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Comunicado da Revira sobre os acontecimentos racistas das últimas semanas

Nas últimas semanas a reubicaçom de várias famílias ciganas no bairro de Monteporreiro provocou na nossa cidade um brote de racismo e xenofobia ante o qual, as sócias e sócios da Associaçom Cultural Revira, queremos manifestar:

[Mais:]

1) É intolerável a reacçom racista de parte da vizinhança de Monteporreiro e em geral de parte d@s vizinh@s de Ponte Vedra. Com a excusa de que nom queriam no bairro famílias que, supostamente, traficavam com droga, chegárom a fazer a vida impossível e a agredir às famílias ciganas transladadas lá, tam só em base a prejuizos e sem dar o mais mínimo benefício da dúvida. Está claro que nom existe a mesma reacçom quando um “paio” é detido por asuntos relacionados com o tráfico de drogas, nom conhecemos casos nos que se tentasse expulsar à família dalguém vinculado com a droga por serem um “perigo para a comunidade”.

2) A actuaçom das instituiçons e dos partidos que as dirigem foi um desastre em todo momento. Especialmente sangrante é o caso do Concelho de Ponte Vedra e os grupos que o apoiam, BNG e PSOE, que parecérom competir a ver quem dava mais aços às acçons xenófobas, a desesperaçom polos votos levou a que organizaçons políticas que ainda se definem como de esquerdas abraçassem posturas injustificáveis, como a de Lores exigindo conhecer os presuntos antecedentes penais das famílias reubicadas em Monteporreiro. Mas também a da Junta, cujo projecto de povoados provisórios para realojar as famílias do Vao já foi analisado como um passo atrás por associaçons de educadoras/es sociais da Galiza, um simples mantenimento de “guettos” como os hoje existentes. Em geral, a cessom ante as pressons racistas é um perigoso precedente ante casos futuros de semelhantes características.

3) O silêncio social ante os factos que vivemos, especialmente da maioria de organizaçons e colectivos “progressistas” ou dalgumhas associaçons vizinhais (as que se pronunciárom figérom-no para apoiar ao Mirador), foi vergonhento. É condenável o facto de calar e olhar para outro lado quando o racismo se manifesta na nossa cidade, é umha postura que beneficia a consolidaçom e o crescimento de opinions xenófobas que, nom nos enganemos, existem dentro da sociedade, e especialmente contra a comunidade cigana. Se nom combatemos o racismo este medrará, e nom nos extranhemos no futuro se há sucessos ainda mais graves.

4) Da Revira queremos expressar a nossa solidariedade e apoio às famílias agredidas, que tenhem tanto direito a umha vivenda como qualquer, especialmente quando vam ser expulsad@s dumhas terras que som suas, e ao povo cigano, secularmente instalado no nosso País e também secularmente marginado e perseguido.

Por todas estas razons A Revira acordou somar-se ao manifesto: PONTE VEDRA POR UMHA SOCIEDADE MULTICULTURAL E SOLIDARIA que reproduzimos a seguir:

Os colectivos sociais de Ponte Vedra Amarante, Asemblea de Mulleres, Associaçom Argentina Rincón Criollo, Associaçom Cultural A Revira, BRIGA, CGT, Mulleres Cristiás, NÓS-Unidade Popular, PCPG, Secretariado Cigano e demais cidadáns e cidadás a título individual que assinamos este escrito queremos expressar a nossa profunda preocupaçom sobre os comportamentos mostrados por parte de associaçons, meios de comunicaçom e representantes políticos a raiz do realojamento de três familias ciganas no bairro de Monte Porreiro e noutros lugares da comarca.

Assim pois, em primeiro lugar, apoiamos o manifesto “Por umha sociedade plural, umha convivência intercultural” apresentado quinta-feira 13 de março em Compostela por mais de umha trintena de colectivos sociais de Galiza, no qual se pede “umha aposta política no fim do chabolismo e na criaçom de espaços de convivência intercultural em todos os bairros das nossas vilas e cidades, sem descartar tampouco as paróquias rurais”.

E, além disso, queremos pontualizar:

- Que o racismo, a xenofobia e o fascismo como expressons de rejeitamento ao diferente nom nascen da noite para a manhá, ninguém se reconhece racista, trata-se de elementos que vam aninhando no subconsciente colectivo e individual das pessoas que como neste caso abrigam medo –muitas vezes baseado em dados objectiváveis como o tráfico de droga, as máfias,....-. É por isso que necesitam de muita pedagogia democrática e de muita cultura da toleráncia.

- Que a soluçom ao problema de marginalizaçom social do colectivo cigano nom passa como apostan as nossas autoridades na volta ao gueto, mas no caminho da desguetizaçom. Nesse caminho, a integraçom individual de famílias nom gera nengum problema, senom que é a soluçom.

- Que o direito a habitar numha vivenda digna com os serviços básicos mínimos é um dos direitos humanos elementares de todas as pessoas, reconhecido por todas as cartas de direitos civis internacionais, incluídos a Constituiçom Espanhola e o Estatuto de Autonomia de Galiza.

