha bisavó conservava essa e muitas outras expressons genuínas, que se estám a perder pola pressom do castelhano, mas também porque o modelo oficial nom tem o português como referência. Na Escola de Línguas apercebim-me que o reintegracionismo é muito mais do que usar umha ortografia mais razoável: é a única estratégia possível para a regeneraçom plena da língua na Galiza. Recomendo-o, sem qualquer dúvida: estudar português é redescobrir a nossa língua.

PGL: Foi a música também, por meio do Zeca ou o Fausto que te fijo reparar na internacionalidade da nossa língua. Que tem a música que chega aonde nom chega o texto?

AR: Quanto à internacionalidade da língua, acho que às vezes umha música vale mais do que mil palavras. A boa música embala e seduz. E no meu caso, ouvir o Zeca, o Fausto, o Caetano ou o Jobim mostrou-me com naturalidade que as falas de Portugal ou do Brasil nom som estrangeiras para as galegas e os galegos.

PGL: Adoras a música, adoras as línguas mas estudas... Física... é possível combinar áreas tam diversas?

AR: E por que nom? Acho mui enriquecedor as pessoas nos interessarmos por questons diferentes e diversas. Isso implica tomar contato com outras perspetivas, outra gente, com formas diferentes de ver as cousas.

PGL: Que te motivou a te tornares sócio da AGAL? Que esperas da associaçom?

AR: Motivou-me o meu desejo de me associar, de ficar a conhecer companheiros e companheiras com quem aprender e contribuir para a causa de um galego extenso e útil.

 

Conhecendo Alexandre

  • Um sítio web: http://translate.google.pt/, muito útil
  • Um invento: a bicicleta
  • Umha música: Ó minha amora madura, do Zeca
  • Um livro: qualquer um de Saramago
  • Um facto histórico: a guerra civil espanhola
  • Um prato na mesa: amêijoas à marinheira
  • Um desporto: o futebol
  • Um filme: O Estrangeiro, de Orson Welles
  • Umha maravilha: a alegria
  • Além de galego/a: celtista

 


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