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Paulo Parga: «Pode-se trabalhar na elaboração duma ILP para implementar o português no curriculum»

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PGL - Paulo Parga é operário da indústria da madeira. Mora em Lugo, mas a sua ascendência é chairega. Desde há quase duas décadas tem partilhado projectos no movimento popular galego em diferentes organizações sociais e políticas.

PGL: Que visão tens da AGAL? Que esperas da associação? Qual foi o teu motivo para te associares?

PP: Sempre tivem uma visão da AGAL mais que como uma associação da Língua, algo assim coma uma Academia, de facto sempre a pensara como uma entidade de notáveis que trabalha de jeito rigoroso pelo galego-português. Respeito ao que espero, podo dizer que oxalá se avance num achegamento maior ao padrão internacional e a AGAL contribua para dinamizar o processo de construção nacional da Galiza.

PGL: Qual é a tua relação com a língua?

PP: Mamei o galego-português num ambiente rural, onde passava a maior parte do tempo até à adolescência, exceptuando escolarização na cidade de Lugo. A língua depois tornou-se chave na minha maneira de entender a Galiza e o seu lugar como nação na Europa e no mundo.

PGL: Como foi o teu contacto com a estratégia reintegracionista?

PP: A minha aproximação à estratégia regeneracionista ou lusista veu pela minha aproximação ao nacionalismo. Sou lusista por ser nacionalista galego, porque contribui para naturalizar a nossa língua, mais do que uma aposta na dimensão internacional da nossa fala, também mui importante, mas que não foi uma motivação no meu achegamento inicial a esta estratégia.Também tenho participado na criação desde a génese de dous centros sociais regeneracionistas e nas obras de mais um, além de colaborar com entidades que tenhem o galego-português como veicular.

No que atinge ao futuro, gostaria de que o lusismo galaico mudara de táctica, passando do confronto mais visceral com quem utiliza o galego na variante ortográfica castelhana para uma cooperação necessária e urgente. A maioria da população galega que é utente a nível oral e escrito da língua fai-o na norma do ILG-RAG, e é quase insultante dizer que é por desconhecimento ou outras vaguezas que se argumentam às vezes.

É por isso que tem que dar-se um reconhecimento da opção da maioria, para depois que se dê um reconhecimento mútuo. Eu sou lusista no plano estratégico mas no táctico há que modular o discurso para avançar, mesmo para atingir um mínimo reconhecimento legal do português na Galiza, via que está sem explorar. Ainda que seja difícil, não é impossível.

PGL: Como crês, portanto, que poderia começar a mudar esta estratégia de que falas?

PP: A estratégia poderia ir em três direcções paralelas. Em primeiro lugar, a AGAL, em minha opinião é uma entidade que é depositária dum património, em termos de legitimidade, dentro do lusismo a nível ortográfico para uma convergência maior com a norma internacional da lusofonia , nomeadamente a Comissão Linguística. É, pois, quem deve analisar e situação e propor ainda mais mudanças nessa linha de convergência ortográfica plena.

Em segundo lugar, lá onde houver plataformas sociais amplas em defesa da Língua aí deve estar a AGAL, mesmo nos seus órgãos de direcção, ainda que não trabalhe desde parâmetros estritamente regeneracionistas no ortográfico. Também se poderia estudar a colaboração com a Fundação da Mesa "Vía Galego", que tem como objectivo, ainda que com ritmos diferentes aos da AGAL, um achegamento e cooperação com a lusofonia. A AGAL poderia servir como "ponte" nesse caminho.

Finalmente, no aspecto de conseguir um status de legalidade ou promoção do português na Galiza, pode-se trabalhar na elaboração duma Iniciativa Legislativa Popular para levar ao Parlamento galego, ou por meio dos grupos da oposição parlamentar fazer-lhes chegar uma proposta na linha de implementar dentro do curriculum galego, o português, assim como trabalhar noutra dinâmica em que se exclua o veto a prémios literários, no eido da investigação cultural, etc. por estarem escritos no padrão internacional da nossa língua.

PGL: Sabes que está de atualidade a implantação do português como segunda língua obrigatória em diferentes regiões espanholas, mas na Galiza ainda parece demorar. Que opinas sobre isto?

PP: Porta-vozes da actual Junta da Galiza manifestárom-se favoráveis, ainda que há que o comprovar. Esta é umha tarefa dos grupos da oposição parlamentar. É um paradoxo que as galegas e galegos e as nossas falas inseridas na lusofonia não o tenhamos, cousa que comunidades autónomas espanholas por razões de vizinhança com Portugal, além de por utilidade. Nunca está a mais recordar que a variante internacional da Língua galega é a sexta mais utilizada do mundo.

PGL: Sabes, Paulo, que existem pessoas que defendem o reintegracionismo, ou que são filoreintegracionistas mas, na escrita não dão o passo para a norma galego-portuguesa. O que lhe recomendarias tu?

PP: Eu defendo o achegamento à norma internacional da nossa Língua de jeito progressivo. Portanto compreendo bem que haja pessoas que se exprimam a nível escrito em duas normativas. Qualquer pequeno avanço é importante, mas que recomendar algo, que isso deve ser parte num processo pessoal no qual eu próprio estou inserido, afirmo que qualquer passo nessa direcção é positivo. Por último, sempre está a ideia de que predicar com o exemplo é o melhor.

PGL: Para finalizar, queres engadir algo mais para os leitores do PGL?

PP: Recomendo, dentro das possibilidades pessoais de cada quem, viajar às comarcas do interior da Galiza, nomeadamente às da faixa estremeira -Eu-Návia, Berzo e Seabra- e ouvir como há formas e expressões na língua que concordam muito com a norma internacional da nossa Língua.

 

Conhecendo o Paulo Parga

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  • Umha música: a dos países da Europa atlântica, também chamados celtas
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  • Um facto histórico: a Assembleia Nacionalista de Lugo de Novembro de 1918
  • Um prato na mesa: ovos na tijola e batatas fritidas
  • Um desporto: os praticados na montanha
  • Um filme: Braveheart
  • Umha maravilha: a costa do Ortegal
  • Além de galego: socialista arredista

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