- Que no presente caso a negaçom deste direito é incluso mais grave se temos em conta que se nega a umha família inteira de um determinado colectivo com um número importante de nenos e nenas e num pais com um clima extremamente chuvoso.

- Num estado de direito, os delitos som individuais, nunca colectivos. Se um de nós, por exemplo, tiver um irmao ou um sobrinho que cometeu um delito, a ninguém lhe ocorre que a soluçom para o reinsertar seja desterrar ou encarcerar toda a nossa familia. Que mesmo as pessoas com antecedentes delictuosos, no caso de que as haja neste caso, tenhem dereito a viver numha casa digna.

- Que, infelizmente, individuos que traficam com droga há hoje em dia em andares e locais da nossa cidade tanto de bairros periféricos como centrais e, embora se conheça a sua actividade, a associaçom vicinal que se opom com tanta teimosia ao realojo das pessoas do Vao nunca organizou mobilizaçoms para botar a estes individuos e a suas famílias das suas casas ou exigir a clausura do local onde se vende droga.

- Que, também infelizmente, a nossa mocidade está exposta a diário, sobretodo nas saídas nocturnas da fim de semana, ao contacto com os traficantes de drogas (haxixe, cocaína, pastilhas...) em locais incluso de moda e mesmo às portas dos centros educativos. Os passadores de droga nom estám só em zonas marginais. A soluçom ao problema da droga é umha questom complexa. Evitar que @s noss@s filh@s se tornem toxicodependentes é um trabalho educativo em que a familia, @s ensinantes, os meios de comunicaçom e a Administraçom devem desempenhar todos um papel fundamental.

- Que ainda que as medidas adoptadas por parte do Concelho de Poio para realojar as familias do Vao podam parecer precipitadas e sem umha planificaçom ajeitada, nom som admissíveis as posturas de determinados representantes políticos e vicinais que, bem por interesses electoralistas ou bem por umha falta total de solidariedade com @s mais desfavorecid@s da nossa sociedade, se negárom redondamente a qualquer tipo de acordo. Ao contrário, encirrárom os vizinh@s de Monte Porreiro, ajudados polo sensacionalismo e “o morbo” dos meios de comunicaçom, para que, justificando as suas acçons como umha luita contra a droga, fossem surgindo sentimentos racistas e xenofobos que mesmo transmitírom aos seus filhos, chegando a os utilizar em manifestaçoms destas características.

- As acçons de protesto levadas a cabo nom se dirigírom unicamente contra a suposta incompetência dos representantes públicos, senom que todos os membros das familias realojadas, incluídos nenos, fôrom objecto desde o principio de umha violência verbal com insultos de todo o tipo, que em lugar de ser acalmada polos dirigentes vicinais foi animada polas suas declaraçoms.

- Consideramos que é umha grande irresponsabilidade por parte dos representantes da administraçom tanto autonómica como local ceder ante os protestos vicinais sem chegarem a um acordo que permitise ir realojando as familias do Vao paulatinamente mediante o estabelecimento de uns prazos e de umhas garantias de convivência por ambas as partes: vizinh@s e pessoas realojadas.

- Depois desta cessom, a política social da Administraçom autonómica e dos governos locais implicados fica claramente desacreditada. Nom se enxergam possíveis soluçons ao problema dos assentamentos marginais, tam numerosos na nossa terra. A partir de agora será muito mais difícil levar a cabo um plano de integraçom social dos habitantes destes povoados, pois qualquer grupo de vizinh@s se sentirá legitimizado para fazer o mesmo que figérom @s vizinh@s de Monte Porreiro, Ponte Caldelas ou Caritel.

Por todo isto pedimos:

- Dos Concelhos da comarca e mais da Vicepresidência da Junta da Galiza um plano real de erradicaçom do chabolismo com a participaçom de todos os agentes sociais (serviços sociais municipais, associaçons vizinhais e culturais, centros educativos e sanitários...) Este plano deveria começar por dar umha resposta consensualizada, mas imediata, ao realojamento destas familias que fôrom rejeitadas e continuam sem umha vivenda digna.

- Das asociaçoms vizinhais umha atitude aberta de diálogo, isenta de protagonismos, que favoreça a integraçom das pessoas marginalizadas em lugar de criminalizá-las no seu conjunto, favorecendo os preconceitos sociais de todo o tipo contra elas.

- Dos meios de comunicaçom um tratamento objectivo da questom que nom “bote mais lenha ó lume” com notícias sensacionalistas que nom reflectem a realidade e que parecem buscar um maior enfrontamento e mesmo que se produzam factos violentos.

- Dos ciganos e ciganas realojados que mantenham a atitude serena que tenhem mantido até este momento.

- A toda a sociedade, que rejeite a exclusom e o racismo como forma de resoluçom de situaçons de marginalidade e segregaçom.

Em Ponte Vedra a 24 de Março de 2008.

Escrito em 10-04-2008na categoria Associaçom
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